Caminho de Santiago de bike – Etapa Final – De Pedrouzo a Santiago de Compostela

Chegou o grande dia! A etapa final:

Despertei com o Ari me felicitando por meu aniversário! Que alegria acordar ali, em uma viagem incrível, ao lado do meu amado. O dia era mais que especial! Rapidinho nos arrumamos, tomamos café da manhã no albergue mesmo, com iogurte, ovos e frutas que tínhamos comprado no dia anterior. Saímos com uma alegria, uma vontade de chegar em Santiago logo. E por essa euforia toda, me lembro muito pouco do trajeto deste dia. Lembro que pedalamos em clima de muita paz, serenidade…

Passamos por muitos peregrinos, todos na mesma alegria pro estarem na reta final, cumprimentando-nos quando passávamos. Isso aumentou ainda mais nosso ânimo, nosso desejo de chegar. Pouco tempo depois, chegamos no Monte do Gozo, onde há um monumento em homenagem a visita do Papa naquele local na IV Jornada Mundial da Juventude. em 1989.

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em frente ao Monumento de Juan Pablo II.

Disseram que dali já daria para ver as torres da Catedral, mas nós não conseguimos ver nada… Estávamos mesmo era sem paciência de procurar, pois isso é possível sim, mas não soubemos achar onde seria esse mirante e fomos logo em direção à cidade, o apóstolo nos esperava!! rsrsrs..

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Entrada da cidade Santiago de Compostela.

Entramos na cidade e íamos seguindo as setas, mas nada de chegar na igreja, uma rua de paralelepípedos e depois entramos no centro antigo de Santiago, pequenas ruas, e sem visão das torres da igreja. Aquilo foi fazendo meu coração disparar, onde está? Imaginei que chegar até lá caminhando deva ser quase uma tortura psicológica… rsrsrs

De repente ouço uma gaita de fole tocando longe, olhamos para cima e vimos uma das torres! Estávamos na lateral da Catedral. Parei, as lágrimas começaram a brotar enquanto eu sorria, que emoção, que alegria!!

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Lateral da Catedral, chegamos!

 

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Em frente a majestosa Catedral de Santiago de Compostela.

Entramos na praça do Obradoiro e comemoramos muito! Mesmo com a catedral em reforma (há alguns anos já…) é linda!! Sentamos no chão, batemos fotos, comemoramos muito e não queríamos mais sair dali…

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Momento euforia extrema… rsrsrs

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Depois que a euforia baixou, precisávamos pensar onde iríamos dormir naquele dia, logo achamos uma pensão e fomos até lá tomar banho, guardar nossas bikes para finalmente entrar na Catedral, a missa do peregrino era às 12h e eu estava ansiosa para assisti-la.

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dentro da igreja e pertinho do altar de Santiago.

Entramos na igreja às 11h, já cheia de peregrinos… Não conseguimos lugar para assistir a missa sentados, ficamos de pé mesmo, era missa de Pentecostes e por esse motivo aquela missa teria a cerimônia do Botafumeiro – ritual que acontece somente 1 vez por semana e que eu queria muito assistir. Quando o botafumeiro foi aceso e erguido, meus olhos mais uma vez encheram-se de lágrimas,  foi um momento de muita emoção, e chorei muito de alegria, me senti realmente abençoada. A catedral é enorme, o altar é maravilhoso e depois da missa ainda ficamos caminhando dentro dela, conhecendo cada detalhe.

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Até que a fome bateu e nos obrigou a sair e procurar onde almoçar. Achamos um restaurante que servia uma boa carne assada e enormes cañas!! Um brinde! Tantas coisas a comemorar e agradecer…

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Ainda permanecemos mais 2 dias em Santiago, perambulando entre as ruazinhas e apreciando tudo o que a cidade tem a oferecer… Vale a pena, cidade linda!!

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E assim terminou nossa aventura, com muito gosto de quero mais!

Em breve farei outro post apenas com dicas úteis para esta viagem, aguardem!

😉

Acompanhe essa história desde o início clicando aqui.

Bicicletas em Madri

Antes de começar a contar sobre a nossa aventura no Caminho de Santiago de Compostela, queria contar um pouco do que vi em Madri, onde passamos um dia inteiro antes de ir para Roncesvalles, onde começamos o caminho.
Um dia é  muito pouco para conhecer essa cidade enorme e cheia de atrações turísticas e culturais, mas demos uma boa volta no centro e seus arredores e eu vou contar um  pouquinho do que eu vi.
Como não podia deixar de ser, fiquei muito atenta às ruas, e pra falar a verdade fiquei eufórica ao ver tanta gente com bicicletas em Madri, utilizando-a como meio de transporte mesmo. Tanto que mal conseguia fotografar… rsrsrs

Bicicletas em Madri

Vi muitas mulheres, indo e vindo no meio do trânsito de Madrid que é  bem frenético, e apesar de ter observado por pouco tempo, não vi nada de stress ou situações que colocassem em risco os ciclistas, todos se entendiam muito bem.

Bicicletas em Madri

Bicicletas em Madri

Bicicletas em Madri

Lá existe um sistema de aluguel de bicicletas, como o que estão tentando implantar em Floripa sabe? #Sóquenão… Lá são todas elétricas! 😀

Bicicletas em Madri

Bicicletas em Madri

Nessa última foto dá pra ver que as bikes têm cada uma um indicador da bateria: vermelha ou verde.
E o melhor de tudo: o respeito dos carros com pedestres e ciclistas, mesmo fora das ciclovias. É lindo de ver!! Nós não pedalamos em Madrid, mas enquanto pedestre era só se aproximar do meio-fio para atravessar a rua que o carro já parava antes de você descer o pé da calçada… Dava até uma emoção!! hahaha… “Ele parou pra mim? Mesmo?”
E com os ciclistas era nítido o respeito do espaço mínimo de 1,5m de distância, tudo muito natural. Como deveria ser em qualquer lugar né?

Bicicletas em Madri

Bicicletas em Madri

E ainda muito charme por todo o lado.. Encantadora Madrid! <3

Quero voltar pra te conhecer melhor viu?!

 

 

Viajar de bike – do Chuí a Montevidéu – Final

Viajar… quem não gosta? E viajar de bike, quem encara?
Estou aqui preparando este post com o relato dos últimos dias desta cicloviagem e revivendo todos os momentos na minha cabeça… Momentos que vou levar pra sempre na memória. Viajar e explorar os lugares de  bicicleta coloca dois temperos a mais na sua viagem: aventura e adrenalina. Viajar de bike requer um planejamento mais detalhado do que uma viagem convencional, mas no final vale a pena e é viciante, tá? Mal termina uma e a gente já está pensando na próxima (pelo menos aqui é assim, rs). E a nossa próxima cicloviagem será mais longa, 13 dias de pedalada, e está sendo planejada há uns dois anos… Mas isso é assunto para um outro post.
Vamos contar de uma vez como foi a última parte dessa aventura pelo Uruguai:

Quinto dia: Punta del Este – Atlantida
Depois de um merecido dia de descanso, saímos cedo do nosso hostel, o Tas d’Viaje, e rumamos para a cidade de Atlântida, nosso pedal mais longo, com 107 quilômetros, e um desafio para nós, que nunca havíamos pedalado acima dos 100 km.

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Punta Ballena – onde fica a Casa Pueblo

No caminho paramos para conhecer a famosa Casa Pueblo, em Punta Balena, 14 km após Punta, uma obra majestosa do  artista uruguaio Carlos Páez Vilaró, recém falecido. Mas chegamos cedo demais (8h) e não conseguimos visitá-lo pois o local só abre após as 10h. Então, toca pra Piriápolis, que a estrada é longa.

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Pose na frente da Casa Pueblo que ainda estava fechada pra visitação.

Quando estávamos em Punta tivemos o único dilema de nossa viagem: na próxima noite deveríamos pernoitar em Piriápolis, distante 45km, ou seguir até Atlantida, mais 62 km e assim chegar mais tranquilos em Montevidéu?

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Quase em Piriápolis… E as estradas sempre uma tranquilidade!

Resolvemos pela segunda opção, já que estávamos descansados e então fizemos uma reserva pelo Booking num prédio de apartamentos que são alugados para turistas. Quando chegamos em Atlantida, depois de um dia todo pedalando sob sol intenso em um maravilhoso dia, procuramos por nosso local de estadia e quando lá chegamos, para nossa surpresa, quem encontramos? Sim, Pierrette e Roland estavam nos esperando, haja vista o dono do local ter lhes informado que estava esperando por um casal de pedalantes brasileiros. Eta mundo pequeno esse! Foi uma festa! Jantar com salada francesa e massa italiana feita por brasileiros num improviso só! Delícia de noite!
Para quem quiser dar uma olhada no Blog dos Franceses ai vai o link: Petit tour a tandem

Nessa noite jantamos todos juntos: nós, os franceses e mais um casal canadense que estavam hospedados no mesmo prédio.

Sexto dia: Atlantida – Montevidéu

No dia seguinte os franceses partiram antes, pois como diziam, iríamos atropela-los pelo caminho. Saímos uma hora depois e seguimos em nosso ritmo normal, cerca de 15 km/h.

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Na saída, maior cara de sono!

Nesta etapa viajamos pela Rota 9, rodovia uruguaia que liga Montevidéu ao Chui, sendo bastante movimentada e monótona, algo como viajar em uma grande BR brasileira. Mas em nenhum momento, nem na Rota 9, nem em outra rodovia ou local do Uruguai, tivemos algum problema em relação a segurança, ou os famosos “finos educativos”. Muito pelo contrário, sempre notamos um respeito muito grande em relação às bicicletas por parte dos veículos motorizados, muitos deles inclusive nos buzinando e fazendo gestos de incentivo. Ou seja, foi uma viagem extremamente tranquila!

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Destino final!

Após uma jornada pedalante de 55 quilômetros, chegamos a Montevidéu e paramos em um local onde há um enorme letreiro com o nome da cidade, com o centro da metrópole ao fundo. E quem encontramos saindo do local? Isso mesmo, os franceses, neste que seria nosso último encontro. Eles seguiram então para o mercado público enquanto nós seguimos a procura de que seria nosso hotel pelos próximos dois dias, pois iríamos ter mais um dia de ócio turístico antes do retorno ao Brasil.

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Muitas ruas de Montevidéu são assim, parecem túneis de plátanos!

Já na tarde deste mesmo dia fomos com Thelma e Louise até a estação rodoviária de Tres Cruces para agilizar as passagens de volta, comprando-as na empresa Rotas del Sol, escolhida por ter bons horários diretos para o Chui, ônibus modernos e, principalmente, levam bicicletas em seus enormes bagageiros. As meninas teriam suas próprias passagens, seriam protegidas com plástico-bolha, que compraríamos em uma papelaria qualquer, para não levarem arranhões no quadro e seriam bem presas a estrutura do veículo. Ou seja: perfeito! Após resolvermos a volta ao Brasil, nos restava conhecer Montevidéu, seus locais históricos, turísticos e, principalmente, suas famosas parrillas!

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#Turistando

E assim foram dois dias maravilhosos, caminhando, pedalando e provando a deliciosa carne uruguaia, considerada uma das melhores do mundo! Sempre bem acampanhadas de uma Patrícia, uma Pilsen ou uma Zillertal, ótimas cervejas locais que são vendidas em garrafas de um litro e que dão um banho de sabor nas congêneres brasileiras.

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#Turistando2 – Olhando essa foto, alguém imagina que cheguei na cidade de bicicleta? :-)))

Em nosso último dia uruguaio, café da manhã no hotel, arrumar a bagagem toda nos alforges, fazer check out no hotel e rumar com as meninas para a rodoviária, para o retorno ao Chui, onde nos aguardava nosso veículo.
Ao sairmos da rodoviária já estávamos com saudade de pedalar, e então lembramos que este era o primeiro uso de um veículo motorizado em toda nossa viagem, pois até ali havíamos pedalado nada menos do que 428 quilômetros, em 30 horas sobre nossos selins Brooks, que aliás cumpriram honrosamente sua função de proteger nossos bumbuns, não que tenhamos tido o descuido de passar diariamente, antes e depois das pedaladas, uma generosa aplicação de pomada!  Também neste quesito tudo foi tranquilo, pois era outro ponto que nos preocupava. Bem estávamos com nossa bunda calejadas e nossos Brooks amaciados!

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Preparada pra viajar de bus.

Foram cinco horas e meia de viajem tranquila, quando então chegamos a “praça central” da cidade de Chuy, lado uruguaio da Chui brasileira, onde montamos a bagagem toda nas bikes e seguimos para o hotel onde nosso carro havia ficado durante os últimos oito dias. Nesta noite, em parte pela não muito boa experiência que tivemos anteriormente, optamos por não jantarmos e fomos descansar, para poder encarar os mais de mil quilômetros que nos esperavam no outro dia, rumo ao nosso estado natal: Santa Catarina.

E assim terminava nossa primeira ciclo viagem internacional: Uruguai, 428 quilômetros de muita alegria!

Mapa Uruguai

RESUMO TÉCNICO:

  • Km pedalados: 428 quilômetros
  • Horas pedalando: 31h07m
  • Altimetria total: 1.656 m
  • Pneus furados: dois
  • Problemas mecânicos: Nenhum!!
  • Ferramentas levadas: três câmeras reserva, dois “power links”, um pedaço de corrente, duas gancheiras, kit remendo, kit ferramentas, braçadeiras/lacres.

PERCURSOS (gpsies.com)

E então, não dá vontade de pegar a bicicleta e sair por aí conhecendo o mundo?
Dá sim, mas não esqueça que viagens como essa precisam ser bem planejadas pra evitar algumas roubadas e perrengues (alguns fazem parte da brincadeira, mas tem situações que é bom evitar). Já demos algumas dicas de viagem por aqui, mas se você tem alguma dúvida sobre o assunto, comenta aí. Ou envie um email para contatobelanabike@gmail.com que a gente responde!

Como falei no incio em breve, em maio mais precisamente, saíremos para outra viagem de bicicleta, agora um pouco mais longa. Prepare-se para acompanhar novas aventuras!

😉

A primeira parte desta viagem viagem você encontra aqui e segunda parte aqui

Este artigo foi publicado originalmente em www.bikea2.wordpress.com

Viajar de bike: do Chuí à Montevidéu – Parte 2

Fim de semana chegando, logo mais temos o feriadão de Páscoa chegando, vem aquela vontade de fazer algo diferente… Que tal viajar de bike? Para dar uma inspirada e de repente aquele empurrão, seguimos com o relato da cicloviagem do casal aventureiro Aline e Ari, com as histórias do terceiro e quarto dia da cicloviagem no Uruguai.

Terceiro dia: Cabo Polonio – La Paloma

Viejo Lobo HostelApós o café da manhã improvisado, nos despedimos de Luiz, o Viejo Lobo, pegamos acentos na jardineira que nos levaria novamente a estação rodoviária, com a angústia de chegar logo e ver como estavam Thelma e Louise. Ufa, tudo certo com elas, arrumamos a bagagem toda nas meninas e rumamos para La Paloma, nosso destino depois de 57 quilômetros.

Perto do meio dia, estávamos passando por La Pedreira e resolvemos entrar para conhecer, pois as indicações eram sempre favoráveis, e precisávamos providenciar o almoço e a janta, que seria novamente no hostel.

Pierrette e RolandFoi na porta do pequeno supermercado de La Pedreira que encontramos, pela primeira vez, aqueles que seriam nossos companheiros de viagem pelos próximos dias: Pierrette e Roland. Casal de franceses, viajam o mundo sobre uma bicicleta tandem, pelo menos dois meses por ano, a vinte anos! Animadíssimos, tentamos conversar de todas as formas possíveis, pois eles só falavam francês, e nós além do portunhol, só o inglês macarrônico! Mas no final sempre nos entendíamos. Deixamos os franceses em La Pedreira e seguimos para La Paloma, com as compras feitas e o lanche do meio dia feito.

Retas e Retas

Aqui tivemos nossa única surpresa negativa em relação às reservas feitas: quando chegamos ao Serena Blues Hostel em Playa del Arachania, ele estava fechado! Como ainda era cedo, rumamos para La Paloma, passamos no serviço de atendimento ao turista e fomos procurar por um hostel para a noite.

Depois de alguma pesquisa na internet, uma Patricia e um pratão de “papas fritas”, rumamos para o La Balconada Hostel, na praia de Balconada. Jantamos nossa providencial massa com lingüiça e molho de tomate, junto com os vários surfistas brasileiros, alemães e americanos que também estavam no hostel. Dormimos cedo, pois nosso próximo dia nos traria pelo menos duas incógnitas: a Laguna Rocha e no mínimo 90 quilômetros de estrada.
Quarto dia: La Paloma – Punta del Este

La Balconada HostelEste seria o dia em que, se o planejado não desse certo, seria um problemão: teríamos que pedalar 12 km até a Laguna de Rocha, achar uma pescadora (D. Olga) que disseram poderia nos atravessar de barco a tal Laguna e então se tudo desse certo, seguir viagem por mais 80 quilômetros. Caso desse errado, teríamos que voltar os 12 km, fazer uma volta de 30 km circundando a Laguna e daí fazer os outros 80 km restantem ou seja, um pedal de 144 km!!

Seguimos então para a vila de pescadores da Laguna del Rocha, uma linda pedalada com visual incrível! Chegando lá, perguntamos a duas senhoras onde poderíamos encontrar a D. Olga. Nos disseram que ela morava na última casa da vila. Identificamos a casinha branca ano fim da fila e para lá rumamos. Batemos palmas em frente à casa e um senhor veio nos atender. Perguntamos se ali morava a D. Olga, ele confirmou e foi então chamá-la. Lá de dentro veio então ela, que seria o nosso Anjo do dia.

D. OlgaCom 65 anos, D. Olga nasceu neste local e ali vive desde então, sendo pescadora de camarões na Laguna. E quando precisam, ela atravessa os ciclistas em seu pequeno barco, cobrando 100 pesos por pessoa. Thelma e Louise embarcadas, seguimos para o outro lado da Laguna, que durante alguns períodos do ano, quando o volume de água na lagoa não é muita e a maré ajuda, até dá passagem à pé pela praia. Mas como este ano choveu muito em janeiro e fevereiro no Uruguai, a lagoa estava com bastante volume de água e a única forma de atravessarmos seria então com a providencial ajuda de D. Olga (telefone 098801921).

Ferry José IgnácioCom a travessia vencida em 30 agradáveis minutos, ouvindo as histórias da D. Olga, despedimo-nos e colocamos as meninas no areião, pra seguirmos viagem, um trecho de 50 km de estrada de chão, até a Laguna del Garzon, que atravessamos em um pequeno ferry-boat e rumamos para a graciosa vila de José Ignácio.
Após nosso lanche, feito em frente ao farol, seguimos para Punta del Este, nosso destino final do dia, antes passando pela cidade de La Barra e cruzando a famosa Ponte Leonel Vieira, mais conhecida por ponte ondulada.

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Ponte Ondulada – Uruguai

Como iríamos passar em frente a famosa escultura dos Dedos no caminho de nosso hostel, resolvemos parar para uma foto. Que martírio, o local é o ponto mais frequentado de Punta, e principalmente por brasileiros, todos querendo um “recuerdo” onde apareçam sozinhos na foto. Hahaha… nem a pau Juvenal…

DedosEm Punta tiramos um dia de folga, para descansarmos e conhecer a cidade. Bem, não há muito pra se ver, a não ser que se goste muito de ver prédios moderníssimos e mansões, todos irremediavelmente fechados fora da temporada. Até os restaurantes e uma boa parte das lojas também fecham. Bem, tem o Conrad também… e só!

Pierrette e Roland - PuntaAproveitamos nosso dia de folga e fomos novamente a escultura dos Dedos, atrás da tão almejada foto, e quem por lá encontramos? Sim, Pierrette e Roland, os franceses, que não tinham nossa dica da travessia da Laguna Rocha com a D. Olga, e tiveram que fazer os 140 km entre La Paloma e Punta. Estavam exaustos e estavam seguindo para Piriápolis. Fotos daqui, histórias dali, nos despedimos e cada um seguiu seu rumo.

Em breve um último post com os dois dias restantes da viagem… aguardem.

Você pode também pode conferir  o post na íntegra no bloga2.wordpress.com, onde foi postado originalmente.

Viajar de bike: do Chuí à Montevidéu – Parte 1

É só falar em viajar que a gente já se anima por aqui! Viajar de bike então? É adrelina em dobro percorrendo o corpo! E como fizemos recentemente um do artigo com dicas de viagem para mulheres (aqui) nada mais inspirador que trazer para vocês o relato de mais uma viagem do casal Aline e Ari. A aventura da vez é pelo Uruguai, com início no Chui, fronteira do Brasil com o Uruguai, onde o carro ficou na garagem do hotel esperando a volta do casal de mais uma cicloviagem.

Primeiro dia: Chuí – Punta del Diablo

No dia 21 saímos cedo do Chuí em direção a Punta Del Diablo, nosso primeiro destino. Antes paramos na aduana Uruguaia para nos legalizarmos e fomos recebidos com curiosidade pelos guardas uruguaios, que também pedalam e estavam interessados em conhecer nossas bicicletas e toda a sorte de equipamentos que carregávamos. Depois da aduana, uma série de retas intermináveis nos aguardavam, o que se repetiria durante toda a viagem, até que chegamos então no Forte de Santa Tereza, local de nossa primeira parada para lanche, banheiro e visita ao lugar, que aliás é lindíssimo.

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Aqui vale um lembrete para quem for fazer essa viagem: sempre levar algo para um lanche no caminho, caso não haja onde comprar. Em quase todos os trechos, não havia uma lanchonete ou posto de gasolina sequer para abastecimento de água/comida. Portanto, sempre saíamos pela manhã abastecidos com sanduíches e bastante água/isotônico. No Parque de Santa Teresa há um restaurante/café, mas na maioria dos trechos isso não se repete, por isso é bom se prevenir.

Um dos nossos medos em relação a esta viagem era o clima que iríamos encontrar: neste dia em Santa Teresa, avistamos ao longe nuvens muito escuras vindo em nossa direção e logo pensamos: vamos pegar aquela chuva já no primeiro dia? Apuramos o passo para então não pegarmos muita água quando nos deparamos com uma linda “avenida” dentro do parque, ladeado com palmeiras lindíssimas e pensamos: que foto!! Fizemos várias tentativas, sempre olhando para o céu, e passados alguns minutos notamos que a chuva não iria nos pegar. Rumamos então felizes para Punta del Diablo.

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Nossa primeira noite foi no Hostel de La Viuda, reservado pelo Booking  e foi uma grata surpresa: ótimas instalações, pessoal e hóspedes animados de todas as partes do mundo: Canadá, Alemanha, Estados Unidos, França. Após o checkin, deixamos a bagagem no quarto e rumamos ao “centro” para lanchar, conhecer a praia e comprar nosso jantar, que seria preparado na cozinha compartilhada do hostel. Voltando do centro pegamos aquela que seria nossa única chuva da viagem toda, mas que molhou pouco.

O jantar foi uma aventura: na cozinha compartilhada haviam umas vinte pessoas cozinhando em três fogões ao mesmo tempo, panela passando pra cá, aromas vindo de lá e mesmo assim tudo dava certo. Aquecemos nossa pizza (pronta, comprada no super), pois o forno de um dos fogões era o único espaço não sendo utilizado da cozinha. E assim jantamos nossa pizza, acompanhada do primeiro tannat da viagem.

Segundo dia: Punta del Diablo – Cabo Polonio

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Partimos logo cedo, logo após o ótimo café da manhã no hostel, despedidas, fotos da partida, e seguimos em direção ao nosso destino mais exótico: Cabo Polonio. Pedalamos 68 quilômetros, muitos deles sob o temido vento uruguaio, que nos dava a impressão de estar andando para trás, para então chegar na estação rodoviária de onde partem as jardineiras que nos levariam à Cabo Polônio.

Pensamos, ingenuamente, que poderíamos levar Thelma e Louise conosco, mas para nossa surpresa, tivemos que deixá-las no estacionamento da estação. Aqui tivemos certeza de que o cabo-cadeado que havíamos levado valeu a pena: nossas bicicletas passariam a noite amarradas na cerca do estacionamento, sem nenhum acessório e sem os selins também, que sempre tiramos para não dar sorte ao azar. E partimos com o coração na mão, por ter que deixar nossa “condução” ali.

Cabo PolonioCabo Polonio é um povoado cercado de dunas no litoral uruguaio e destino de turistas do mundo inteiro, que querem sentir seu astral único, sua beleza estonteante, seu por do sol  maravilhoso. A população fixa não chega a 100 habitantes quando muito, mas na alta temporada é frequentada por mais de 2 mil turistas que se hospedam em seus cerca de 35 hostels. A nossa reserva era no Viejo Lobo, feita através do Hostel World. Checkin feito, fomos escolher nossa cama, pois os aposentos eram compartilhados, tomamos aquele banho e fomos conhecer o Cabo. Aproveitamos também para comprar os mantimentos para o jantar, que seria feito na cozinha compartilhada do hostel – omelete, pão e vinho.

Farol Cabo Polonio

Farol Cabo Polonio

Cabo Polonio, como já citei, é um lugar lindíssimo e único, com uma atmosfera singular, sendo que só se chega lá a cavalo ou com veículos 4×4, em uma viagem de cerca de 30 minutos pelas dunas. Durante boa parte do ano ela é destino também de muitos lobos marinhos, mas que não estavam por lá nesta época.

Visita e compras feitas, voltamos ao Viejo Lobo, preparamos nossos omeletes e para nossa surpresa, nosso hostel era o point da noite: dois violões e mais uma gaita de boca tocando blues, em redor da lareira acesa por conta do frio da noite, cerca de 30 pessoas se espremiam na minúscula sala, oriundos de todos os cantos do planeta: japoneses, italianos, franceses e até brasileiros! Nos recolhemos cedo, as 23h, cansados da jornada do dia, mas a noite continuou agitada noite a dentro no hostel. Nos deitamos ouvindo Djavan, que delícia!

Esta viagem teve duração de seis dias, por isso dividiremos em três artigos… aguardem cenas dos próximos capítulos, rs. Ou você pode ler o artigo na íntegra aqui, onde ele foi originalmente publicado.

😉

Viajar de bicicleta: 14 dicas para mulheres

Depois que comecei a viajar de bicicleta, muita gente me pergunta: mas como faz com a bagagem? O que você leva? Era também minha dúvida antes da primeira aventura, tive que aprender a lidar com isso e não foi de primeira que acertei. Antes de tudo, tive que me conhecer melhor e identificar o que era realmente necessário pra mim numa viagem.
Eu sempre viajei com a bagagem bem recheada, sempre usei todo o limite de peso das companhias aéreas, e nas viagens de carro então, o porta-malas era o limite! E se eu quiser usar aquela blusa? E se eu quiser sair pra dar uma caminhada? E se, e se, e se… Mas agora não tinha espaço pra essa vontade de querer ter tudo na mão em viagem…
Ok, eu sabia que numa viagem de bicicleta precisaria aprender a ser mais econômica e nas primeiras vezes eu errei, pra mais e pra menos! Fui aprendendo, até que nas últimas viagens tudo o que levei foi usado e não senti falta de nada. Hoje, tal experiência me faz praticar esse minimalismo mesmo em viagens sem bicicleta.

Cicloviagem no Caminho de Santiago de Compostela em 2015.

Cicloviagem no Caminho de Santiago de Compostela em 2015.

Vou contar aqui, algumas dicas do que eu faço para otimizar os espaços, diminuir peso e sem dispensar de algumas frescuras de menina que não consigo desapegar:
1. Unhas — não adianta querer sair pra uma viagem dessas de esmalte vermelho porque não vai durar muito e você terá que levar removedor para esse momento. Por isso prefiro ir com as unhas devidamente feitas apenas com base, curtinhas e levar apenas uma mini-lixa.
2. Cabelos — uma boa hidratação antes de viajar (eu costumo fazer uma cauterização de fios) vai ajudar a domá-los e deixar em casa o secador. Confesso que já fui “a louca da chapinha” e o uso da bicicleta no dia-a-dia me ajudou a aceitar melhor o meu cabelo e deixá-lo mais natural. Foi difícil a adaptação, mas hoje sou outra pessoa, muito mais livre! 😉
Leve grampos, prendedores e lenços, vão ajudar a dar um jeito nas madeixas depois que você tira o capacete, ou quando for jantar à noite em um restaurante por exemplo. Leve uma escova e caso você se hospede em hotel, pode usar o secador que eles fornecem, que normalmente são fraquiiiinhos, mas melhor que nada. Mesmo sendo uma viagem de aventura, você não precisa e não quer estar descabelada o tempo todo!
3. Shampoo e condicionador são mais fáceis de serem carregados em embalagens tipo bisnaga. Existem marcas que já são neste tipo de embalagem, mas confesso que acho grandes e pesadas pra viagens curtas. Então nas viagens que fiz até agora, reutilizei bisnagas pequenas que eu já guardo para este fim, uso embalagens de “amenities” de hotel, lavei bem e coloquei os meus produtos nas bisnagas. Fiz isso também com hidratante pro corpo e economizei um peso considerável.
OBS: isso só atende viagens de curta duração, para viagens com mais de 10 dias essa mini-bisnaga não dá conta, precisa levar quantidade maior mesmo, ou comprar mais durante a viagem.
4. Desodorante roll-on economiza espaço também.
5. Se você usa um sabonete especial para o rosto, leve apenas ele para não precisar levar dois sabonetes ou opte pelo shampoo infantil para os cabelos que tem PH neutro e pode ser usado também como seu sabonete.
6. Maquiagem: sim eu levo, mas bem básica. Um filtro solar com cor, corretivo, rímel, blush e uma sombra neutra. Não, eu não uso isso tudo pra pedalar! Mas nos locais onde nos hospedamos saímos pra jantar, visitar locais e passear. E então gosto de caprichar mais, rsrsrs…
7. Roupas íntimas também precisam ser bem escolhidos para estes dias. O recomendado para ciclistas é não usar calcinha por baixo da bermuda/calça que tem aqueles forros próprios para proteger a região. Aí tem que chegar no destino do dia e lavar a bermuda. Como você estará longe de casa, lavar a bermuda toda noite pode não ser uma tarefa fácil, pra driblar isso você pode usar protetores diários ou calcinhas sem costura, daquelas cortadas a laser, que são boas opções pra reutilizar a bermuda sem lavar.
8. Levo menos uma pashmina (echarpe): aquece o pescoço e as costas se estiver frio à noite por exemplo e já dá um ar elegante pra aventureira. E ainda serve pra improvisar um pique nique num gramado no meio da viagem. 😀
9. As roupas no alforje ficam melhor acomodadas enroladinhas ao invés de dobradas.
10. Não deixe de levar: lenços umedecidos, álcool em gel, pomada Bepantol para proteger os lábios de ressecarem e alguma assadura que possa vir a ter. Falando nisso, como prevenção para assaduras que as horas diárias sobre o selim possam trazer, uso um creme chamado Fenergan, passo todos os dias antes de iniciar a pedalada e também à noite pós banho. Apesar de já ter a região bem acostumada com o uso diário da bicicleta, numa viagem assim é possível que a pele fique mais sensível e não custa prevenir. Esse creme faz com que a pele não asse pelo atrito com a bermuda e também é muito bom pra passar em picadas de mosquitos, alivia a coceira e desincha.
11. Livros — só leve se realmente estiver disposta a pagar o preço por isso, afinal um livro de 400g na bagagem em dias de maiores subidas se transforma em muito esforço a mais.
12. Roupas — investigue muito o histórico do clima da localidade por onde vai passar para não passar frio ou calor desnecessariamente; leve roupas coringa : camisetas que servem pra ir jantar e pra dormir; calças leggings que servem pra pedalar,passear e dormir; e tudo o mínimo possível, para que você esteja com uma muda e roupa no corpo e carregando o mínimo possível no alforje. Luxo: dependendo do destino, levo um vestido de material que não amasse e ocupe pouco espaço para ocasiões especiais…

Em traje de passeio numa cicloviagem pelo Uruguai em 2015.

Em traje de passeio numa cicloviagem pelo Uruguai em 2015.

13. Apesar de preferir as sapatilhas de clip pra pedalar, em viagem uso tênis, que já serve para outros momentos da viagem e economizo peso no alforge pra levar uma sapatilha e um chinelo. Além disso, os pés normalmente incham devido ao esforço contínuo e o tênis trará maior conforto. Lembrando que você está passeando e apesar de ser necessário cumprir um planejamento, performance definitivamente não é prioridade!
14. Coletor menstrual — uma dica pra vida! Depois que você se adapta, economiza muita grana com absorventes, elimina um tantão de lixo no mundo. E pra pedalar é a maior liberdade!
Quando você decide fazer uma viagem de bicicleta, você escolhe deixar de lado certos luxos para ter um outro tipo de experiência, e o saldo é recompensador, pode acreditar!
Experimente, vá fazendo testes com viagens menores e encontre a medida certa do que levar. As dificuldades existem, mas se você seguir essas dicas e se planejar, tenho certeza que sua viagem será incrível e você nem vai sentir falta daquele sapato que você adora! 😉

Cicloturismo – Circuito do Vale Europeu em SC – Dia três

Eis que chega o relato sobre o último dia de viagem do casal pelo Vale Europeu com dicas para quem se empolgou e quer se aventurar no cicloturismo ou até mesmo enfrentar esse mesmo percurso.

Terceiro dia: Palmeiras – Timbó / Timbó – Rodeio

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Café da manhã tomado, câmara remendada e começamos nosso último dia de pedal. Aqui tínhamos mais subidas logo pela manhã, mas a paisagem nos deixava encantados, paredões de pedra ao fundo da barragem, muitas flores, o canto dos pássaros…

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Fomos seguindo em nosso ritmo, até que chegamos numa descida de 2,5km muito íngreme e ao final dela um lindo rio, e uma ponte coberta, com mesas e uma churrasqueira. Bacana! Ali paramos para o nosso almoço-lanche.

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Continuamos nossa rota, o dia ficou nublado, porém ainda quente. Passamos por charmosas casas enxaimel, gente na janela que acenava e percebemos que a cidade começava a se aproximar.

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Chegando no centro de Timbó paramos para ver o mapa e ver como chegar ao Tapyoka, fomos alcançados por dois ciclistas locais que estavam fazendo seu pedal matinal, perguntaram se queríamos ajuda. Como estavam indo para o mesmo local, nos guiaram até lá e foi então que chegamos e brindamos com um delicioso chope artesanal a nossa chegada!!

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Almoçamos lá mesmo (uma massa deliciosa!) e logo depois chegou o Maurício, ciclista que tínhamos conhecido no jantar em Doutro Pedrinho. Ele disse que depois de nos ouvir falar que faríamos dois trechos do Circuito no mesmo dia resolveu fazer o mesmo e antecipar em um dia seu retorno a SP.

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Ainda tínhamos mais 18km até a cidade de Rodeio onde tínhamos deixado nosso carro na primeira pousada, subimos nas magrelas novamente e aceleramos o pedal, pois um temporal se anunciava…

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Chegamos na pousada a tempo, ainda tomamos um refrescante banho e depois seguimos felizes no ar-condicionado até Florianópolis. 😉

Considerações finais:

– Evite ir no alto verão (entre dezembro e fevereiro), mesmo com todo o preparo e planejamento que tínhamos foi muito mais difícil do que se fôssemos em outra data. Evite também a época das festas de outubro, quando as rodovias ficam cheias de turistas, principalmente na parte baixa do circuito.

– faça um bom planejamento de água e alimentação pois são poucos os pontos de reabastecimento no meio dos trajetos.

– Especialmente na parte alta, as montanhas são longas e duras, faça treinos de subida, de preferência usando os alforges, para que as pernas aguentem sem reclamar. Fizemos o dever de casa e sabemos que foi muito útil.

– Se não for com carro de apoio, leve somente o necessário de bagagem (considerando sempre o clima daquela região no período escolhido), o necessário mesmo! Quase levei um livro pra ler e se o tivesse levado acho que deixaria de doação para o primeiro que encontrasse no meio das montanhas!

Resumo:

Resumo

 

Gastar mais de 14.000 calorias em uma viagem não é nada mal hein? rs

Galera, quem quiser entrar em contato com o casal para saber mais pode nos escrever por email, eles estão sempre dispostos a ajudar ou apenas conversar sobre bicicletas e afins. 😉

 

Post publicado originalmente em bikea2.wordpress.com

 

Viajar de bike – Circuito do Vale Europeu em SC – Dia dois

Semana passada falamos sobre viajar de bike e começamos a contar aqui  como foi a primeira viagem de bike feita pela Aline e o Ari, no Vale Europeu aqui em Santa Catarina. E hoje a historia continua, com o relato do segundo dia.

Segundo dia: Doutor Pedrinho – Alto Cedros / Altos Cedros – Palmeiras.

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Nesse dia faríamos dois trechos do Circuito em um dia só, para podermos fechar 3 dias de viagem. Saímos cedo como programado, tomamos nosso café, preparamos mais sanduíches para o dia, pegamos as caramanholas no freezer do hotel, as quais deixamos congelar com água para nos aliviar o calor do dia, e saímos a pedalar…

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A parte da manhã foi muito tranquila, tinham subidas mas pedalamos boa parte na sombra.

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Pouco mais de meio-dia, chegamos em Alto Cedros, uma barragem lindíssima, com muitas casas à beira da água e hortênsias por todo lado.

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Seguimos um pouco mais antes de parar para o almoço, escolhemos uma pequena cachoeira na beira da estrada para sentarmos à sombra e então lanchar. Tínhamos plano de ficar ali por 1 hora descansando, mas logo que terminamos nossos sanduiches pararam 3 carros na beira da estrada e deles desceu uma enorme família com crianças, churrasqueira, cachorro e periquito e perguntam se íamos ficar muito tempo ali porque queriam “acampar”. Como não íamos ficar a tarde toda dissemos que podiam ficar e cedemos o espaço, juntamos nossas coisas, retocamos o filtro solar e seguimos viagem.

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Já passava das 13h quando recomeçamos a pedalar, a temperatura estava alta demais, não havia uma sombra sequer, as subidas não acabavam nunca, a água para beber estava ficando quente, até que achamos uma sombra bem pequena e ficamos sentados ali por uns 20 ou 30 minutos, de onde eu avistava uma casa com uma criança tomando banho de chuveirão na rua, e que inveja que eu fiquei!! Essa tarde foi a parte mais difícil da viagem, onde o calor realmente estava nos castigando.

Em compensação, não nos cansávamos de admirar o visual em nossa volta…

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Mais um pneu furou, o da minha bike. Paramos para trocar a câmara e meus pés doíam muito, inchados pelo calor e esforço. Comecei a ter câimbras, resolvi usar o tênis do Ari tamanho infinitamente maior que meus pés, que por sua vez estava usando sapatilhas e não precisava deles. Algumas vezes precisamos parar e bater nas casas de família pedindo água, pois nosso estoque acabava logo ou esquentava e fomos muito bem recebidos, gente simples, simpática e acolhedora. Sempre nos dando mensagens de incentivo.

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Já víamos a barragem de Palmeiras lá embaixo e numa das curvas com a terra muito seca o Ari escorregou e caiu! Sua primeira queda com as sapatilhas clipadas. Momento tensão: será que quebrou algo? Mas não foi nada grave, apenas joelho ralado. Ufa! Paramos em uma queda d’água onde nos refrescamos mais um pouco, ele lavou o machucado e seguimos até achar a pousada que tínhamos reservado – Casa das Palmeiras. Mais uma vez fomos muito bem recebidos, o simpático casal dono da pousada nos recebeu com duas latinhas de cervejas geladíssimas e um jantar delicioso: massa, galinha caipira, salada, farofa e sobremesas. Comemos muito bem e dormimos uma noite bem mais fresca que a anterior, entrando pela janela do quarto uma brisa que vinha da barragem.

Semana que vem tem o terceiro e último dia dessa trip!

 

Postado originalmente em bikea2.wordpress.com

Viajar de bike – Circuito Vale Europeu em SC – Dia um

Esse mês vai completar um ano que eu e o meu esposo fizemos nossa primeira cicloviagem, onde passamos três dias pedalando pelo interior do estado de Santa Catarina, e sem glamour… Nada de saia, vestidos, maquiagem ou salto alto. Foram muitos quilômetros percorridos com o minimo de bagagem possível e hoje vou contar como foi o viajar de bike no primeiro dia dessa experiência incrível!

Circuito do Vale Europeu é um roteiro de cicloturismo famoso por sua beleza, por ser bem sinalizado e com infraestrutura de hospedagem entre os trechos. O Circuito é dividido em 2 partes – baixa e alta. Recomenda-se reservar 3 dias para pedalar a parte baixa e 4 dias para a parte alta, ambas totalizando 300 km, porém não tínhamos previsão de dispor de 7 dias de folga pelo menos até o início de 2014.

Mas queríamos muito ter essa experiência antes de nos aventurarmos no Uruguai (que já havíamos programado fazer em março de 2014 e contaremos aqui numa outra oportunidade), estudando bem o calendário tivemos a idéia de fazer a parte alta em 3 dias, era o que conseguiríamos folgar entre Natal e Ano Novo. Porque a parte alta? Todos que fazem o Circuito completo diziam que é a parte mais bonita, desafiadora e nós não queríamos perder essa oportunidade!

Não tínhamos muito o que pensar, só era preciso reservar as pousadas e poderíamos não achar vagas. Quando começamos a contar aos amigos ciclistas que faríamos o Circuito neste período de ano, alguns disseram que essa época era muito quente, confesso que eu fiquei com um pouquinho de medo, mas não desistimos.

E assim fizemos, saímos de carro de Florianópolis no dia 25/12/2013 logo após o almoço de Natal, rumo a Timbó com uma forte onda de calor já sobre SC. Quando digo calor, chegamos em Timbó com 38 graus e nenhuma brisa… A previsão era de esquentar mais nos próximos dias (!!!), mesmo assim seguimos firmes em nosso objetivo!

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Chegamos no Tapyoka, restaurante no centro de Timbó que é ponto inicial e final do Circuito, para pegar nossos passaportes (carimbando o passaporte durante o trajeto nas pousadas, no final você recebe o certificado) e rumamos a Rodeio, onde iríamos dormir para no dia seguinte começar nossa jornada.

Nossa reserva era na Pousada Cama & Café Stolf, onde fomos recebidos pela família da D. Irene e o Sr. Dandi,que logo nos encaminharam para um quarto muito aconchegante, silencioso e com o ar condicionado ligado (Ahhhhhhh…. delícia!). Descansamos uns minutos e então saímos para fazer um lanche no centro, queríamos voltar e dormir cedo para no dia seguinte começar com o clima o mais fresco possível. Programamos nosso café da manhã para 6:30h e quando chegamos na cozinha D. Irene já tinha tudo pronto só pra nós, inclusive pães de queijo saindo do forno. Enquanto comíamos fomos trocando informações com o casal dono da pousada. Sr. Dandi disse que devido a longa subida que encararíamos já no começo, era bom não levar muita água na saída (tínhamos cada um uma caramanhola de 750ml e mochilas de hidratação com capacidade de 2 litros cada e mais 2 garrafas extras), que levássemos apenas a quantidade para a subida de 8 km e que chegando no topo teria um bica d’água onde poderíamos nos abastecer com segurança, evitando carregar morro acima um peso desnecessário já no começo. Ótima dica!

Uma das coisas que combinamos antes de sair foi de que não íamos pegar água de qualquer riacho, pois não saberíamos a qualidade da água, muitas vezes vem contaminada com agrotóxicos ou sabe-se mais o quê. Também fizemos sanduíches para lanche no caminho, afinal nosso trajeto não teria restaurante, bar ou lanchonete onde pudéssemos comprar comida e isso é avisado no guia do Circuito.

Bicicletas prontas, alforjes instalados, foto da largada e lá fomos nós, rumo a uma grande aventura, confiantes e cheios de expectativas…

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Primeiro dia: Rodeio – Doutor Pedrinho

O caminho já começa com uma paisagem encantadora, estrada rural, cheiro de mato, muitos pássaros, flores, tudo que a gente gosta! Tudo indicava que teríamos um dia muito prazeroso…

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Logo depois de pouco mais de 1 km começamos a subir, estava nublado e nos animamos, pensando que não faria muito calor. Lá no terceiro km, pneu traseiro da bike do Ari furou! Tiramos os alforjes e começamos a troca da câmara. Logo depois passou um ciclista descendo o morro, parou e gentilmente perguntou se queríamos ajuda e perguntou dos nossos planos, era o dono de uma hospedaria próxima dali. Contou-nos que no dia anterior recebeu um grupo que estava “tentando” fazer o circuito mas haviam desistido por conta do calor, nos desejou boa sorte e seguiu seu caminho. Com tal notícia nos entreolhamos com um pouquinho de receio, mas lógico que não iríamos desistir ali, vamos em frente!

Continuamos a subida e de repente começamos a ver anjos na beira da estrada… São esculturas instaladas e cuidadas por um senhor que mora ali na região, em meio a muitas hortênsias, torna o caminho ainda mais bonito! Chegamos a uma escultura maior, uma imagem do Cristo de braços abertos, onde paramos para mais fotos e seguimos adiante.

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O sol logo apareceu, foi esquentando muito e quando chegamos no topo, a tal bica d’água! Tomamos muita água, nos refrescamos, abastecemos e seguimos. Caminho lindo, paisagens de tirar o fôlego e muito calor! Mas a grande subida do dia estava vencida.

Conforme indicava no guia chegamos a uma bifurcação, entrada para a Cachoeira do Zinco. Eram 8km de ida e mais 8 de volta para chegar lá, trecho opcional do roteiro. Devido o sol já estar fervendo nossa pele decidimos que não iríamos até a Cachoeira, fomos até onde deu para avistá-la (uns 2 km apenas) e logo voltamos para a nossa rota.

Já era quase 13h da tarde quando chegamos à frente da Igreja Enxaimel (única no Brasil), ali encontramos um gramado na sombra de uma árvore, paramos para o nosso “almoço” e um descanso do sol escaldante. Comemos o que tínhamos levado, descansamos por quase uma hora e decidimos voltar para a estrada, afinal ainda tínhamos uns 15 km ou mais pela frente…

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Subidas fortes e com alforjes carregados (levamos o mínimo possível de bagagem, mas morro acima 100 gramas transformam-se em 1 kg!), por duas vezes o Ari deixou a bike dele no topo do morro e desceu para me ajudar a empurrar a minha morro acima… E eis que numa dessas subidas ele para, olha para trás para me esperar e então vê uma placa que estava no sentido contrário com uma seta que indicava: “Piscinas”. Do outro lado da estrada, na indicação da seta, havia um portal de madeira aberto. Nos entreolhamos e não pensamos duas vezes: Vamos entrar pra ver o que é!! Um quilômetro pra dentro e avistamos um pequeno parque aquático!! Aaahhhhh… Sensacional! Pagamos R$20,00 cada e ficamos ali por umas 3 horas na água!!

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Anexo à piscina tinha um bar onde comemos pastéis, tomamos Coca-cola e seguimos por mais 10km até que chegamos ao hotel em Doutor Pedrinho… Felizes!

Já não era surpresa, no hotel não tinha ar-condicionado e a dona nos cedeu um ventilador extra para ajudar a refrescar. Tomamos banho, jantamos na companhia de outro ciclista que fazia o Circuito sozinho, o Maurício de São Paulo. Conversamos sobre os planos para o dia seguinte, nos recolhemos e demoramos pra pegar no sono. Todo o sol que pegamos na piscina nos deixou um pouco queimados e com mais calor ainda para dormir, mas o cansaço venceu…

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Na próxima semana traremos o relato do segundo dia dessa aventura.

E então, ficou com vontade de planejar a sua? 😉

Beijinhos, Aline.

 

Postado originalmente em bikea2.wordpress.com