fonte: google - autor desconhecido

6 Razões para não pedalar na contramão

Quando eu comecei a pedalar, láááá na infância, tinha a convicção de que pedalar na contramão era mais seguro, pois estava vendo tudo o que vinha em minha direção. E até hoje, muita gente pensa assim.

Mas não é!! Além de ser proibido pelo código de trânsito:

“Art.: 58
– nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos das pistas de rolamento, NO MESMO SENTIDO da circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.”

Maaaas, mesmo quando digo isso pra quem defende circular na contramão, me retrucam:

– Mas eu acho muito melhor porque estou vendo e me sinto seguro com isso!!

E esse pensamento está errado, vou citar alguns motivos além da lei, pra convencer você a NÃO circular na contramão:

1 – Os motoristas não irão lhe ver quando estiverem entrando em uma via pelo lado contrário, pois estarão cuidando dos veículos que estão no sentido do trânsito, contrário ao seu;

2 – Os motoristas não irão lhe ver quando abrirem a porta do carro, pois estão cuidando se vêm outro carro olhando no retrovisor;

3 – Os pedestres não irão lhe ver ao atravessarem a rua, pois naturalmente olham para o lado de onde vêm os carros para então atravessarem;

4 – Fica mais difícil desviar de um carro que eventualmente possa vir em sua direção, e o motorista também terá dificuldades para frear e desviar, pois as velocidades estão somadas… Se você estiver no mesmo sentido, o motorista terá mais tempo de frenagem antes de o carro lhe atingir, diminuindo a velocidade e os danos em caso de choque;

5 – A bicicleta é um veículo, portanto deve seguir as leis do Código Brasileiro de Trânsito. Respeitando, você terá muito mais chances de ser respeitado.

6 – E andando no mesmo sentido do trânsito, você naturalmente se sentirá parte dele e verá que fica muito mais simples e seguro!

Abaixo, assista ao vídeo que faz parte de uma campanha do DETRAN do Paraná por um trânsito mais seguro.

😉

Caminho de Santiago de bike – Etapas 13 e 14 – de Portomarín a Pedrouzo

Como as próximas duas etapas são pequenas, resolvi contá-las em apenas um post:

Dia 13 – De Portomarín a Melide

Saímos com um pouco de frio, mas já não era mais tão intenso como nos dias anteriores…

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Curiosidade: na Galícia o idioma se aproxima muito do português…

Mais uma vez, o Caminho era repleto de túneis verdes, formados pelas árvores. Nestes últimos dias, o cheiro de esterco era bastante forte no ar, parece que é comum na região. Muitos cavalos e vacas deixam o rastro pela trilha, vida no campo…

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A ansiedade crescia por estarmos nos aproximando de Santiago, mas cada a km rodado queríamos parar, descansar, contemplar.

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Paramos em Palas de Rei e compramos os itens do picnic do dia. Seguimos até onde achássemos um local agradável para o lanche, até que  chegamos a uma igreja muito antiga que tinha um banco na frente, ali fizemos nossa refeição.

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Igreja medieval na Galícia.

Depois de descansarmos um pouco, continuamos a pedalar  e faltando aproximadamente 5km pra chegar em Melide alcançamos o Carlos (peregrino espanhol veterano, que já fez o Caminho 29 vezes), caminhando firme e rápido, seguia como um trator!!  Queríamos uma foto com ele, mas ele dizia que não podia parar, pois àquela hora estava muito cansado e se parasse não andaria mais. Tiramos uma foto quase na marra! Rsrsrs…

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Carlos, veterano no Caminho.

Chegamos em Melide, passamos em frente A Garnacha e vimos o dono preparando o famoso prato à base de Polvo.

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Preparo do Pulpo a Galega no restaurante Garnacha.

Fomos atrás de um albergue e conseguimos um quarto em um Hostel para dividir apenas com duas jovens canadenses. Foi ótimo, bastante sossego. Depois de um banho, fomos para a praça que ficava na frente do Hostel, e ficamos praticando o nadismo (a arte de fazer nada… ) até a hora de ir jantar, quando fomos na A Garnacha experimentar o Pulpo a La Gallega. E vale muito a pena viu? Pra quem curte frutos do mar é imperdível!!

Depois do jantar passamos numa feira e compramos cerejas para comermos enquanto caminhávamos pelas ruas, até chegar no Hostel e finalmente descansarmos nossos esqueletos…

Dia 14 – De Melide a Pedrouzo

Mais um dia praticamente plano, e quanto mais nos aproximávamos de Santiago, mais crescia a ansiedade de chegar logo! Mas nos mantivemos na nossa de decisão de chegar somente no domingo, dia 24/05 que coincidentemente era meu aniversário! Rsrsrs… Essa viagem fez com que eu não tivesse inferno astral, ou qualquer mimimi pré-aniversário. Foi tudo muito diferente e sem dúvida o melhor aniversário da vida! Mas calma, ainda não chegamos, estamos no nosso caminho, em meio às árvores, aquela calmaria e de repente: vacas meio do caminho!

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O dono as guiava para atravessarem o caminho para onde estava seu terreno. Ficamos ali parados, esperando todas passarem na maior tranquilidade… Trânsito liberado, seguimos em frente!

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O dia foi curto, logo chegamos a Pedrouzo e achamos um ótimo albergue para nos hospedarmos. Lavamos nossas roupas e as colocamos no sol, saímos para passear e comprar mantimentos para preparar uma refeição. Comemos pães, ovos, salada e até batata frita.

O albergue tinha mesas ao ar livre para fazermos nossas refeições, onde ficamos por um  bom tempo  tomando cerveja e conversando sobre coisas que vimos até chegar ali… Havia uma mesa de pebolim, que uniu duas espanholas, uma holandesa e uma alemã, num torneio que rendeu muitos gritos e risadas… E nós ríamos junto, contagiados pela alegria delas e pela quantidade de cerveja ingerida.

Anoiteceu e fomos dormir pensando em como seria o dia seguinte…

Acompanhe essa história desde o início clicando aqui.

Caminho de Santiago de bike – etapas 8 e 9 – de Sahagun a Rabanal del Camino

Hoje teremos duas etapas em um post só! Vejam como continuou a aventura de Aline e Ari no Caminho de Santiago de Compostela de bike:

Dia 8 – De Sahagun a Leon

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Arco de San Benito em Sahagun.

Mais um dia de muito frio, hoje nosso dia era de apenas 54km e poucas subidas, fomos bem tranquilos e por um tempo foi até um pouco monótono, mesma paisagem por muito tempo.

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Trajeto tranquilo, sem subidas…

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Um bom trecho com a mesma paisagem…

Chegamos em nosso destino ainda antes do almoço!

Caminho de Santiago de bike

Já bem perto de León.

Já havia esquentado bastante em Leon, almoçamos um menu do peregrino no próprio alberque que é de uma congregação de freiras beneditinas e onde há também um hotel de luxo.

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Albergue Santa Maria de Carbajal, cuidado por freiras beneditinas.

Depois do farto almoço saímos a passear na cidade, era domingo, a cidade de León, uma das maiores do nosso percurso. Estava lotada, bares abertos com mesas nas ruas, os peregrinos se misturavam ao povo da cidade passeando por entre as ruas com o sol a todo vapor.

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A alegria pairava no ar. Caminhamos bastante, passamos por uma apresentação de idosos dançando com castanholas, uma festa!  Sentamos em frente ao prédio do famoso Gaudí, ficamos debaixo de uma árvore, observando, descansando, tomando sorvete e respirando o ar espanhol…

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Obra do famoso Gaudí.

Ao cair da tarde, procuramos um local para comer uma paella, queríamos comer num restaurante daqueles com mesa na rua, para apreciar o movimento enquanto comíamos e fomos enganados na maior cara de pau: a minha paella tinha um camarão e um anel de lula, e a do Ari que era mista tinha uma coxinha de asa de frango além do que tinha na minha. Aff!!! Depois dessa fomos para o albergue, assistimos a missa cantada pelas freiras e nos recolhemos para aquela que seria a noite mais mal dormida da viagem…

Dia 9 – De Leon a Rabanal Del Camino

A noite foi difícil, o albergue era enorme, basicamente um salão, pé direito baixo e apesar de lá fora fazer frio, a quantidade de pessoas dormindo, respirando e emitindo gases no mesmo cômodo fez com que a temperatura ficasse bastante alta. Muitos ruídos de gente entrando e saindo pra ir ao banheiro, muitos roncadores competindo o nível de decibéis, os tampões não funcionaram muito bem… Eram 5:30h da manhã ainda e eu não conseguia mais ficar ali. Olhei pra cama de baixo, o Ari também estava acordado e incomodado. Resolvemos levantar e partir no escuro mesmo…  Com um pouco de dificuldade conseguimos sair do centro da cidade, e percebemos que a nossa alegria era mesmo estar em cima de nossas bikes e pedalando!

A luz do dia foi se abrindo e nós logo chegamos na frente do Hotel Parador de Espanha, um prédio muito lindo e imponente, hotel luxuoso do Caminho… Paramos pra tirar uma foto, a qual não saiu muito boa por conta da pouca luz… :-/

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Hotel Parador de Espanha.

Nós logo fomos ultrapassando os primeiros caminhantes do trecho, chegamos numa parte onde estávamos só nós dois, ninguém a vista para frente ou para trás… resolvemos fazer algo pra divertir, paramos para uma foto (ou várias) com salto ornamental, mas nem tanto… rsrsrs..

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Seguimos um pouco mais e chegamos a Astorga, mais uma importante cidade do Caminho. Ao lado da catedral de Astorga, fica a Casa Episcopal – que hoje é um museu – outra obra de Gaudí, linda construção e que impressiona por seus detalhes. E entramos  no pátio para uma foto.

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Chegando a Astorga.

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Casa Episcopal

Fizemos nosso já tradicional picnic numa pequena praça de Astorga, observados por alguns idosos que faziam seu passeio da tarde. Descansamos e continuamos nossa jornada, afinal o nosso destino do dia era Rabanal Del Camino.

Depois de sairmos de Astorga, entramos num trecho bastante deserto, passamos por poucos peregrinos, talvez pelo horário, já estivessem em seus destinos. Logo começou um vento contra, que me deixou de muito mal-humor e sem energia. Os últimos 10km de um leve sobe e desce que mais pareciam 30! Até que chegamos, ufa!!

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Cruzes no caminho.

Achamos o Albergue municipal, uma casa medieval (assim como todo o povoado), com paredes de pedra muito grossas, poucas camas e uma placa na entrada que dizia para entrarmos, escolhermos nossas camas e que mais tarde uma hospitaleira viria nos cobrar e se apresentar. Assim fizemos, tomamos banho, lavamos nossas roupas, lavamos as bikes e saímos pra comprar algo para beber e comer.

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Albergue municipal de Rabanal del Camino.

Voltamos para o albergue, que tinha um quintal arborizado onde batia um sol gostoso, sentamos numa das mesas para comer batatinhas e beber cerveja enquanto atualizávamos redes sociais e falávamos com a família.

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Quintal do albergue.

Logo entrou no quintal um padre muito jovem, estatura enorme, direcionou-se a mim, me perguntou se gostaríamos de assistir a missa em latin que aconteceria as 19h, na igreja da cidade. Eu prontamente disse que sim, e confirmei que estaríamos lá. O padre é alemão e estava a trabalho naquela comunidade a 3 meses, perguntou de onde éramos, disse que já percorreu o caminho e que agora estava prestando serviço ali.

Fomos a missa conforme prometido, a igreja é de uma simplicidade cativante, pequena e impressiona por se tratar de uma construção muito antiga. Estava com quase todos os bancos ocupados, e logo depois que chegamos, mais peregrinos se acumulavam de pé nos cantos da igreja para assistir a missa em latin. E foi lindo, abençoado momento!

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Igreja de Rabanal del Camino.

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Interior da igreja.

Depois da missa passamos no mercadinho, compramos mantimentos e fomos cozinhar no albergue: massa com hambúrguer (sentíamos falta da carne bovina). Outros peregrinos também cozinhavam, era comum. Jantamos e nos recolhemos. Rabanal Del Camino já fica numa região de mais altitude e muito frio, e naquele dia tive que puxar um cobertor para me cobrir por cima do saco de dormir… brrrr

Continua…

Se este foi o primeiro artigo que achou, clique aqui e acompanhe desde o começo os relatos dessa lindíssima viagem pelo Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta.

 

Caminho de Santiago de bike – Etapa 6 – De Burgos a Frómista

Oi gente!!

Pedimos desculpas pelo sumiço, mas fim de ano é aquele apuro, e depois do Natal precisamos de uns dias de descanso total!

Agora, voltamos com a continuação dos relatos sobre o Caminho de Santiago de bike e tentaremos colocar mais posts por semana para compensar ok?

Então continuando de onde paramos, vejam como foi o sexto dia de pedal na maravilhosa Espanha:

Acordamos com uma música ambiente tocando, Marie Noelle nos preparou um café especial que nos deu ainda mais ânimo para enfrentar o dia que iniciava. Deixamos aquele lugar com a certeza de que não poderíamos ter melhor hospedagem em Burgos, foi uma delícia!

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No albergue, com Marie Noelle antes de sairmos pela manhã.

A saída de Burgos me deixou ainda mais apaixonada pela cidade, as ciclovias, os passeios, a organização, um encanto!

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As torres da catedral de Burgos ao fundo… Apaixonante!

Logo chegamos num trecho com várias montanhas que pareciam desenhadas, de tão lindas…

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Paisagens pintadas à mão…

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E lá no fim dessa estrada, a cidade de Hornillos del Camino.

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Paradinha pra mais um café no bar!

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As papoulas contornando todos o caminho…

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Ruínas do Convento San Antón.

Passamos por Hornillos Del Camino, Convento San Antón e então chegamos num  trecho todo ladeado por lindas árvores, e no fim deste trecho avistamos a cidade de Castrojeriz.

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Um belo trecho do Caminho, contornado por ávores…

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e depois das árvores, avistamos a cidade de Castrojeriz, com seu castelo no topo da montanha.

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Mais um brinde!

Ali almoçamos um bocadillo com vinho e coca-cola, de olho na montanha que teríamos que escalar em seguida. Eram 140 metros de desnível em 1km de estrada de chão!

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E depois do almoço, uma subida de respeito!

E foi uma subida difícil, mas curta e que valeu cada pedalada até ali, a vista lá de cima é incrível!!

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A placa indica a inclinação, muita calma nessa hora… De passito!!

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Chegando ao alto, olhando para trás observamos o que deixamos. A cidade de Castrojeriz ficou pequenininha…

A descida também não passou despercebida, 18% de inclinação em 350 metros, nos levou a descer com muita cautela e ao mesmo tempo sentindo a adrenalina…

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Foto tirada por uma pereregrina Dinamarquesa.

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Incrível a vista enquanto descíamos com cautela…

A pedalada da tarde foi muito tranquila e depois de atravessarmos o canal de Frómista, chegamos no destino daquele dia.

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Minha vontade era de mergulhar nessas papoulas! <3

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Seguindo…

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Atravessando o canal de Frómista.

Achamos o albergue municipal, e por pouco não ficamos de fora na lotação! Lavamos nossas roupas e bikes no pátio que havia no albergue e saímos para jantar um menu do peregrino servido no restaurante ao lado. Boa massa, vinho e um filé com batatas…

Depois disso sentamos na praça em frente ao albergue (Frómista é minúscula), para conversar e apreciar o movimento comendo chocolate com amêndoas.

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Igreja de Frómista, ficava em frente ao nosso albergue.

Com o anoitecer,  precisávamos carregar os celulares e Garmin, e isso só era possível no refeitório do albergue. Sentamos por ali para esperar os aparelhos carregarem e logo conhecemos dois peregrinos brasileiros, um mineiro e uma paulista. O nome dele infelizmente não me lembro, o nome dela: Beatriz Siegel. Ficamos então conversando até a hospitaleira nos mandar ir dormir, pois depois das 22h tem que se respeitar a regra!

Continua…

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 5 – De Belorado a Burgos.

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Muito ânimo para chegar a Burgos nesse dia!

Amanheceu o quinto dia no Caminho de Santiago, levantamos, tomamos nosso café junto com nossos amigos espanhóis e saímos todos juntos em direção a Burgos. O dia já estava mais frio do que os anteriores. A pedalada foi animada, Tony é um cara muito bem humorado e logo apelidou eu e Ari de “Pepa e Pepe”. Motivo: ele não conseguia lembrar e nem pronunciar nossos nomes e simplificou assim.

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Faltando 43km para Burgos…

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Alto da Pedraja.

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Um lindo “corredor” de árvores…

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Vencendo uma pequena, mas íngreme subida. PS: aquele peregrino ali de preto, me ajudou a empurrar a bike morro acima… :-)

Neste dia tivemos uma grande subida, chama-se Alto da Pedraja e nós fomos vencendo-a pouco a pouco, junto a muitos peregrinos…Depois da primeira hora pedalando fizemos uma parada para um café, e próximo das 11h um lanche. Sempre juntos.

Caminho de Santiago de Bike

Primeira parada para um café.

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Segunda parada para um lanche…. Sim, precisamos sempre abastecer!!

Sentimos que éramos uma equipe já, mas conforme íamos nos aproximando, sabíamos que iríamos nos separar.

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Antes de chegar a Burgos, pedalávamos pelo caminho ao lado de uma rodovia, e logo se aproximou de nós um ciclista que estava a passear por ali. O nome dele: Miguel. Puxou papo conosco e se ofereceu para nos guiar até a catedral, pois disse que conhecia um caminho mais agradável do que aquele que estávamos seguindo. E nós logo o identificamos como mais um daqueles “anjos do caminho”. Miguel é  um querido, nos deixou bem pertinho da catedral, e nos indicou um ótimo local para beber e comer a famosa “ morcilla de Burgos”.

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Com Miguel, nosso anjo do dia, próximo a Burgos…

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Chegando no centro de Burgos!

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Porta de Santa Maria.

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Porta de Santa Maria

Atravessamos a porta de Santa Maria e meus olhos se encheram de lágrimas ao ver a lindíssima catedral! Emocionante!! Alguns segundos paralisada observando, e então um passeio para admirar tudo em volta. Que demais, que cidade linda!! Carimbamos nossa credencial ali na catedral e seguimos para o bar onde brindaríamos o término de mais uma etapa.

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A magnífica Catedral!

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Pinchos com Morcilla de Burgos e pimentão vermelho… Uma delícia!

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Brindando mais uma etapa vencida!

Nos despedimos dos nossos queridos amigos, afinal Tony também não ficou em Burgos, seguiu pedalando pois pretendia chegar em Santiago dois dias antes de nós. Ficamos tristes em nos separarmos, mas como na vida, cada um precisa seguir seu caminho, e fomos então procurar um albergue para pernoitar na cidade. Primeira opção do guia: lotado. Segunda opção do guia: lotado. Terceira opção do guia: um camping – não dava. Quarta opção do guia:uma casa de Emaús a 1,5km do centro. Como queríamos muito dormir em Burgos, fomos até a Casa de Emaús pra ver se tinha vaga, afinal 1,5km pra quem está de bike não é nada… Chegando lá, a porta estava fechada e uma placa dizia pra tocar a campainha, fomos atendidos por uma freira francesa chamada Marie Noelle, hospitaleira do albergue, falando baixinho e de forma muito gentil ela nos disse que se quiséssemos ficar ali, tinhamos que assistir a missa das 19:30h na igreja e logo após participar da ceia compartilhada que ela mesma prepararia. Depois disso teríamos que nos recolher, pois  fecham as portas às 20h. Aceitamos, e ao entrar foi uma grata surpresa, era praticamente um hotel de luxo! Com 4 quartos bem limpos e equipados com beliches e banheiros impecáveis!! Ela acomodou nós dois sozinhos num quarto, já que naquela noite tinham somente mais um grupo de 3 franceses, 1 moça canadense e 1 rapaz italiano. Apesar de não ter sobrado muito tempo pra passear pela cidade, essa hospedagem foi incrível!! Tomamos nosso banho rapidinho, lavamos as roupas e saímos de bicicleta em direção ao centro de Burgos.

Caminho de Santiago de Bike

Caminho de Santiago de Bike

Muito amor por essas árvores! <3

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Circulamos um pouco, depois sentamos na Plaza Mayor e ficamos apreciando o que acontecia por ali tomando um bom vinho e beliscando queijo, pão e morcilla de Burgos…

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Antes das 19:30h estávamos na igreja para a missa e recebemos cada um a benção do padre para continuar nossa jornada. Depois da missa, conforme combinado, Marie nos serviu um jantar delicioso, salada com muito queijo brie e uma sopa de lentilhas. Durante a ceia conversamos bastante, como sempre muitas histórias de cada peregrino com sua dose de emoção e depois  de receber mais uma palavra do Padre, fomos repousar em nossas camas espaçosas e silenciosas!! Zzzzzz….

Continua…

 

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 4 – de Navarrete a Belorado

Mais um dia começa, e o 4º dia de pedal pelo Caminho de Santiago de bike sai de Navarrete com um lindo sol, com a promessa de mais um dia incrível. Passamos por muitos campos de trigo, com uma estrada de chão que desenhava nosso trajeto à frente em meio à  todo aquele verde.

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Muitas formas de percorrer o Caminho…

Caminho de Santiago de bike

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Mais um dia de muito calor, hoje tínhamos poucas subidas, mas fizemos várias paradas nas fontes para pegar água.

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Parada em uma das abençoadas fontes…

Ainda não era meio dia quando chegamos no nosso destino para almoço: Santo Domingo de La Calzada. Mais uma cidade importante do Caminho e chegando lá percebemos que era um dia de festividade, as famílias na rua,  muitos restaurantes com mesas na rua e logo escolhemos um para apreciarmos uma paella.

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Catedral de Santo Domingo de la Calzada

Almoçamos e fomos passear pela cidade, visitamos a catedral e  ainda participamos de uma degustação de lingüiça com pão que acontecia na praça por conta da festa regada a uma tacinha de vinho. Afinal, diz um ditado que “De pan e vino se faz El Camino!”

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Nas praças, a disputa por um banquinho é grande…

Continuamos dando uma circulada pelas ruazinhas da cidade, e quem encontramos? Katia e Mariano (o casal que cohecemos no inicio da jornada)! Foi aí que nos aproximamos e descobrimos que eram pai e filha, espanhóis, moram em cidades diferentes (Ele em Guadalajara e ela em Bilbao) e resolveram fazer uma parte do caminho este ano. Sim, muitos espanhóis fazem isso, fazem um trecho, no ano seguinte mais um trecho, até que completam… Eles nos disseram que iriam somente até Burgos e de lá cada um seguiria para sua cidade. Tiramos foto com eles na frente da Catedral, nos despedimos e tínhamos certeza que cada dupla seguiria seu Caminho, talvez cruzando em mais algum ponto lá na frente, mas mais tarde descobrimos que não seria bem assim…

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Com nossos amigos ciclistas espanhóis Katia e Mariano.

Depois de visitar algumas lojinhas, comemos algumas cerejas (de novo :-D) e então resolvemos partir.

Caminho de Santiago de bike

Ainda não tínhamos decidido onde terminaríamos o dia, já tínhamos percebido que apesar de termos antecipadamente planejado as etapas, agora o Caminho já nos guiava e não tínhamos mais nada rigidamente programado, fomos deixando a viagem fluir… Pensamos em parar embaixo de alguma árvore já saindo de Santo Domingo, estávamos adiantados e pensamos que seria bom uns minutos de preguiça, mas não achávamos nenhum local que fosse atrativo para encostar as bikes e ficar na sombra, além disso um vento contra nos dizia que devíamos continuar pedalando porque a moleza do dia tinha acabado. À frente, uns 500 metros talvez, avistamos Katia e Mariano também enfrentando o vento bravamente, e próximo deles mais um ciclista que não tínhamos visto ainda até ali. Aos poucos fomos alcançando-os e logo estávamos os cinco formando um pelotão na guerra contra o vento, seguimos assim juntos até o próximo povoado, onde paramos numa fonte para beber água, descansar e de quebra bater um papo. O outro ciclista se chama Tony, espanhol também, de Écija. Logo estávamos os cinco na maior prosa e dando risadas…

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Minutos de prosa e risadas com Katia, Mariano e o novo amigo Tony, também espanhol.

Seguimos juntos a partir dali, e combinamos que caso acontecesse de alguém ficar para trás, nos encontraríamos no povoado de Belorado, no primeiro albergue da cidade.

Caminho de Santiago de bike

Caminho de Santiago de bike

Entrando na Provincia de Burgos.

Eu e o Ari acabamos em um momento avançando muito à frente e nos separamos deles, mas sabíamos do combinado e assim fizemos, chegando em Belorado ficamos no primeiro albergue esperando nossos novos amigos, e eles chegaram! Nos hospedamos todos no mesmo quarto com outros três peregrinos, depois de cada um tomar seu banho, dividimos a máquina de lavar roupas e sentamos no bar do albergue para contar mais sobre nossas vidas e beber umas Cañas (cervejas). Parecíamos velhos amigos, jantamos juntos e quando as risadas deram lugar aos bocejos fomos todos dormir felizes por mais uma etapa concluída…

Continua…

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😀

Caminho de Santiago de bicicleta – Etapa 2 – De Pamplona a Estella

Eis que começa o terceiro dia da viagem no Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta, segue mais uma etapa percorrida:

Mais uma vez estávamos entre os últimos a saírem do albergue, fazia frio, algo em torno de 12 graus.

Caminho de Santiago de Compostela

Saída do albergue.

Fomos buscando as setas até encontrarmos um café para o “desayuno”. As bikes ficaram do lado de fora, café com leite, pão com manteiga na chapa e suco de laranja. Seguimos adiante, era o dia de encarar a subida para o Alto Del Perdón, sabíamos que havia um desvio por asfalto para bicicletas, mas queríamos seguir ao máximo o verdadeiro “caminho dos peregrinos”.

Caminho de Santiago de Compostela

Pelas ruas de Pamplona.

Logo que deixamos Pamplona, passamos por Cizur Menor, um povoado que parecia um condomínio, com casas muito bonitas, modernas e com ruas pavimentadas. Logo depois, entramos numa trilha, a qual seguia em direção a uma montanha tomada por geradores eólicos: é pra lá que vamos!

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Mal entramos nessa trilha e avistamos, no sentido contrário, um senhor caminhando, que quando nos viu acenou para pararmos e perguntou por onde pretendíamos passar. Respondemos que iríamos “por camino” e ele prontamente nos disse: “não!”. “Não vão por aí, porque irão sofrer muito, a trilha é muito ruim, pedras soltas, muitos peregrinos. Há um desvio por carretera (asfalto) com pouco trânsito.” E nos deu as coordenadas.
Nosso guia também tinha esse desvio como opcional, mas tínhamos como objetivo fazer a maior parte pelo caminho, porém sem sofrer desnecessariamente!

Caminho de Santiago de Compostela

Parada para tirar os casacos e fazer uma foto na frente de um monte de fardos (eles estão em vários trechos por onde passamos)…

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Foto na frente da imagem de fundo de tela do Windows…

Caminho de Santiago de Compostela

Seguimos a dica do nosso “anjo” do dia e fomos até onde ele indicou pela trilha, subindo e com bastante calor já, até chegar no povoado de Zariquiegui onde ficava a saída para o desvio e por onde observamos que outros ciclistas também iam seguindo.

Caminho de Santiago de Compostela

Descemos um bom pedaço e logo chegamos no asfalto para novamente subir! A estrada estava praticamente deserta e seguimos com tranquilidade até o monumento Alto Del Perdón.

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Lá paramos, tiramos muitas fotos, afinal, é um dos marcos importantes do caminho. Depois sentamos num gramado para comer uma maçã e observar aquela paisagem incrível! Que paz, que felicidade…

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Eufóricos por estarmos ali…

Caminho de Santiago de Compostela

Monumento no Alto del Perdón.

Momento descanso encerrado, hora de descer! Uma guia turística nos chama e pergunta se vamos descer pela trilha, disse que é muito complicado descer com bike carregada por ali, outros amigos também já haviam alertado, além do nosso guia espanhol.  Seguimos então pela carretera, e mais à frente passamos pelo Ivan, nosso amigo paulista que fazia o Caminho a pé e estava no mesmo albergue nós na noite anterior.

O Ivan filmou todo o percurso dele e aqui está o vídeo do momento em que passamos por ele, aparecemos a partir do minuto 2:21:

Dali, logo pegamos um desvio recomendado pelo guia, que nos levou à Ermita de Santa Maria de Eunate, construída no Século XII. Estava fechada, como muitas igrejas que passamos em toda a viagem, mas valeu a visita pra conhecê-la ao menos por fora, belíssima.

Caminho de Santiago de Compostela

Ermita Santa Maria de Eunate.

Seguimos nossa rota e chegamos a Puente La Reina onde prevíamos almoçar, encontramos um restaurante com Menu Peregrino e ali comemos muito bem, acompanhados de uma taça de vinho, afinal fazíamos “poco a poco” nosso Caminho…

E depois do farto (e gordo) almoço, sentimos que precisávamos esperar para seguir pedalando, paramos em frente a famosa ponte antiga, e que dá nome à cidade, sentamos na sombra de uma árvore, descansamos e até cochilamos um pouco. Depois disso, decidimos que não mais almoçaríamos assim,  faríamos apenas lanches e jantaríamos bem no fim do dia.

Caminho de Santiago de Compostela

Já eram 15h quando resolvemos seguir, o sol ainda estava forte, colocamos nossas camisetas de manga longa para proteger a pele e lá fomos em direção a Estella, nosso destino daquele dia. Logo na saída de Puente La Reina, subidaaaaa…. Toda asfaltada, era uma estrada secundária e o calor maltratou-nos um pouco. Subida vencida, encontramos uma fonte para abastecer as caramanholas e a água saía geladinha! Outros peregrinos também pararam ali, havia uma grande sombra, mas nós só bebemos água e fomos em frente. Voltamos para a estrada de chão, muitas subidas e descidas, em um trecho havia uma escada, e no fim dela um buraco gigante com degraus em desnível muito alto, precisamos atravessar as bikes carregadas uma de cada vez, assim nos ajudamos.

Caminho de Santiago de Compostela

Mais um bom pouco de trilha e meu câmbio desregulou… Na marcha mais leve ele batia no pneu e eu precisava fazer mais força para subir, além de fazer um barulho chato, e eu logo reclamei que precisaríamos arrumar. O Ari resistiu, disse que era arriscado mexer, mas eu sabendo dos desafios que estavam por vir, insisti e segui resmungando com meu cambio desregulado mesmo… Lá pelas 16h chegávamos em Cirauqui, um vilarejo que fica no topo de uma colina, comentamos entre nós: ah, uma coca-cola agora seria bom né? Não somos tomadores do líquido no dia-a-dia, mas nestes pedais longos a gente acaba vez em quando se rendendo. Chegando na cidade, vimos um outro ciclista já no alto enquanto subíamos a ladeira o Ari gritou: Ei!! Por aí tem Coca-Cola? Um bar para uma Coca-cola? E o homem gritou: Sí!!! E seguiu o caminho dele. Subimos bem empolgados e chegando lá, não havia nada, nem bar, nem uma viva alma na cidade ou máquina de refrigerante. Lá na Espanha se faz a siesta das 14h às 17h e fecha tudo, tudo mesmo!! Concluímos que o outro ciclista não entendeu o que o Ari falou… Ok, continuamos pedalando e pensando na Coca-cola…

Caminho de Santiago de Compostela

Pensando na Coca-cola…

Mais à frente, voltamos a encontrar o tal ciclista, que depois descobrimos ser espanhol e dessa vez quando nos viu gritou acenando: Coca-cola!! E depois em outras vezes que nos cruzamos ele repetia: Coca-cola!! Caímos na risada, achamos que ele entendeu como um cumprimento, ou nos apelidou assim… Chegamos em Estella bastante cansados, já passava das 17h e o primeiro albergue que procuramos estava cheio, o segundo também cheio, mas nos deram a dica de um albergue novo, e indicaram como chegar. Como eu era quem tinha entrado no albergue e recebido as informações, dei a direção de para onde pedalaríamos, e fomos seguindo por uma carretera que parecia sair da cidade. Depois de uns 4km percebemos que estávamos indo para o lado contrário! Aff!! O Ari que já estava meio nervoso pela falta de pouso, ficou ainda mais nervoso com meu feito . Voltamos tudo na maior velocidade que eu consegui…  Eu também fiquei bastante nervosa, pedalava quase chorando, com toda força, afinal se não conseguíssemos ficar neste albergue talvez tivéssemos que seguir para a próxima cidade que era bem menor e o horário já não era favorável pra conseguir algo lá também. Até que achamos o tal albergue, o Ari entrou para ver se tinham vaga e eu fiquei na rua, sentei numa calçada e chorei, esgotada do cansaço e já com medo de não conseguir seguir até o fim da viagem… De repente saem de dentro do albergue Mariano e Katia, pai e filha espanhóis, que encontramos lá no começo em Ronscesvalles. Quando me viram vieram falar comigo, disseram que o dia pra eles também tinha sido sofrido, com o calor e a altimetria, mas que aquele albergue era muito bom e que eu teria um bom descanso. Logo me acalmei e o Ari voltou dizendo que tinha conseguido um quarto  privado pra nós com banheiro e tudo, um luxo! Claro que saiu mais caro que um albergue como o que vínhamos ficando, mas logo pensei: tudo tem uma razão e talvez essa tensão no fim do dia tenha acontecido para que tivéssemos essa noite de conforto. Agradeci ao meu querido por esse carinho… Conseguimos lavar nossas roupas que estavam acumuladas do dia anterior, bebemos umas cervejas com jamón, e depois tivemos um ótimo jantar no próprio albergue, onde conhecemos algumas brasileiras e tivemos mais um agradável fim de noite. Nem preciso dizer que foi uma noite muuuuito bem dormida… 😀

Caminho de Santiago de Compostela

Igreja na chegada em Estella.

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Caminho de Santiago de bicicleta – Etapa 1 – De Roncesvalles a Pamplona

Enfim chegou nosso primeiro dia de pedal, agora era oficial, iríamos começar o Caminho de Santiago de Compostela… Como a luz do dia começava a aparecer por volta das 7h, nós não tínhamos nenhuma intenção de sair antes disso, não levamos faróis e sair no escuro de bicicleta torna-se  arriscado, além de não vermos nada das paisagens. Portanto, ao sermos acordados às 6h, começamos a nos arrumar calmamente e fomos uns dos últimos a deixar o albergue.

Caminho de Santigo de Compostela

Fomos ao mesmo restaurante em que jantamos na noite anterior, tomamos café com tostadas, geléia e  suco de laranja. Fotos da saída e finalmente entraríamos no Caminho!

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Já fazia sol, temperatura agradável, paramos na tradicional placa que indica a quantidade de kms para chegar em Santiago, um casal também de bicicleta se aproximou (mais tarde descobrimos que eram pai e filha) e aproveitamos para tirar foto deles e eles de nós.

Caminho de Santigo de Compostela

Agora sim, vamos ao Caminho…  Era uma trilha com leve declive por dentro de um bosque bem fechado, muito verde e fazia muito frio, mas eu não conseguia parar de olhar em volta e agradecer ao universo por me trazer até ali.

Caminho de Santigo de Compostela

Logo paramos para vestir mais roupas, colocar luvas e proteger o pescoço. Em pouco mais de 3km chegamos a Burguete, cidadezinha simpática, muito limpa, organizada e charmosa, mas sem ninguém na rua além de peregrinos.

Caminho de Santigo de Compostela

Quase na saída da cidade, nos deparamos com uma procissão, que vinha no sentido contrário, achamos um pouco esquisita, homens com capuzes pretos, cruzes grandes apoiadas nos ombros e gritando algo que não entendemos, seguidos pela comunidade. Até hoje não conseguimos descobrir do que se tratava, mas com certeza era alguma comemoração. As cidades são na maioria muito pequenas, em menos de 10 minutos estávamos saindo de Burguete e logo começamos a subir uma montanha, hora passávamos pelo Caminho ( a trilha original onde os caminhantes seguem) hora pela carretera, estrada de asfalto que desviava do percurso original, mas que seguia sempre paralelamente.

Caminho de Santigo de Compostela

Costumávamos usar a carretera em momentos onde o trecho original do caminho era complicado para passar com as bicicletas, para isso usamos um guia comprado na Espanha mesmo, próprio para fazer o caminho  pedalando e que indica esses trechos  “impedaláveis”, dando todo o percurso do desvio.

Avistamos um café-bar (são vários durante todo o Caminho) e paramos para o segundo café do dia. Os cafés de todo o percurso são deliciosos e uma média custa aproximadamente 1,10/1,20 euros.

Caminho de Santigo de Compostela

Continuamos pedalando por mais trechos de asfalto e algumas trilhas, começou a esquentar e logo fomos tirando os casacos. Passamos vários trechos assim, sempre muito agradável e onde havia movimento de carros, o respeito da distância dos ciclistas era visível.

Caminho de Santigo de Compostela

Caminho de Santigo de Compostela

Depois de um difícil trecho de trilha, por pedras soltas, chegamos  ao Alto do Erro. Ali paramos para comer uma maçã que levávamos no alforje, perto de um pequeno trailer que funcionava como lanchonete. Lá outros ciclistas da região faziam um lanche e como ali era mais um trecho onde dava pra seguir pela carretera, fomos informados que seria mais tranquilo seguir pelo asfalto, não era o nosso plano, mas resolvemos seguir o conselho e fomos presenteados com um longo declive em asfalto lisinho e quase sem trânsito. 😀

Caminho de Santigo de Compostela

Passamos  rapidamente por Zubiri, seguindo sempre pela carretera, ali a circulação de carros era maior e como queríamos mais paisagens do que estrada, logo decidimos voltar para o Caminho, fomos entrando então num passeio/ciclovia, que passava ao lado de um rio muito bonito. Muitas famílias fazendo picnic, churrasco embaixo de árvores e aproveitando o domingo. Uma delícia! E nós só sentindo o cheiro  do churrasco!

Caminho de Santigo de Compostela

Chegamos a Pamplona por dentro de um parque, também cheio de gente aproveitando, passeando e seguindo as placas logo estávamos na entrada da cidade antiga. Já passava do meio dia e nosso primeiro desejo era almoçar e depois seguir até a próxima cidade que ficava a 4 km dali.
Caminhamos pelas pequenas ruas procurando restaurante e bem na frente da praça onde acontece a famosa Festa de San Firmino. O dono de um restaurante que tinha mesas ao ar livre na praça nos abordou e ofereceu seu cardápio, ali começou uma intensa negociação, pois nós achamos que ele queria nos enrolar, foi baixando o valor do prato individual mas tínhamos que comer dentro do restaurante. Como não queríamos deixar as bicicletas com bagagem na rua, mas também não queríamos desmontar tudo pra entrar no restaurante, íamos desistir e procurar outro lugar. Mas ele não se contentou, ficou cuidando das bicicletas pra nós, enquanto comemos um prato muito bem servido, com filé, salada, fritas e ovos.
Satisfeitos, resolvemos dar uma circulada pela cidade e logo resolvemos que não seguiríamos mais naquele dia, decidimos dormir em Pamplona. Procuramos um albergue, achamos o Jesus e Maria e nos instalamos. Depois de um bom banho tomado, saímos pra caminhar, conhecer um pouco da cidade.
Fomos até a Plaza Mayor, tomamos um sorvete e ficamos lá na grama, observando o movimento e ouvindo um músico tocando violino. Para o jantar, compramos num mercadinho pão, jamón (presunto cru muito popular na Espanha e delicioso!), queijo, vinho e jantamos na cozinha do albergue mesmo, ao lado de um casal alemão, que estava caminhando pela região á 4 meses já.  No mesmo albergue que nós, estava hospedado o Ivan Silverio, paulista que conhecemos através do grupo Caminho de Santiago no facebook e logo nos encontramos e passamos um agradável fim de tarde junto dele e  de mais duas brasileiras, a Cristina e a Luciana.

Caminho de Santigo de CompostelaNa hora de dormir, foi mais uma sinfonia de roncadores, mas os tampões no ouvido e um relaxante muscular me fizeram dormir bem…

Continua no próximo post…

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Camisetas para quem curte bicicletas – Novas estampas

Quem nos acompanha há algum tempo, ou já entrou na nossa loja virtual,  já deve ter visto aqui no blog que fizemos camisetas para quem curte bicicletas em Floripa, quem não conhece ainda pode ver nesse link. As camisetas “Eu Pedalo Floripa” são um sucesso, quem gosta mesmo de bike, quer mostrar isso até mesmo quando não está em cima de uma, certo?
Pensando nisso criamos novas estampas e modelos de camisetas para quem curte bicicletas! Desta vez, além da estampa, trouxemos também modelagens mais femininas pensando nas bravas mulheres que enfrentam suas cidades em cima de duas rodas e se orgulham muito disso. Espia só:

Camiseta Bike

Camiseta básica Bike To Work

Camiseta Bike

Camiseta feminina Life is a beautiful ride

 

Camiseta Bike

Regata feminina Bike To Work

 

Camiseta Bike

Regata feminina Life is a bab

Baby looks e regatinhas pra elas e camiseta tradicional pra eles. 😉

Curtiu? Acesse a loja virtual ou se você é de Florianópolis também pode entrar em contato pelo telefone/whatsapp (48) 96501000.

 

Bela na Bike do mês de Julho

Apresentar mulheres que encaram o dia-a-dia de bike, provando que é possível ser linda pedalando, enche o nosso coração de orgulho!!

E quem vem embelezar nosso site esse mês como a Bela na Bike do mês de julho é a Ana, que além de pedalar em grupos noturnos (foi assim que a conheci, pedalando com o grupo Duas Rodas), acompanhar o seu amado em pedais longos de final de semana, cicloviagens e trilhas, ela também pedala pra ir ao trabalho. Ela é demais, não é?

Ah, e só para constar: a Ana pedala 22 km pra chegar ao trabalho e mais 22 km pra voltar pra casa, e nesse percurso está incluído o Morro da Lagoa, que para quem não conhece Floripa é uma montanha de aproximadamente 200m de altimetria! É muita admiração por essa moça!!

A Ana é tão meiga e querida, que à primeira vista ninguém imagina o quanto ela acelera no pedal até vê-la em ação!

ANA SANTOS (3)

Foto: Felipe Munhoz

1. Qual sua idade e profissão?

Tenho 38 anos e sou administradora.

2. Qual o espaço que a bicicleta ocupa no seu estilo de vida? (Esporte, lazer, transporte)

Uso em diversas situações, para ir trabalhar, para ir ao mercado e como atividade de lazer, costumo pedalar com grupos de ciclistas. No verão, nada melhor que ir à praia de bike e voltar tranquila enquanto o trânsito está parado.

3. Conte de forma breve, como a bicicleta conquistou espaço na sua rotina?

A rotina de usar a bicicleta no dia a dia começou com a vontade de tornar o caminho para o trabalho mais prazeroso. Já utilizava a bicicleta, como disse anteriormente para lazer, o que ajudou a acrescentar a bici também para ir ao trabalho.

4. Quais foram os benefícios que o uso frequente da bicicleta trouxe para você?

O bom humor é um dos principais benefícios, o dia já começa animado, sem precisar se preocupar com as condições do trânsito e sem stress. É também uma boa forma de otimizar o tempo, pois é uma ótima atividade física, e contribui também para a saúde.

5. Você costuma se preocupar com seu visual na hora de pedalar?

Tento sempre sair arrumada, e pronta para o trabalho, desta forma não preciso me trocar quando chego. Ainda assim, dou uma passada no banheiro, para os retoques finais na maquiagem e no cabelo.

6. Quais suas maiores dificuldades na hora de se vestir para ir de bicicleta nas atividades de rotina?

Ainda não consigo utilizar todos os tipos de roupas que gostaria, mas é uma evolução diária, aos poucos tenho experimentado algumas novidades. Outro pequeno incômodo devido a longa distância é o suor, que às vezes incomoda um pouco. Mas fazendo algumas paradas no caminho, e utilizando lenços umedecidos na chegada, é perfeitamente possível contornar isso.

7. Quais as maiores dificuldades que você encontra no seu dia-a-dia de ciclista?

A falta de ciclovias no meu trajeto é sem dúvida, um dos maiores problemas que enfrento. Alguns trechos inclusive, preciso percorrer distâncias maiores, para evitar as rodovias com velocidade muito alta e pouco acostamento. Torço muito que isso melhore daqui pra frente, mas de qualquer forma, isso não me impede de ir pedalando.

8. Você teria algum truque/dica para ensinar a mulheres que estão começando a pedalar agora?

Onde trabalho infelizmente não tem chuveiro para tomar banho, então já experimentei alguns truques no cabelo. O que mais dá resultado é sair de casa com o cabelo já molhado e utilizar um lenço ou bandana na cabeça, o que permite chegar ao trabalho com o cabelo ainda úmido, e assim fazer os ajustes finais. Outra opção para utilizar no cabelo, sem precisar molhar é o talco, pois ele tira a oleosidade do cabelo. Basta espalhar um pouco na raiz dos cabelos e depois passar a escova até que o branco do talco suma.

9. Que mudanças você gostaria de ver na sua cidade para que a rotina dos ciclistas se tornasse mais tranquila e segura?

Mais infraestrutura cicloviária seria fundamental, mas enquanto isso não chega, precisamos compartilhar os nossos caminhos com todos, e o respeito mútuo é fundamental!

Foto: Felipe Munhoz

Foto: Felipe Munhoz

Ana, muuuito obrigada por compartilhar sua história conosco!

E você aí do outro lado da tela?

Se inspirou? Reflita, tente e surpreenda-se, você também pode!!