Caminho de Santiago de bike – Etapa Final – De Pedrouzo a Santiago de Compostela

Chegou o grande dia! A etapa final:

Despertei com o Ari me felicitando por meu aniversário! Que alegria acordar ali, em uma viagem incrível, ao lado do meu amado. O dia era mais que especial! Rapidinho nos arrumamos, tomamos café da manhã no albergue mesmo, com iogurte, ovos e frutas que tínhamos comprado no dia anterior. Saímos com uma alegria, uma vontade de chegar em Santiago logo. E por essa euforia toda, me lembro muito pouco do trajeto deste dia. Lembro que pedalamos em clima de muita paz, serenidade…

Passamos por muitos peregrinos, todos na mesma alegria pro estarem na reta final, cumprimentando-nos quando passávamos. Isso aumentou ainda mais nosso ânimo, nosso desejo de chegar. Pouco tempo depois, chegamos no Monte do Gozo, onde há um monumento em homenagem a visita do Papa naquele local na IV Jornada Mundial da Juventude. em 1989.

IMG_7925

em frente ao Monumento de Juan Pablo II.

Disseram que dali já daria para ver as torres da Catedral, mas nós não conseguimos ver nada… Estávamos mesmo era sem paciência de procurar, pois isso é possível sim, mas não soubemos achar onde seria esse mirante e fomos logo em direção à cidade, o apóstolo nos esperava!! rsrsrs..

IMG_7927

Entrada da cidade Santiago de Compostela.

Entramos na cidade e íamos seguindo as setas, mas nada de chegar na igreja, uma rua de paralelepípedos e depois entramos no centro antigo de Santiago, pequenas ruas, e sem visão das torres da igreja. Aquilo foi fazendo meu coração disparar, onde está? Imaginei que chegar até lá caminhando deva ser quase uma tortura psicológica… rsrsrs

De repente ouço uma gaita de fole tocando longe, olhamos para cima e vimos uma das torres! Estávamos na lateral da Catedral. Parei, as lágrimas começaram a brotar enquanto eu sorria, que emoção, que alegria!!

IMG_7929

Lateral da Catedral, chegamos!

 

IMG_7933

Em frente a majestosa Catedral de Santiago de Compostela.

Entramos na praça do Obradoiro e comemoramos muito! Mesmo com a catedral em reforma (há alguns anos já…) é linda!! Sentamos no chão, batemos fotos, comemoramos muito e não queríamos mais sair dali…

IMG_7953

Momento euforia extrema… rsrsrs

IMG_7964

Depois que a euforia baixou, precisávamos pensar onde iríamos dormir naquele dia, logo achamos uma pensão e fomos até lá tomar banho, guardar nossas bikes para finalmente entrar na Catedral, a missa do peregrino era às 12h e eu estava ansiosa para assisti-la.

IMG_7978

dentro da igreja e pertinho do altar de Santiago.

Entramos na igreja às 11h, já cheia de peregrinos… Não conseguimos lugar para assistir a missa sentados, ficamos de pé mesmo, era missa de Pentecostes e por esse motivo aquela missa teria a cerimônia do Botafumeiro – ritual que acontece somente 1 vez por semana e que eu queria muito assistir. Quando o botafumeiro foi aceso e erguido, meus olhos mais uma vez encheram-se de lágrimas,  foi um momento de muita emoção, e chorei muito de alegria, me senti realmente abençoada. A catedral é enorme, o altar é maravilhoso e depois da missa ainda ficamos caminhando dentro dela, conhecendo cada detalhe.

IMG_8044

Até que a fome bateu e nos obrigou a sair e procurar onde almoçar. Achamos um restaurante que servia uma boa carne assada e enormes cañas!! Um brinde! Tantas coisas a comemorar e agradecer…

IMG_8006

Ainda permanecemos mais 2 dias em Santiago, perambulando entre as ruazinhas e apreciando tudo o que a cidade tem a oferecer… Vale a pena, cidade linda!!

IMG_8001

E assim terminou nossa aventura, com muito gosto de quero mais!

Em breve farei outro post apenas com dicas úteis para esta viagem, aguardem!

😉

Acompanhe essa história desde o início clicando aqui.

Caminho de Santiago de bike – Etapas 13 e 14 – de Portomarín a Pedrouzo

Como as próximas duas etapas são pequenas, resolvi contá-las em apenas um post:

Dia 13 – De Portomarín a Melide

Saímos com um pouco de frio, mas já não era mais tão intenso como nos dias anteriores…

IMG_7819

Curiosidade: na Galícia o idioma se aproxima muito do português…

Mais uma vez, o Caminho era repleto de túneis verdes, formados pelas árvores. Nestes últimos dias, o cheiro de esterco era bastante forte no ar, parece que é comum na região. Muitos cavalos e vacas deixam o rastro pela trilha, vida no campo…

IMG_7821

IMG_7833

IMG_7850

A ansiedade crescia por estarmos nos aproximando de Santiago, mas cada a km rodado queríamos parar, descansar, contemplar.

IMG_7829

Paramos em Palas de Rei e compramos os itens do picnic do dia. Seguimos até onde achássemos um local agradável para o lanche, até que  chegamos a uma igreja muito antiga que tinha um banco na frente, ali fizemos nossa refeição.

IMG_7861

Igreja medieval na Galícia.

Depois de descansarmos um pouco, continuamos a pedalar  e faltando aproximadamente 5km pra chegar em Melide alcançamos o Carlos (peregrino espanhol veterano, que já fez o Caminho 29 vezes), caminhando firme e rápido, seguia como um trator!!  Queríamos uma foto com ele, mas ele dizia que não podia parar, pois àquela hora estava muito cansado e se parasse não andaria mais. Tiramos uma foto quase na marra! Rsrsrs…

IMG_7862

Carlos, veterano no Caminho.

Chegamos em Melide, passamos em frente A Garnacha e vimos o dono preparando o famoso prato à base de Polvo.

IMG_7865

Preparo do Pulpo a Galega no restaurante Garnacha.

Fomos atrás de um albergue e conseguimos um quarto em um Hostel para dividir apenas com duas jovens canadenses. Foi ótimo, bastante sossego. Depois de um banho, fomos para a praça que ficava na frente do Hostel, e ficamos praticando o nadismo (a arte de fazer nada… ) até a hora de ir jantar, quando fomos na A Garnacha experimentar o Pulpo a La Gallega. E vale muito a pena viu? Pra quem curte frutos do mar é imperdível!!

Depois do jantar passamos numa feira e compramos cerejas para comermos enquanto caminhávamos pelas ruas, até chegar no Hostel e finalmente descansarmos nossos esqueletos…

Dia 14 – De Melide a Pedrouzo

Mais um dia praticamente plano, e quanto mais nos aproximávamos de Santiago, mais crescia a ansiedade de chegar logo! Mas nos mantivemos na nossa de decisão de chegar somente no domingo, dia 24/05 que coincidentemente era meu aniversário! Rsrsrs… Essa viagem fez com que eu não tivesse inferno astral, ou qualquer mimimi pré-aniversário. Foi tudo muito diferente e sem dúvida o melhor aniversário da vida! Mas calma, ainda não chegamos, estamos no nosso caminho, em meio às árvores, aquela calmaria e de repente: vacas meio do caminho!

IMG_7894

O dono as guiava para atravessarem o caminho para onde estava seu terreno. Ficamos ali parados, esperando todas passarem na maior tranquilidade… Trânsito liberado, seguimos em frente!

IMG_7883

O dia foi curto, logo chegamos a Pedrouzo e achamos um ótimo albergue para nos hospedarmos. Lavamos nossas roupas e as colocamos no sol, saímos para passear e comprar mantimentos para preparar uma refeição. Comemos pães, ovos, salada e até batata frita.

O albergue tinha mesas ao ar livre para fazermos nossas refeições, onde ficamos por um  bom tempo  tomando cerveja e conversando sobre coisas que vimos até chegar ali… Havia uma mesa de pebolim, que uniu duas espanholas, uma holandesa e uma alemã, num torneio que rendeu muitos gritos e risadas… E nós ríamos junto, contagiados pela alegria delas e pela quantidade de cerveja ingerida.

Anoiteceu e fomos dormir pensando em como seria o dia seguinte…

Acompanhe essa história desde o início clicando aqui.

Caminho de Santiago de bike – Etapa 12 – de Triacastela a Portomarín.

Continuando o relato sobre percorrer o Caminho de Santiago de bike:

Saímos pela manhã tranquilos, em nosso roteiro tínhamos pouco menos e 50 km para vencer e poucas subidas. Além disso, estávamos em ritmo leve, aproveitando ao máximo os últimos dias.

Caminho de Santiago de Bike

O sol não permitiu que a foto ficasse boa, mas essa casa no meio do percurso merecia registro!

Nesse trecho há duas opções de caminho uma passa pelo Mosteiro de Samos e outra passa por San Xil. Não sei explicar porque, mas fomos automaticamente pela rota do Mosteiro de Samos. E valeu tanto!! Que linda construção!! Que paz ao redor daquele lugar!!

Caminho de Santiago de Bike

O lindo Mosteiro de Samos..

Contemplamos por um tempo, tomamos um café em frente ao Mosteiro e seguimos.

Caminho de Santiago de Bike

Quem disse que hoje o dia era plano??

Chegamos em Sarria bem antes do meio-dia e pensamos em almoçar por ali. A cidade fica num ponto bastante alto e demoramos para achar onde seria o centro, já que o caminho tradicional é por uma longa escadaria e tivemos que desviar para subir com as bikes carregadas. Sentamos numa mesa na rua, comemos calmamente e descansamos um bom tempo observando os peregrinos que iam chegando à cidade.

Caminho de Santiago de Bike

Em Sarria, apenas observando…

A parte da tarde foi praticamente toda por túneis verdes, formados pelas árvores da região.

Caminho de Santiago de Bike

Obstáculos fáceis de ultrapassar…

Caminho de Santiago de Bike

E a pergunta na cabeça: mas hoje não era plano??

Chegamos num ponto marcante do Caminho de Santiago, o marco que indica a distância faltante para Santiago – 100km. Essa é a quilometragem mínima a ser percorrida por um peregrino para que receba a Compostelana (certificado), e por isso muitos começam o caminho a partir de Sarria, aqueles que não conseguem percorrer todo o trajeto seja por restrição física ou de tempo. Para quem percorre o Caminho de bicicleta o mínimo é de 300km. Tiramos foto no marco e seguimos até Portomarín, nossa cidade destino do dia.

IMG_7790

Só mais 100 km…

Portomarín fica também no alto, é uma cidade que foi toda reconstruída após ser inundada propositalmente por conta de uma barragem construída na região.

IMG_7798

Chegando em Portomarín.

Ficamos num albergue enorme, deve ter umas 120 camas no mesmo salão, mas acho que não ocuparam nem metade naquela noite. Tudo bem limpo e organizado.

IMG_7803

Igreja da cidade, que foi desconstruída pedra por pedra e reconstruída no alto, onde a cidade se reinstalou…

Como de costume fomos à praça, dar uma volta e conhecer um pouco. Compramos mantimentos para fazer o jantar no albergue, mas antes sentamos num restaurante que fica ao lado da igreja para experimentar o “pulpo à gallega”. Prato típico da região, um polvo temperado com páprica espanhola, muito maravilhoso diga-se de passagem e muito famoso em Melide, que seria a próxima cidade destino. Resolvemos experimentar em Portomarín, para termos parâmetro de comparação com o mesmo prato servido em Melide, onde dizem ser o melhor.

IMG_20150521_175430304_HDR

O Pulpo à la Galega de Portomarín.

Enquanto comíamos o Pulpo (polvo), dois senhores espanhóis que estavam na mesa ao lado puxaram papo conosco. Peregrinos veteranos (um deles já fez o Caminho 29 vezes!), disseram para experimentarmos o polvo em Melide, que lá é que se come o melhor preparo deste prato. Como eu disse antes, nós já sabíamos disso, e explicamos a eles o motivo de estarmos comendo ali. Eles então nos indicaram o restaurante de Melide onde se come o melhor “Pulpo à Gallega”, chamado A Garnacha. Ficamos conversando enquanto bebíamos uma boa cerveja e fomos para o albergue preparar nossa janta. Após um farto jantar, ficamos sentados na frente do albergue que tinha uma linda vista do lago e o pôr do sol. Quando a escuridão começou a dominar o céu, já era hora de nos prepararmos para dormir…

IMG_7805

Vista do lago formado pela barragem que inundou a cidade antiga de Portomarín.

Acompanhe essa história desde o início clicando aqui.

 

Caminho de Santiago de bike – Etapa 11 – de Villafranca Del Bierzo a Triacastela.

Mais uma etapa do Caminho de Santiago de Compostela, mais um dia de desafios, reflexões e recompensas…

Na nossa programação inicial, o dia de hoje, seria de pedalar até Melide, o que daria 88 km e no dia seguinte já pedalaríamos até Santiago. Porém, percebendo que estávamos na reta final e com  aquela sensação de não querer que acabasse, percebemos que os dois dias que havíamos reservado para um descanso, ou qualquer imprevisto nesta viagem, não foram usados até então. Dessa forma, resolvemos dividir os percursos dos 2 últimos dias em 4, assim usaríamos os dias extras para pedalar também, continuando no Caminho por mais tempo.

IMG_7633

Na saída de Villafranca del Bierzo..

IMG_7635

Ainda na saída de Villafranca…

Saímos então pela manhã de Villafranca e fomos em direção ao Cebreiro. Esse trecho seria o maior desafio da nossa viagem, já que era a maior altimetria do Caminho de Santiago (do trecho percorrido por nós). Nos preparamos bem para tal, mas a ansiedade era enorme, queríamos muito chegar lá no alto e ver o vilarejo do Cebreiro, tão comentado por todos que lá já estiveram… Fomos pedalando pela carretera (asfalto) e o aclive era até bem leve no início, fomos brincando, conversando, e cada vez mais próximos do destino.

IMG_7640

Subida para o Cebreiro.

IMG_7667

Como o caminho original dos peregrinos é outro, aqui éramos só nós numa imensidão de verde..

IMG_7690

Começou a esquentar e eu tirei o corta-vento..

Chegamos numa pequena vila, onde havia um bar e 3 caminhos a seguir. Ficamos um pouco confusos de qual seria a direção que deveríamos tomar e perguntamos a um rapaz no bar. Ele nos disse que tínhamos mesmo 3 opções: a primeira delas era de 8km, a segunda de 12km (mais longa porém em asfalto), ou uma terceira de 4km que é a trilha original dos caminhantes. Ele nos tranquilizou dizendo que a trilha mais curta tinha apenas 500 metros de terreno muito ruim onde teríamos que empurrar a bike e logo depois ficaria tranquilo para pedalar. Seguimos então seu conselho e acabamos tendo que empurrar a bike por uns 2 km ao menos!

IMG_7712

Esse peregrino aí é Brasileiro! :-) E ficou todo orgulhoso de me passar enquanto eu sofria pra empurrar a bike… :-P

O peso da bike somado ao da bagagem fica gigante!! E os peregrinos passavam por mim tirando onda…  Cansei, parei, larguei a bike no chão, comi uma maçã enquanto observava a vista linda que deixamos pra trás. Logo o Ari que estava bem mais à  frente apareceu, voltou porque sentiu minha falta e carregou minha bike até chegarmos onde ele havia deixado a dele. Prosseguimos naquela batalha, ele me puxando e eu rosnando.. Porque quando eu estou exausta e ainda tenho que pedalar é assim que eu fico, rosnando. Até que chegamos num novo trecho de carretera, ufa!

IMG_7718

Ufa! Voltamos para a carretera!

IMG_7729

A vista que se tem de lá de cima é incrível!!!

IMG_7724

Mas a subida não acabou…

Mas ainda tinha subida! Começou a chuviscar, o frio foi ficando intenso e enfim chegamos no Vilarejo do Cebreiro!

IMG_7730

Ari: Faz cara de feliz! Eu: Mas que frio!!! Ari: Anda Aline! Faz cara de feliz logo e vamos bater essa foto! rsrsrs

IMG_7736

Em frente a mítica igreja do Cebreiro…

Visitamos a igreja e logo fomos em busca de um lugar pra ficar, queríamos passar a noite ali. Era meio dia, o albergue só abria as 13h e já tinha fila. Preferimos ficar na fila pra garantir a cama antes de tudo. E foi esfriando, colocamos TODAS as blusas que tínhamos e ainda fazia frio. O albergue abriu, o Ari ficou cuidando das bikes enquanto eu segui na fila pra fazer o check in. Demorou 1 hora até que chegasse a minha vez, quando a senhora hospitaleira olhou para o meu capacete pendurado no braço e soltou grosseiramente: Ciclistas só depois das 19h e se sobrar vaga! Não acreditei e pedi que ela repetisse, não podia ser verdade…

Vale aqui ressaltar este alerta: a regra no Caminho em geral é esta: a preferência nos albergues é dos caminhantes, ciclistas normalmente só entram depois das 18h ou 19h e  se sobrar vaga, afinal, para o ciclista é mais fácil seguir até a próxima cidade. E ocorre que para nós, até aquele dia, nenhum albergue nos restringiu a entrada em qualquer horário, havíamos até esquecido desta regra e ingenuamente achamos que teríamos lugar ali. Mas com razão, este é um lugar onde a regra precisa ser obedecida, afinal é um trecho de grande dificuldade e se um caminhante chega lá no alto e não tem onde dormir, a coisa complica muito.

Enfim, voltei para o Ari já chorando, chateada com a situação e só pensava em ir embora dali, queria um banho quente. Subimos na bike e fomos atrás do próximo vilarejo. Com muito frio, vento e chuva, seguimos por mais 21km até Triacastela.

IMG_7738

Mas antes subimos mais um pouquinho até o Alto do San Roque…

IMG_20150520_142720589

E ainda subimos MAIS um pouquinho até o Alto do Poio…

Lá encontramos um albergue com chuveiro quente e lugar para colocar nossas bikes em lugar coberto. Tomamos um ótimo banho, colocamos as roupas para lavar na lavadora do albergue e fomos no restaurante ao lado tomar um caldo galego, prato típico da região, mas que eu não posso dizer que amei, era bom, mas pouco tempero pro meu gosto. Compramos mantimentos para fazer a janta no albergue e retornamos para cuidar das nossas roupas que teriam que ir para a secadora neste dia, não havia sol e tínhamos acumulado roupas sujas do outro dia. Na hora do jantar, sentamos à mesa para comer e logo chegou  para sentar conosco uma brasileira, a Ligia que é paranaense e fazia o Caminho sozinha, também sentou conosco o Eduardo que é espanhol e logo depois atraídos pelo idioma, outro casal brasileiro de Minas Gerais que também se hospedara ali. E a conversa rolou até a hora de todos se recolherem…
Foi um dia intenso…

Acompanhe essa história desde o início clicando aqui.

 

Caminho de Santiago de bike – Etapa 10 – de Rabanal del Camino a Villafranca del Bierzo.

Dia 10 – Rabanal Del Camino a Villafranca Del Bierzo

Mais uma manhã gelada! A noite de sono foi muito tranquila, poucos peregrinos no nosso albergue e fomos mais uma vez os últimos a sair pela manhã… Encontramos um café ainda dentro do povoado pra aquecer-nos antes de começar o pedal.

Caminho de Santiago de Bike

Aquela cara de sono de manhã cedo que nem o óculos esconde…

Caminho de Santiago de Bike

Os sinais do caminho…

Nosso trajeto de hoje prometia fortes emoções, chegaríamos na Cruz de Hierro, ponto muito marcante do Caminho e logo vou explicar o motivo. A Cruz de Hierro (cruz de ferro) fica num ponto de grande altitude, sabíamos que a subida seria forte, mas treinamos bastante pra essa etapa, então eu estava com a cabeça e corpo preparados! Mas o frio na barriga me acompanhou até chegarmos lá no alto e avistarmos a Cruz!

Caminho de Santiago de Bike

Cruz de Hierro à vista!

Caminho de Santiago de Bike

É muito frio!

Nesse ponto, os peregrinos deixam uma pedra, que carregam em sua mochila até ali, e conosco não foi diferente! Nossas pedras foram conosco desde o Brasil! Há alguns significados para este rito, um deles diz que quando você deposita a sua pedra ao pé da cruz, está deixando pra trás tudo o que carregou na vida até ali, você começará uma nova vida após o Caminho, e então você se liberta do peso do passado…

Caminho de Santiago de Bike

“Pequeno” monte de pedras trazidas por peregrinos de toda parte do mundo!

Tinham muitas pessoas chegando naquele mesmo momento e cada um tem um tempo para subir na montanha de pedras e deixar a sua junto a cruz. Foto para registro e agora vamos começar a descer…

Caminho de Santiago de Bike

Nosso momento, deixando nossas pedras no caminho…

Se na subida já estava frio, na descida estava literalmente congelante! Tive que parar algumas vezes e esquentar as mãos no bafo! Kkkk…

Caminho de Santiago de Bike

Esfriou ainda mais! Brrrr

Caminho de Santiago de Bike

Quase encostando nas nuvens. :-P

No primeiro povoado que avistamos, El Acebo, encontramos um café/bar  e não pensamos duas vezes, largamos as bikes na rua e entramos correndo pra nos aquecermos com um café bem quente! O bar estava lotado, todo mundo fazendo uma pausa para seguir adiante. Eu tomei um chocolate quente, segurando a xícara com as duas mãos em volta para descongelá-las… hummm delícia! Comemos tortilha de batata com pão, também aquecidos. O frio era tanto, que esta parada ficou marcada em nossas memórias! Até hoje comentamos sobre ela…

Caminho de Santiago de Bike

Povoado de El Acebo.

Depois desse momento conforto, hora de subir na bike e continuar, ainda tínhamos mais descida pela frente! Chegamos numa parte da estrada com muitas curvas, e depois de nos deliciarmos com essa descida leve e no sol, em Molina Seca, mais uma pequena cidade cheia de charme. Passamos pela ponte e a vontade era de ficar por ali mesmo, sentados à beira do rio. Mas nosso objetivo do dia era mais à frente.

Caminho de Santiago de Bike

Nas curvas do Caminho…

Caminho de Santiago de Bike

Em Molina Seca.

Logo depois, chegamos em Ponferrada, uma cidade maior e onde há o Castelo dos Templários, construção iniciada em meados do século XII como uma igreja e que depois foi doada aos cavaleiros da Ordem dos Templários, encarregando-os de defenderem os peregrinos naquele trecho do Caminho. Nós decidimos almoçar ali, mas acabamos um pouco perdidos perto do Castelo, onde o caminho passa por escadarias e o guia nos mandou passar por um desvio, que nos fez passar por trás do Castelo , sem que nos déssemos conta de que estávamos passando por ele!!

Caminho de Santiago de Bike

Os fundos dos Castelo do Templários…

Bem, fomos seguindo, procurando um local para um lanche, e só achamos algo convidativo quase na saída da cidade. Comemos um bocadillo cada um com coca-cola bem gelada…  Continuamos nossa tarde sob um forte sol, comemos cerejas compradas na beira da estrada, tomamos vinho em uma degustação, e de parada em parada, chegamos na cidade que programamos pernoitar: Villafranca del Bierzo.

Caminho de Santiago de Bike

Degustando vinho del Bierzo…

Caminho de Santiago de Bike

Chegando em Villafranca del Bierzo.

Chegamos com um sol gostoso, aquele frio intenso ficou pra trás. Nos hospedamos num albergue maravilhoso, chamado Albergue de Leo. Muito aconchegante, recém reformado, o albergue é de uma família muito simpática, que vendo que éramos um casal nos acomodaram num quarto com apenas 2 camas! Mesmo sendo um quarto onde a porta que dividia-nos de outro quarto era uma cortina, ficamos muuuuito agradecidos. <3  Mais uma noite muito bem acomodados! Tomamos um ótimo banho e depois saímos pra caminhar na cidade, fizemos picnic na praça, tomamos vinho, comemos uma massa em um restaurante da Plaza Mayor, tomamos mais vinho, e já com o riso frouxo, fomos para o albergue dormir… 😀

Acompanhe essa história desde o início clicando aqui.

Caminho de Santiago de bike – etapas 8 e 9 – de Sahagun a Rabanal del Camino

Hoje teremos duas etapas em um post só! Vejam como continuou a aventura de Aline e Ari no Caminho de Santiago de Compostela de bike:

Dia 8 – De Sahagun a Leon

Caminho de Santiago de bike

Arco de San Benito em Sahagun.

Mais um dia de muito frio, hoje nosso dia era de apenas 54km e poucas subidas, fomos bem tranquilos e por um tempo foi até um pouco monótono, mesma paisagem por muito tempo.

Caminho de Santiago de bike

Trajeto tranquilo, sem subidas…

Caminho de Santiago de bike

Um bom trecho com a mesma paisagem…

Chegamos em nosso destino ainda antes do almoço!

Caminho de Santiago de bike

Já bem perto de León.

Já havia esquentado bastante em Leon, almoçamos um menu do peregrino no próprio alberque que é de uma congregação de freiras beneditinas e onde há também um hotel de luxo.

Caminho de Santiago de bike

Albergue Santa Maria de Carbajal, cuidado por freiras beneditinas.

Depois do farto almoço saímos a passear na cidade, era domingo, a cidade de León, uma das maiores do nosso percurso. Estava lotada, bares abertos com mesas nas ruas, os peregrinos se misturavam ao povo da cidade passeando por entre as ruas com o sol a todo vapor.

Caminho de Santiago de bike

A alegria pairava no ar. Caminhamos bastante, passamos por uma apresentação de idosos dançando com castanholas, uma festa!  Sentamos em frente ao prédio do famoso Gaudí, ficamos debaixo de uma árvore, observando, descansando, tomando sorvete e respirando o ar espanhol…

Caminho de Santiago de bike

Obra do famoso Gaudí.

Ao cair da tarde, procuramos um local para comer uma paella, queríamos comer num restaurante daqueles com mesa na rua, para apreciar o movimento enquanto comíamos e fomos enganados na maior cara de pau: a minha paella tinha um camarão e um anel de lula, e a do Ari que era mista tinha uma coxinha de asa de frango além do que tinha na minha. Aff!!! Depois dessa fomos para o albergue, assistimos a missa cantada pelas freiras e nos recolhemos para aquela que seria a noite mais mal dormida da viagem…

Dia 9 – De Leon a Rabanal Del Camino

A noite foi difícil, o albergue era enorme, basicamente um salão, pé direito baixo e apesar de lá fora fazer frio, a quantidade de pessoas dormindo, respirando e emitindo gases no mesmo cômodo fez com que a temperatura ficasse bastante alta. Muitos ruídos de gente entrando e saindo pra ir ao banheiro, muitos roncadores competindo o nível de decibéis, os tampões não funcionaram muito bem… Eram 5:30h da manhã ainda e eu não conseguia mais ficar ali. Olhei pra cama de baixo, o Ari também estava acordado e incomodado. Resolvemos levantar e partir no escuro mesmo…  Com um pouco de dificuldade conseguimos sair do centro da cidade, e percebemos que a nossa alegria era mesmo estar em cima de nossas bikes e pedalando!

A luz do dia foi se abrindo e nós logo chegamos na frente do Hotel Parador de Espanha, um prédio muito lindo e imponente, hotel luxuoso do Caminho… Paramos pra tirar uma foto, a qual não saiu muito boa por conta da pouca luz… :-/

Caminho de Santiago de bike

Hotel Parador de Espanha.

Nós logo fomos ultrapassando os primeiros caminhantes do trecho, chegamos numa parte onde estávamos só nós dois, ninguém a vista para frente ou para trás… resolvemos fazer algo pra divertir, paramos para uma foto (ou várias) com salto ornamental, mas nem tanto… rsrsrs..

Caminho de Santiago de bike

Seguimos um pouco mais e chegamos a Astorga, mais uma importante cidade do Caminho. Ao lado da catedral de Astorga, fica a Casa Episcopal – que hoje é um museu – outra obra de Gaudí, linda construção e que impressiona por seus detalhes. E entramos  no pátio para uma foto.

Caminho de Santiago de bike

Chegando a Astorga.

Caminho de Santiago de bike

Casa Episcopal

Fizemos nosso já tradicional picnic numa pequena praça de Astorga, observados por alguns idosos que faziam seu passeio da tarde. Descansamos e continuamos nossa jornada, afinal o nosso destino do dia era Rabanal Del Camino.

Depois de sairmos de Astorga, entramos num trecho bastante deserto, passamos por poucos peregrinos, talvez pelo horário, já estivessem em seus destinos. Logo começou um vento contra, que me deixou de muito mal-humor e sem energia. Os últimos 10km de um leve sobe e desce que mais pareciam 30! Até que chegamos, ufa!!

Caminho de Santiago de bike

Cruzes no caminho.

Achamos o Albergue municipal, uma casa medieval (assim como todo o povoado), com paredes de pedra muito grossas, poucas camas e uma placa na entrada que dizia para entrarmos, escolhermos nossas camas e que mais tarde uma hospitaleira viria nos cobrar e se apresentar. Assim fizemos, tomamos banho, lavamos nossas roupas, lavamos as bikes e saímos pra comprar algo para beber e comer.

Caminho de Santiago de bike

Albergue municipal de Rabanal del Camino.

Voltamos para o albergue, que tinha um quintal arborizado onde batia um sol gostoso, sentamos numa das mesas para comer batatinhas e beber cerveja enquanto atualizávamos redes sociais e falávamos com a família.

Caminho de Santiago de bike

Quintal do albergue.

Logo entrou no quintal um padre muito jovem, estatura enorme, direcionou-se a mim, me perguntou se gostaríamos de assistir a missa em latin que aconteceria as 19h, na igreja da cidade. Eu prontamente disse que sim, e confirmei que estaríamos lá. O padre é alemão e estava a trabalho naquela comunidade a 3 meses, perguntou de onde éramos, disse que já percorreu o caminho e que agora estava prestando serviço ali.

Fomos a missa conforme prometido, a igreja é de uma simplicidade cativante, pequena e impressiona por se tratar de uma construção muito antiga. Estava com quase todos os bancos ocupados, e logo depois que chegamos, mais peregrinos se acumulavam de pé nos cantos da igreja para assistir a missa em latin. E foi lindo, abençoado momento!

Caminho de Santiago de bike

Igreja de Rabanal del Camino.

Caminho de Santiago de bike

Interior da igreja.

Depois da missa passamos no mercadinho, compramos mantimentos e fomos cozinhar no albergue: massa com hambúrguer (sentíamos falta da carne bovina). Outros peregrinos também cozinhavam, era comum. Jantamos e nos recolhemos. Rabanal Del Camino já fica numa região de mais altitude e muito frio, e naquele dia tive que puxar um cobertor para me cobrir por cima do saco de dormir… brrrr

Continua…

Se este foi o primeiro artigo que achou, clique aqui e acompanhe desde o começo os relatos dessa lindíssima viagem pelo Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta.

 

Caminho de Santiago de bike – Etapa 6 – De Burgos a Frómista

Oi gente!!

Pedimos desculpas pelo sumiço, mas fim de ano é aquele apuro, e depois do Natal precisamos de uns dias de descanso total!

Agora, voltamos com a continuação dos relatos sobre o Caminho de Santiago de bike e tentaremos colocar mais posts por semana para compensar ok?

Então continuando de onde paramos, vejam como foi o sexto dia de pedal na maravilhosa Espanha:

Acordamos com uma música ambiente tocando, Marie Noelle nos preparou um café especial que nos deu ainda mais ânimo para enfrentar o dia que iniciava. Deixamos aquele lugar com a certeza de que não poderíamos ter melhor hospedagem em Burgos, foi uma delícia!

IMG_7197

No albergue, com Marie Noelle antes de sairmos pela manhã.

A saída de Burgos me deixou ainda mais apaixonada pela cidade, as ciclovias, os passeios, a organização, um encanto!

IMG_7201

As torres da catedral de Burgos ao fundo… Apaixonante!

Logo chegamos num trecho com várias montanhas que pareciam desenhadas, de tão lindas…

IMG_7207

Paisagens pintadas à mão…

IMG_7213

IMG_7219

E lá no fim dessa estrada, a cidade de Hornillos del Camino.

IMG_7228

Paradinha pra mais um café no bar!

IMG_7235

IMG_7239

As papoulas contornando todos o caminho…

IMG_7241

Ruínas do Convento San Antón.

Passamos por Hornillos Del Camino, Convento San Antón e então chegamos num  trecho todo ladeado por lindas árvores, e no fim deste trecho avistamos a cidade de Castrojeriz.

IMG_7256

Um belo trecho do Caminho, contornado por ávores…

IMG_7273

e depois das árvores, avistamos a cidade de Castrojeriz, com seu castelo no topo da montanha.

IMG_7301

Mais um brinde!

Ali almoçamos um bocadillo com vinho e coca-cola, de olho na montanha que teríamos que escalar em seguida. Eram 140 metros de desnível em 1km de estrada de chão!

IMG_7305

E depois do almoço, uma subida de respeito!

E foi uma subida difícil, mas curta e que valeu cada pedalada até ali, a vista lá de cima é incrível!!

IMG_7307

A placa indica a inclinação, muita calma nessa hora… De passito!!

IMG_7312

Chegando ao alto, olhando para trás observamos o que deixamos. A cidade de Castrojeriz ficou pequenininha…

A descida também não passou despercebida, 18% de inclinação em 350 metros, nos levou a descer com muita cautela e ao mesmo tempo sentindo a adrenalina…

IMG_7323

Foto tirada por uma pereregrina Dinamarquesa.

IMG_7318

IMG_7327

Incrível a vista enquanto descíamos com cautela…

A pedalada da tarde foi muito tranquila e depois de atravessarmos o canal de Frómista, chegamos no destino daquele dia.

IMG_7332

Minha vontade era de mergulhar nessas papoulas! <3

IMG_7344

Seguindo…

IMG_7367

IMG_20150515_160640306_HDR

Atravessando o canal de Frómista.

Achamos o albergue municipal, e por pouco não ficamos de fora na lotação! Lavamos nossas roupas e bikes no pátio que havia no albergue e saímos para jantar um menu do peregrino servido no restaurante ao lado. Boa massa, vinho e um filé com batatas…

Depois disso sentamos na praça em frente ao albergue (Frómista é minúscula), para conversar e apreciar o movimento comendo chocolate com amêndoas.

IMG_20150515_161332677_HDR

Igreja de Frómista, ficava em frente ao nosso albergue.

Com o anoitecer,  precisávamos carregar os celulares e Garmin, e isso só era possível no refeitório do albergue. Sentamos por ali para esperar os aparelhos carregarem e logo conhecemos dois peregrinos brasileiros, um mineiro e uma paulista. O nome dele infelizmente não me lembro, o nome dela: Beatriz Siegel. Ficamos então conversando até a hospitaleira nos mandar ir dormir, pois depois das 22h tem que se respeitar a regra!

Continua…

Se este foi o primeiro artigo que achou, clique aqui e acompanhe desde o começo os relatos dessa lindíssima viagem pelo Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta.

 

Caminho de Santiago de bike – Etapa 5 – De Belorado a Burgos.

Caminho de Santiago de Bike

Muito ânimo para chegar a Burgos nesse dia!

Amanheceu o quinto dia no Caminho de Santiago, levantamos, tomamos nosso café junto com nossos amigos espanhóis e saímos todos juntos em direção a Burgos. O dia já estava mais frio do que os anteriores. A pedalada foi animada, Tony é um cara muito bem humorado e logo apelidou eu e Ari de “Pepa e Pepe”. Motivo: ele não conseguia lembrar e nem pronunciar nossos nomes e simplificou assim.

Caminho de Santiago de Bike

Faltando 43km para Burgos…

Caminho de Santiago de Bike

Alto da Pedraja.

Caminho de Santiago de Bike

Um lindo “corredor” de árvores…

Caminho de Santiago de Bike

Vencendo uma pequena, mas íngreme subida. PS: aquele peregrino ali de preto, me ajudou a empurrar a bike morro acima… :-)

Neste dia tivemos uma grande subida, chama-se Alto da Pedraja e nós fomos vencendo-a pouco a pouco, junto a muitos peregrinos…Depois da primeira hora pedalando fizemos uma parada para um café, e próximo das 11h um lanche. Sempre juntos.

Caminho de Santiago de Bike

Primeira parada para um café.

Caminho de Santiago de Bike

Segunda parada para um lanche…. Sim, precisamos sempre abastecer!!

Sentimos que éramos uma equipe já, mas conforme íamos nos aproximando, sabíamos que iríamos nos separar.

Caminho de Santiago de Bike

Antes de chegar a Burgos, pedalávamos pelo caminho ao lado de uma rodovia, e logo se aproximou de nós um ciclista que estava a passear por ali. O nome dele: Miguel. Puxou papo conosco e se ofereceu para nos guiar até a catedral, pois disse que conhecia um caminho mais agradável do que aquele que estávamos seguindo. E nós logo o identificamos como mais um daqueles “anjos do caminho”. Miguel é  um querido, nos deixou bem pertinho da catedral, e nos indicou um ótimo local para beber e comer a famosa “ morcilla de Burgos”.

Caminho de Santiago de Bike

Com Miguel, nosso anjo do dia, próximo a Burgos…

Caminho de Santiago de Bike

Chegando no centro de Burgos!

Caminho de Santiago de Bike

Porta de Santa Maria.

Caminho de Santiago de Bike

Porta de Santa Maria

Atravessamos a porta de Santa Maria e meus olhos se encheram de lágrimas ao ver a lindíssima catedral! Emocionante!! Alguns segundos paralisada observando, e então um passeio para admirar tudo em volta. Que demais, que cidade linda!! Carimbamos nossa credencial ali na catedral e seguimos para o bar onde brindaríamos o término de mais uma etapa.

Caminho de Santiago de Bike

A magnífica Catedral!

Caminho de Santiago de Bike

Pinchos com Morcilla de Burgos e pimentão vermelho… Uma delícia!

Caminho de Santiago de Bike

Brindando mais uma etapa vencida!

Nos despedimos dos nossos queridos amigos, afinal Tony também não ficou em Burgos, seguiu pedalando pois pretendia chegar em Santiago dois dias antes de nós. Ficamos tristes em nos separarmos, mas como na vida, cada um precisa seguir seu caminho, e fomos então procurar um albergue para pernoitar na cidade. Primeira opção do guia: lotado. Segunda opção do guia: lotado. Terceira opção do guia: um camping – não dava. Quarta opção do guia:uma casa de Emaús a 1,5km do centro. Como queríamos muito dormir em Burgos, fomos até a Casa de Emaús pra ver se tinha vaga, afinal 1,5km pra quem está de bike não é nada… Chegando lá, a porta estava fechada e uma placa dizia pra tocar a campainha, fomos atendidos por uma freira francesa chamada Marie Noelle, hospitaleira do albergue, falando baixinho e de forma muito gentil ela nos disse que se quiséssemos ficar ali, tinhamos que assistir a missa das 19:30h na igreja e logo após participar da ceia compartilhada que ela mesma prepararia. Depois disso teríamos que nos recolher, pois  fecham as portas às 20h. Aceitamos, e ao entrar foi uma grata surpresa, era praticamente um hotel de luxo! Com 4 quartos bem limpos e equipados com beliches e banheiros impecáveis!! Ela acomodou nós dois sozinhos num quarto, já que naquela noite tinham somente mais um grupo de 3 franceses, 1 moça canadense e 1 rapaz italiano. Apesar de não ter sobrado muito tempo pra passear pela cidade, essa hospedagem foi incrível!! Tomamos nosso banho rapidinho, lavamos as roupas e saímos de bicicleta em direção ao centro de Burgos.

Caminho de Santiago de Bike

Caminho de Santiago de Bike

Muito amor por essas árvores! <3

Caminho de Santiago de Bike

Circulamos um pouco, depois sentamos na Plaza Mayor e ficamos apreciando o que acontecia por ali tomando um bom vinho e beliscando queijo, pão e morcilla de Burgos…

Caminho de Santiago de Bike

Antes das 19:30h estávamos na igreja para a missa e recebemos cada um a benção do padre para continuar nossa jornada. Depois da missa, conforme combinado, Marie nos serviu um jantar delicioso, salada com muito queijo brie e uma sopa de lentilhas. Durante a ceia conversamos bastante, como sempre muitas histórias de cada peregrino com sua dose de emoção e depois  de receber mais uma palavra do Padre, fomos repousar em nossas camas espaçosas e silenciosas!! Zzzzzz….

Continua…

 

Se este foi o primeiro artigo que achou, clique aqui e acompanhe desde o começo os relatos dessa lindíssima viagem pelo Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta.

Caminho de Santiago de bicicleta – Etapa 1 – De Roncesvalles a Pamplona

Enfim chegou nosso primeiro dia de pedal, agora era oficial, iríamos começar o Caminho de Santiago de Compostela… Como a luz do dia começava a aparecer por volta das 7h, nós não tínhamos nenhuma intenção de sair antes disso, não levamos faróis e sair no escuro de bicicleta torna-se  arriscado, além de não vermos nada das paisagens. Portanto, ao sermos acordados às 6h, começamos a nos arrumar calmamente e fomos uns dos últimos a deixar o albergue.

Caminho de Santigo de Compostela

Fomos ao mesmo restaurante em que jantamos na noite anterior, tomamos café com tostadas, geléia e  suco de laranja. Fotos da saída e finalmente entraríamos no Caminho!

IMG_6657

Já fazia sol, temperatura agradável, paramos na tradicional placa que indica a quantidade de kms para chegar em Santiago, um casal também de bicicleta se aproximou (mais tarde descobrimos que eram pai e filha) e aproveitamos para tirar foto deles e eles de nós.

Caminho de Santigo de Compostela

Agora sim, vamos ao Caminho…  Era uma trilha com leve declive por dentro de um bosque bem fechado, muito verde e fazia muito frio, mas eu não conseguia parar de olhar em volta e agradecer ao universo por me trazer até ali.

Caminho de Santigo de Compostela

Logo paramos para vestir mais roupas, colocar luvas e proteger o pescoço. Em pouco mais de 3km chegamos a Burguete, cidadezinha simpática, muito limpa, organizada e charmosa, mas sem ninguém na rua além de peregrinos.

Caminho de Santigo de Compostela

Quase na saída da cidade, nos deparamos com uma procissão, que vinha no sentido contrário, achamos um pouco esquisita, homens com capuzes pretos, cruzes grandes apoiadas nos ombros e gritando algo que não entendemos, seguidos pela comunidade. Até hoje não conseguimos descobrir do que se tratava, mas com certeza era alguma comemoração. As cidades são na maioria muito pequenas, em menos de 10 minutos estávamos saindo de Burguete e logo começamos a subir uma montanha, hora passávamos pelo Caminho ( a trilha original onde os caminhantes seguem) hora pela carretera, estrada de asfalto que desviava do percurso original, mas que seguia sempre paralelamente.

Caminho de Santigo de Compostela

Costumávamos usar a carretera em momentos onde o trecho original do caminho era complicado para passar com as bicicletas, para isso usamos um guia comprado na Espanha mesmo, próprio para fazer o caminho  pedalando e que indica esses trechos  “impedaláveis”, dando todo o percurso do desvio.

Avistamos um café-bar (são vários durante todo o Caminho) e paramos para o segundo café do dia. Os cafés de todo o percurso são deliciosos e uma média custa aproximadamente 1,10/1,20 euros.

Caminho de Santigo de Compostela

Continuamos pedalando por mais trechos de asfalto e algumas trilhas, começou a esquentar e logo fomos tirando os casacos. Passamos vários trechos assim, sempre muito agradável e onde havia movimento de carros, o respeito da distância dos ciclistas era visível.

Caminho de Santigo de Compostela

Caminho de Santigo de Compostela

Depois de um difícil trecho de trilha, por pedras soltas, chegamos  ao Alto do Erro. Ali paramos para comer uma maçã que levávamos no alforje, perto de um pequeno trailer que funcionava como lanchonete. Lá outros ciclistas da região faziam um lanche e como ali era mais um trecho onde dava pra seguir pela carretera, fomos informados que seria mais tranquilo seguir pelo asfalto, não era o nosso plano, mas resolvemos seguir o conselho e fomos presenteados com um longo declive em asfalto lisinho e quase sem trânsito. 😀

Caminho de Santigo de Compostela

Passamos  rapidamente por Zubiri, seguindo sempre pela carretera, ali a circulação de carros era maior e como queríamos mais paisagens do que estrada, logo decidimos voltar para o Caminho, fomos entrando então num passeio/ciclovia, que passava ao lado de um rio muito bonito. Muitas famílias fazendo picnic, churrasco embaixo de árvores e aproveitando o domingo. Uma delícia! E nós só sentindo o cheiro  do churrasco!

Caminho de Santigo de Compostela

Chegamos a Pamplona por dentro de um parque, também cheio de gente aproveitando, passeando e seguindo as placas logo estávamos na entrada da cidade antiga. Já passava do meio dia e nosso primeiro desejo era almoçar e depois seguir até a próxima cidade que ficava a 4 km dali.
Caminhamos pelas pequenas ruas procurando restaurante e bem na frente da praça onde acontece a famosa Festa de San Firmino. O dono de um restaurante que tinha mesas ao ar livre na praça nos abordou e ofereceu seu cardápio, ali começou uma intensa negociação, pois nós achamos que ele queria nos enrolar, foi baixando o valor do prato individual mas tínhamos que comer dentro do restaurante. Como não queríamos deixar as bicicletas com bagagem na rua, mas também não queríamos desmontar tudo pra entrar no restaurante, íamos desistir e procurar outro lugar. Mas ele não se contentou, ficou cuidando das bicicletas pra nós, enquanto comemos um prato muito bem servido, com filé, salada, fritas e ovos.
Satisfeitos, resolvemos dar uma circulada pela cidade e logo resolvemos que não seguiríamos mais naquele dia, decidimos dormir em Pamplona. Procuramos um albergue, achamos o Jesus e Maria e nos instalamos. Depois de um bom banho tomado, saímos pra caminhar, conhecer um pouco da cidade.
Fomos até a Plaza Mayor, tomamos um sorvete e ficamos lá na grama, observando o movimento e ouvindo um músico tocando violino. Para o jantar, compramos num mercadinho pão, jamón (presunto cru muito popular na Espanha e delicioso!), queijo, vinho e jantamos na cozinha do albergue mesmo, ao lado de um casal alemão, que estava caminhando pela região á 4 meses já.  No mesmo albergue que nós, estava hospedado o Ivan Silverio, paulista que conhecemos através do grupo Caminho de Santiago no facebook e logo nos encontramos e passamos um agradável fim de tarde junto dele e  de mais duas brasileiras, a Cristina e a Luciana.

Caminho de Santigo de CompostelaNa hora de dormir, foi mais uma sinfonia de roncadores, mas os tampões no ouvido e um relaxante muscular me fizeram dormir bem…

Continua no próximo post…

Acompanhe essa história desde o início clicando aqui

Caminho de Santiago de bicicleta – Início.

Fazer o Caminho de Santiago, seja a pé ou de bicicleta é uma experiência única. Cada pessoa o faz por um motivo, mesmo que o faça junto de outro, a percepção de tudo, as interações, as sensações e como esse período de peregrinação irá influenciar a sua vida, ou não, também é individual. Ao todo, percorremos 790km a partir de Roncesvalles, não fizemos a primeira etapa que começa em San Jean Pied de Port na França por alguns motivos, entre eles a dificuldade da subida com a bike e alforjes. O objetivo aqui não é, de forma alguma, julgar o que é certo ou errado, de onde as pessoas devem começar, se devem fazer de bike ou a pé, só pela trilha original ou usar a carretera. Mas a título de ilustrar um pouco do que é o Caminho de Santiago, fizemos esse relato, tentando retratar um pouco do que vivenciamos. Como foi uma viagem de 15 dias, serão vários posts com partes da viagem:

Um dia em Madrid:

Nosso vôo desde o Brasil foi até Madrid, pernoitamos lá para podermos comprar nossas bikes. Decidimos que iríamos comprar duas novas magrelas pra nós, então negociamos tudo antecipadamente do Brasil e partimos levando apenas os alforjes já com nossas roupas e os acessórios que tínhamos: bagageiros, pedais, capacetes, sapatilhas, bolsas de guidão e bolsas de  bagageiro. Não levamos nada além do que já iríamos carregar nos alforjes até Santiago. Chegamos em Madrid 6:30 da manhã no horário local e fomos então até o Hostel onde tínhamos reserva para deixar nossos alforjes enquanto resolvíamos a questão das bikes. Às 10h fomos até a loja, levamos os acessórios para serem instalados nas novas bikes e acertamos um transfer para o dia seguinte até o local onde pegaríamos o ônibus (também com passagem já comprada desde o Brasil) com as bikes devidamente embaladas para a viagem. Depois saímos pelo centro de Madrid para passear um pouco e conhecer alguns pontos turísticos.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Com Juan, da loja de bicicletas.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Amanhecer no centro de Madrid.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Parque Bom Retiro

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Banco de Espanha.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Jardins de Sabatini…

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Palácio Real

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Plaza Mayor

Dia 0 (antes de iniciar o pedal) – Indo para Ronscesvalles:

Como combinado fomos até a loja e eles nos levaram até o aeroporto, de onde saía o ônibus que nos levou até Pamplona e, de lá, pegamos outro busão até Roncesvalles. Tudo muito cronometrado e deu certinho!

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Nossa bagagem pronta para embarque no ônibus.

Chegamos em Ronscevalles as 17h do dia 09/05/15.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Capela de Santiago em Roncesvalles.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Em frente ao albergue La Colegiata

Nessa hora é que foi preciso nos organizar: escolhemos um local ainda fora do albergue para abrir as caixas e montar as bicicletas. Ali o Ari ficou fazendo a montagem enquanto eu fui fazer o check-in no albergue. Neste albergue era possível fazer reserva antecipada, e nós já tínhamos feito isso garantindo cama para aquela noite, já que além deste albergue só tem mais uma pequena pousada em Ronscesvalles. Check-in feito, camas reservadas (eram numeradas) e jantar comprado, voltei para ajudar o Ari com as bicicletas. Terminamos a montagem eram 19h aproximadamente e nosso jantar estava marcado para a partir das 20:30h. Fomos deixar as bicicletas em um local seguro para passar a noite, guiados por um hospitaleiro holandês, muito bem humorado por sinal, e depois fomos tomar banho para ir ao jantar.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Naquela noite fazia bastante frio, fomos jantar no restaurante Casa Sabina o menu do peregrino, um padrão de refeição servida em vários restaurantes em todo o percurso do Caminho. O menu serve um primeiro prato, um segundo prato e mais sobremesa, acompanhados de vinho ou água. Beeem servido hein?! Com esse menu ninguém passar fome, rsrsrs. Durante o jantar, dividimos a mesa com um californiano e um francês, que já havia morado em Buenos Aires e em São Paulo. Ambos faziam o Caminho sozinhos a pé e já haviam feito a primeira etapa que é de San Jean Pied de Port até Ronscesvalles. A conversa rolou solta durante todo o jantar, a maior parte do tempo em inglês, mas também um pouco em francês e português, foi muito bacana esse clima do jantar para entrarmos no clima do Caminho. Voltamos para o albergue para enfim dormir. Não sou fresca, fui bailarina na adolescência, na época viajava com o grupo e dormíamos em alojamentos, aprendi desde cedo a dividir e achar normal essa coisa de coletividade. Mas é lógico que a gente estranha, dormir num mesmo cômodo com pessoas que nunca vimos, dividir banheiros e tal, mas com o passar dos dias você se adapta. A cada dois beliches tinha uma divisória de madeira formando “mini-quartos” para 4 pessoas, e no beliche ao lado do nosso estavam duas francesas.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Preparando a cama.

Deitamos e eu logo adormeci, mas lá pelas 3h da manhã tive vontade de ir ao banheiro, levantei , voltei para a cama e tentei dormir de novo, a ansiedade de começar a pedalar não me deixou mais dormir direito, e a sinfonia de roncadores na madrugada é alta! Às 5h da manhã começa o barulho  dos peregrinos se preparando para sair (é isso mesmo, quem caminha sai com o dia ainda escuro). As francesas cochichavam, às 6h começo a ouvir um som de música bem longe, e me dou conta que tinha alguém  tocando violão ali perto. Olhei de cima do beliche e eram os hospitaleiros que nos despertavam ao som de “wake up litle Susy”. Que lindo, que mágico! Era hora de levantar e começar o primeiro dia de pedal. Para não ficar muito extenso, contarei num próximo post… 😉