Caminho de Santiago de bike – Etapa 4 – de Navarrete a Belorado

Mais um dia começa, e o 4º dia de pedal pelo Caminho de Santiago de bike sai de Navarrete com um lindo sol, com a promessa de mais um dia incrível. Passamos por muitos campos de trigo, com uma estrada de chão que desenhava nosso trajeto à frente em meio à  todo aquele verde.

Caminho de Santiago de bike

Muitas formas de percorrer o Caminho…

Caminho de Santiago de bike

Caminho de Santiago de bike

Mais um dia de muito calor, hoje tínhamos poucas subidas, mas fizemos várias paradas nas fontes para pegar água.

Caminho de Santiago de bike

Parada em uma das abençoadas fontes…

Ainda não era meio dia quando chegamos no nosso destino para almoço: Santo Domingo de La Calzada. Mais uma cidade importante do Caminho e chegando lá percebemos que era um dia de festividade, as famílias na rua,  muitos restaurantes com mesas na rua e logo escolhemos um para apreciarmos uma paella.

Caminho de Santiago de bike

Catedral de Santo Domingo de la Calzada

Almoçamos e fomos passear pela cidade, visitamos a catedral e  ainda participamos de uma degustação de lingüiça com pão que acontecia na praça por conta da festa regada a uma tacinha de vinho. Afinal, diz um ditado que “De pan e vino se faz El Camino!”

Caminho de Santiago de bike

Nas praças, a disputa por um banquinho é grande…

Continuamos dando uma circulada pelas ruazinhas da cidade, e quem encontramos? Katia e Mariano (o casal que cohecemos no inicio da jornada)! Foi aí que nos aproximamos e descobrimos que eram pai e filha, espanhóis, moram em cidades diferentes (Ele em Guadalajara e ela em Bilbao) e resolveram fazer uma parte do caminho este ano. Sim, muitos espanhóis fazem isso, fazem um trecho, no ano seguinte mais um trecho, até que completam… Eles nos disseram que iriam somente até Burgos e de lá cada um seguiria para sua cidade. Tiramos foto com eles na frente da Catedral, nos despedimos e tínhamos certeza que cada dupla seguiria seu Caminho, talvez cruzando em mais algum ponto lá na frente, mas mais tarde descobrimos que não seria bem assim…

Caminho de Santiago de bike

Com nossos amigos ciclistas espanhóis Katia e Mariano.

Depois de visitar algumas lojinhas, comemos algumas cerejas (de novo :-D) e então resolvemos partir.

Caminho de Santiago de bike

Ainda não tínhamos decidido onde terminaríamos o dia, já tínhamos percebido que apesar de termos antecipadamente planejado as etapas, agora o Caminho já nos guiava e não tínhamos mais nada rigidamente programado, fomos deixando a viagem fluir… Pensamos em parar embaixo de alguma árvore já saindo de Santo Domingo, estávamos adiantados e pensamos que seria bom uns minutos de preguiça, mas não achávamos nenhum local que fosse atrativo para encostar as bikes e ficar na sombra, além disso um vento contra nos dizia que devíamos continuar pedalando porque a moleza do dia tinha acabado. À frente, uns 500 metros talvez, avistamos Katia e Mariano também enfrentando o vento bravamente, e próximo deles mais um ciclista que não tínhamos visto ainda até ali. Aos poucos fomos alcançando-os e logo estávamos os cinco formando um pelotão na guerra contra o vento, seguimos assim juntos até o próximo povoado, onde paramos numa fonte para beber água, descansar e de quebra bater um papo. O outro ciclista se chama Tony, espanhol também, de Écija. Logo estávamos os cinco na maior prosa e dando risadas…

Caminho de Santiago de bike

Minutos de prosa e risadas com Katia, Mariano e o novo amigo Tony, também espanhol.

Seguimos juntos a partir dali, e combinamos que caso acontecesse de alguém ficar para trás, nos encontraríamos no povoado de Belorado, no primeiro albergue da cidade.

Caminho de Santiago de bike

Caminho de Santiago de bike

Entrando na Provincia de Burgos.

Eu e o Ari acabamos em um momento avançando muito à frente e nos separamos deles, mas sabíamos do combinado e assim fizemos, chegando em Belorado ficamos no primeiro albergue esperando nossos novos amigos, e eles chegaram! Nos hospedamos todos no mesmo quarto com outros três peregrinos, depois de cada um tomar seu banho, dividimos a máquina de lavar roupas e sentamos no bar do albergue para contar mais sobre nossas vidas e beber umas Cañas (cervejas). Parecíamos velhos amigos, jantamos juntos e quando as risadas deram lugar aos bocejos fomos todos dormir felizes por mais uma etapa concluída…

Continua…

Se este foi o primeiro artigo que achou, clique aqui e acompanhe desde o começo os relatos dessa lindíssima viagem pelo Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta.

😀

Caminho de Santiago de bike – Etapa 3 – De Estella a Navarrete

E vamos a mais uma etapa do Caminho de Santiago de bike:

Levantamos, tomamos nosso café no albergue mesmo e antes de sair, pedi pro Ari dar uma olhada no câmbio da minha bike. Meio contrariado, ele começou a mexer mas já avisando que não sabia se ia dar certo. E realmente a coisa desandou, ao invés de arrumar, piorou! Ficamos ali uma meia hora, eu segurando a bike (já arrependida de ter insistido pra ele mexer!) e ele tentando ajustar o câmbio enquanto reclamava, depois de muitos desajustes, arrumou!! UFA!! Seguimos então para mais um dia, inicialmente nosso objetivo era Logroño, mas durante o dia mudamos  os planos.  Andamos poucos km e logo chegamos na fonte da Bodegas de Irache, uma fonte onde há duas torneiras: uma de água e outra de vinho! Ok, era muito cedo (umas 9h da manhã) pra tomar vinho, mas precisávamos cumprir tabela e tomar esse vinho.. Tomamos um golinho cada, completamos as caramanholas (garrafinhas/squeezes) com água, as fotos de praxe e seguimos.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Um gole de vinho…

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

“Túneis verdes” pelo caminho.

Logo encontramos um bar/café muito charmoso, num local que merecia uma parada, tomamos mais um cafezinho.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Seguindo a frente, passamos por plantações de uvas, uma vinícola na base de uma montanha com um Castello no topo: Villamayor de Monjardin, linda paisagem!

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Nesse dia ainda fazia calor, seguimos com bastante sol, passando pela cidade de Los Arcos, depois Sansol  e em Viana paramos para comer algo.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Passando entre os campos de trigo…

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

O Caminho sempre nos leva a passar no meio das cidades…

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Passando pela cidade de Los Arcos.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Paradinha pra olhar o Guia.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Entrando em Viana.

Ari sempre cavalheiro me perguntou o que eu tinha vontade de comer, respondi: Ovo frito!! 😀  A cidade estava bem movimentada, muitas mesas na rua e enquanto escolhíamos uma lanchonete, uma  peregrina sueca chamava a todos que passavam para dividir com ela um Schnaps, havia tirado as botas e cantava alegre, acho que pela quantidade de schnaps que já tinha tomado… Parecia feliz! Sorri pra ela e fui comer meu pão com ovo.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

A linda Catedral de Viana…

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Cidade de Viana, movimentada quando passamos.

Depois  do lanche, tomamos uma sangria em um bar, compramos cerejas frescas (frutas da época) para comermos durante a tarde e voltamos para a estrada.
Durante a tarde o calor apertou mais uma vez, mas seguimos comendo nossas cerejas e rapidamente fomos vencendo os 49km que tínhamos programado. Chegamos em Logroño!

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Chegando em Logroño.

Cidade grande, linda! Linda ponte, linda catedral. Mas resolvemos  seguir e dormir numa cidade a frente, menor, mais calma: Navarrete. Pra sair de Logroño é um pouco confuso (Li isso em vários relatos antes de ir… ). Por todo o caminho existem as placas e setas amarelas, é difícil se perder, mas seguimos o guía de ciclistas e acabamos caindo num trecho sem sinalização e com muitos carros.

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Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Quando esperávamos um semáforo abrir, um senhor local que estava do outro lado da rua fez sinal para esperarmos por ele, que atravessou e veio falar conosco. “Querem sair da cidade?” Perguntou ele. “Vou explicar um caminho para saírem desse trânsito.” Nos deu a direção e chegamos então numa ciclovia, por dentro de um lindo parque e seguimos tranquilamente nossa rota. Mais um “Anjo do caminho”, pensamos…
Chegando em Navarrete, procuramos o albergue municipal que não tinha local para guardar as bicicletas durante a noite e nos aconselharam a não deixá-las na rua, mesmo que amarradas. Nos indicaram outro albergue, e neste as bicicletas ficaram na garagem da casa, devidamente guardadas. Tomamos nosso banho, e saímos a caminhar pela pacata cidade.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Única foto de Navarrete – a Catedral.

Tomamos algumas “cervezas “ para aliviar o calor enquanto aguardávamos abrir o restaurante que escolhemos para jantar. Entrando no restaurante haviam expostas algumas Compostelanas (certificado de quem completou o caminho de Santiago),  sentamos em uma mesa e quando a moça veio tirar nossos pedidos, sentou-se à mesa conosco, muito simpática, falando baixinho, e nós curiosos, perguntamos a ela se alguma das Compostelanas eram dela. Ela disse que sim, que havia caminhado desde Berlim!! Foram três meses caminhando até Santiago: 2.600km! Uau!! Ficamos impressionados e ela contou que durante sua peregrinação ficou tão agradecida com o que o Caminho deu a ela e ao companheiro, que resolveram retribuir de alguma forma e foram morar ali, abrindo um albergue com restaurante chamado Pilgrim’s. Foi uma das melhores refeições que fizemos durante nossa jornada, um tempero delicioso, ótimo serviço, local muito agradável, bem decorado, adoramos! Depois disso retornamos ao albergue e tentamos descansar, foi uma noite extremamente quente, mas conseguimos dormir.

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Caminho de Santiago de bicicleta – Etapa 2 – De Pamplona a Estella

Eis que começa o terceiro dia da viagem no Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta, segue mais uma etapa percorrida:

Mais uma vez estávamos entre os últimos a saírem do albergue, fazia frio, algo em torno de 12 graus.

Caminho de Santiago de Compostela

Saída do albergue.

Fomos buscando as setas até encontrarmos um café para o “desayuno”. As bikes ficaram do lado de fora, café com leite, pão com manteiga na chapa e suco de laranja. Seguimos adiante, era o dia de encarar a subida para o Alto Del Perdón, sabíamos que havia um desvio por asfalto para bicicletas, mas queríamos seguir ao máximo o verdadeiro “caminho dos peregrinos”.

Caminho de Santiago de Compostela

Pelas ruas de Pamplona.

Logo que deixamos Pamplona, passamos por Cizur Menor, um povoado que parecia um condomínio, com casas muito bonitas, modernas e com ruas pavimentadas. Logo depois, entramos numa trilha, a qual seguia em direção a uma montanha tomada por geradores eólicos: é pra lá que vamos!

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Mal entramos nessa trilha e avistamos, no sentido contrário, um senhor caminhando, que quando nos viu acenou para pararmos e perguntou por onde pretendíamos passar. Respondemos que iríamos “por camino” e ele prontamente nos disse: “não!”. “Não vão por aí, porque irão sofrer muito, a trilha é muito ruim, pedras soltas, muitos peregrinos. Há um desvio por carretera (asfalto) com pouco trânsito.” E nos deu as coordenadas.
Nosso guia também tinha esse desvio como opcional, mas tínhamos como objetivo fazer a maior parte pelo caminho, porém sem sofrer desnecessariamente!

Caminho de Santiago de Compostela

Parada para tirar os casacos e fazer uma foto na frente de um monte de fardos (eles estão em vários trechos por onde passamos)…

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Foto na frente da imagem de fundo de tela do Windows…

Caminho de Santiago de Compostela

Seguimos a dica do nosso “anjo” do dia e fomos até onde ele indicou pela trilha, subindo e com bastante calor já, até chegar no povoado de Zariquiegui onde ficava a saída para o desvio e por onde observamos que outros ciclistas também iam seguindo.

Caminho de Santiago de Compostela

Descemos um bom pedaço e logo chegamos no asfalto para novamente subir! A estrada estava praticamente deserta e seguimos com tranquilidade até o monumento Alto Del Perdón.

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Lá paramos, tiramos muitas fotos, afinal, é um dos marcos importantes do caminho. Depois sentamos num gramado para comer uma maçã e observar aquela paisagem incrível! Que paz, que felicidade…

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Eufóricos por estarmos ali…

Caminho de Santiago de Compostela

Monumento no Alto del Perdón.

Momento descanso encerrado, hora de descer! Uma guia turística nos chama e pergunta se vamos descer pela trilha, disse que é muito complicado descer com bike carregada por ali, outros amigos também já haviam alertado, além do nosso guia espanhol.  Seguimos então pela carretera, e mais à frente passamos pelo Ivan, nosso amigo paulista que fazia o Caminho a pé e estava no mesmo albergue nós na noite anterior.

O Ivan filmou todo o percurso dele e aqui está o vídeo do momento em que passamos por ele, aparecemos a partir do minuto 2:21:

Dali, logo pegamos um desvio recomendado pelo guia, que nos levou à Ermita de Santa Maria de Eunate, construída no Século XII. Estava fechada, como muitas igrejas que passamos em toda a viagem, mas valeu a visita pra conhecê-la ao menos por fora, belíssima.

Caminho de Santiago de Compostela

Ermita Santa Maria de Eunate.

Seguimos nossa rota e chegamos a Puente La Reina onde prevíamos almoçar, encontramos um restaurante com Menu Peregrino e ali comemos muito bem, acompanhados de uma taça de vinho, afinal fazíamos “poco a poco” nosso Caminho…

E depois do farto (e gordo) almoço, sentimos que precisávamos esperar para seguir pedalando, paramos em frente a famosa ponte antiga, e que dá nome à cidade, sentamos na sombra de uma árvore, descansamos e até cochilamos um pouco. Depois disso, decidimos que não mais almoçaríamos assim,  faríamos apenas lanches e jantaríamos bem no fim do dia.

Caminho de Santiago de Compostela

Já eram 15h quando resolvemos seguir, o sol ainda estava forte, colocamos nossas camisetas de manga longa para proteger a pele e lá fomos em direção a Estella, nosso destino daquele dia. Logo na saída de Puente La Reina, subidaaaaa…. Toda asfaltada, era uma estrada secundária e o calor maltratou-nos um pouco. Subida vencida, encontramos uma fonte para abastecer as caramanholas e a água saía geladinha! Outros peregrinos também pararam ali, havia uma grande sombra, mas nós só bebemos água e fomos em frente. Voltamos para a estrada de chão, muitas subidas e descidas, em um trecho havia uma escada, e no fim dela um buraco gigante com degraus em desnível muito alto, precisamos atravessar as bikes carregadas uma de cada vez, assim nos ajudamos.

Caminho de Santiago de Compostela

Mais um bom pouco de trilha e meu câmbio desregulou… Na marcha mais leve ele batia no pneu e eu precisava fazer mais força para subir, além de fazer um barulho chato, e eu logo reclamei que precisaríamos arrumar. O Ari resistiu, disse que era arriscado mexer, mas eu sabendo dos desafios que estavam por vir, insisti e segui resmungando com meu cambio desregulado mesmo… Lá pelas 16h chegávamos em Cirauqui, um vilarejo que fica no topo de uma colina, comentamos entre nós: ah, uma coca-cola agora seria bom né? Não somos tomadores do líquido no dia-a-dia, mas nestes pedais longos a gente acaba vez em quando se rendendo. Chegando na cidade, vimos um outro ciclista já no alto enquanto subíamos a ladeira o Ari gritou: Ei!! Por aí tem Coca-Cola? Um bar para uma Coca-cola? E o homem gritou: Sí!!! E seguiu o caminho dele. Subimos bem empolgados e chegando lá, não havia nada, nem bar, nem uma viva alma na cidade ou máquina de refrigerante. Lá na Espanha se faz a siesta das 14h às 17h e fecha tudo, tudo mesmo!! Concluímos que o outro ciclista não entendeu o que o Ari falou… Ok, continuamos pedalando e pensando na Coca-cola…

Caminho de Santiago de Compostela

Pensando na Coca-cola…

Mais à frente, voltamos a encontrar o tal ciclista, que depois descobrimos ser espanhol e dessa vez quando nos viu gritou acenando: Coca-cola!! E depois em outras vezes que nos cruzamos ele repetia: Coca-cola!! Caímos na risada, achamos que ele entendeu como um cumprimento, ou nos apelidou assim… Chegamos em Estella bastante cansados, já passava das 17h e o primeiro albergue que procuramos estava cheio, o segundo também cheio, mas nos deram a dica de um albergue novo, e indicaram como chegar. Como eu era quem tinha entrado no albergue e recebido as informações, dei a direção de para onde pedalaríamos, e fomos seguindo por uma carretera que parecia sair da cidade. Depois de uns 4km percebemos que estávamos indo para o lado contrário! Aff!! O Ari que já estava meio nervoso pela falta de pouso, ficou ainda mais nervoso com meu feito . Voltamos tudo na maior velocidade que eu consegui…  Eu também fiquei bastante nervosa, pedalava quase chorando, com toda força, afinal se não conseguíssemos ficar neste albergue talvez tivéssemos que seguir para a próxima cidade que era bem menor e o horário já não era favorável pra conseguir algo lá também. Até que achamos o tal albergue, o Ari entrou para ver se tinham vaga e eu fiquei na rua, sentei numa calçada e chorei, esgotada do cansaço e já com medo de não conseguir seguir até o fim da viagem… De repente saem de dentro do albergue Mariano e Katia, pai e filha espanhóis, que encontramos lá no começo em Ronscesvalles. Quando me viram vieram falar comigo, disseram que o dia pra eles também tinha sido sofrido, com o calor e a altimetria, mas que aquele albergue era muito bom e que eu teria um bom descanso. Logo me acalmei e o Ari voltou dizendo que tinha conseguido um quarto  privado pra nós com banheiro e tudo, um luxo! Claro que saiu mais caro que um albergue como o que vínhamos ficando, mas logo pensei: tudo tem uma razão e talvez essa tensão no fim do dia tenha acontecido para que tivéssemos essa noite de conforto. Agradeci ao meu querido por esse carinho… Conseguimos lavar nossas roupas que estavam acumuladas do dia anterior, bebemos umas cervejas com jamón, e depois tivemos um ótimo jantar no próprio albergue, onde conhecemos algumas brasileiras e tivemos mais um agradável fim de noite. Nem preciso dizer que foi uma noite muuuuito bem dormida… 😀

Caminho de Santiago de Compostela

Igreja na chegada em Estella.

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Caminho de Santiago de bicicleta – Etapa 1 – De Roncesvalles a Pamplona

Enfim chegou nosso primeiro dia de pedal, agora era oficial, iríamos começar o Caminho de Santiago de Compostela… Como a luz do dia começava a aparecer por volta das 7h, nós não tínhamos nenhuma intenção de sair antes disso, não levamos faróis e sair no escuro de bicicleta torna-se  arriscado, além de não vermos nada das paisagens. Portanto, ao sermos acordados às 6h, começamos a nos arrumar calmamente e fomos uns dos últimos a deixar o albergue.

Caminho de Santigo de Compostela

Fomos ao mesmo restaurante em que jantamos na noite anterior, tomamos café com tostadas, geléia e  suco de laranja. Fotos da saída e finalmente entraríamos no Caminho!

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Já fazia sol, temperatura agradável, paramos na tradicional placa que indica a quantidade de kms para chegar em Santiago, um casal também de bicicleta se aproximou (mais tarde descobrimos que eram pai e filha) e aproveitamos para tirar foto deles e eles de nós.

Caminho de Santigo de Compostela

Agora sim, vamos ao Caminho…  Era uma trilha com leve declive por dentro de um bosque bem fechado, muito verde e fazia muito frio, mas eu não conseguia parar de olhar em volta e agradecer ao universo por me trazer até ali.

Caminho de Santigo de Compostela

Logo paramos para vestir mais roupas, colocar luvas e proteger o pescoço. Em pouco mais de 3km chegamos a Burguete, cidadezinha simpática, muito limpa, organizada e charmosa, mas sem ninguém na rua além de peregrinos.

Caminho de Santigo de Compostela

Quase na saída da cidade, nos deparamos com uma procissão, que vinha no sentido contrário, achamos um pouco esquisita, homens com capuzes pretos, cruzes grandes apoiadas nos ombros e gritando algo que não entendemos, seguidos pela comunidade. Até hoje não conseguimos descobrir do que se tratava, mas com certeza era alguma comemoração. As cidades são na maioria muito pequenas, em menos de 10 minutos estávamos saindo de Burguete e logo começamos a subir uma montanha, hora passávamos pelo Caminho ( a trilha original onde os caminhantes seguem) hora pela carretera, estrada de asfalto que desviava do percurso original, mas que seguia sempre paralelamente.

Caminho de Santigo de Compostela

Costumávamos usar a carretera em momentos onde o trecho original do caminho era complicado para passar com as bicicletas, para isso usamos um guia comprado na Espanha mesmo, próprio para fazer o caminho  pedalando e que indica esses trechos  “impedaláveis”, dando todo o percurso do desvio.

Avistamos um café-bar (são vários durante todo o Caminho) e paramos para o segundo café do dia. Os cafés de todo o percurso são deliciosos e uma média custa aproximadamente 1,10/1,20 euros.

Caminho de Santigo de Compostela

Continuamos pedalando por mais trechos de asfalto e algumas trilhas, começou a esquentar e logo fomos tirando os casacos. Passamos vários trechos assim, sempre muito agradável e onde havia movimento de carros, o respeito da distância dos ciclistas era visível.

Caminho de Santigo de Compostela

Caminho de Santigo de Compostela

Depois de um difícil trecho de trilha, por pedras soltas, chegamos  ao Alto do Erro. Ali paramos para comer uma maçã que levávamos no alforje, perto de um pequeno trailer que funcionava como lanchonete. Lá outros ciclistas da região faziam um lanche e como ali era mais um trecho onde dava pra seguir pela carretera, fomos informados que seria mais tranquilo seguir pelo asfalto, não era o nosso plano, mas resolvemos seguir o conselho e fomos presenteados com um longo declive em asfalto lisinho e quase sem trânsito. 😀

Caminho de Santigo de Compostela

Passamos  rapidamente por Zubiri, seguindo sempre pela carretera, ali a circulação de carros era maior e como queríamos mais paisagens do que estrada, logo decidimos voltar para o Caminho, fomos entrando então num passeio/ciclovia, que passava ao lado de um rio muito bonito. Muitas famílias fazendo picnic, churrasco embaixo de árvores e aproveitando o domingo. Uma delícia! E nós só sentindo o cheiro  do churrasco!

Caminho de Santigo de Compostela

Chegamos a Pamplona por dentro de um parque, também cheio de gente aproveitando, passeando e seguindo as placas logo estávamos na entrada da cidade antiga. Já passava do meio dia e nosso primeiro desejo era almoçar e depois seguir até a próxima cidade que ficava a 4 km dali.
Caminhamos pelas pequenas ruas procurando restaurante e bem na frente da praça onde acontece a famosa Festa de San Firmino. O dono de um restaurante que tinha mesas ao ar livre na praça nos abordou e ofereceu seu cardápio, ali começou uma intensa negociação, pois nós achamos que ele queria nos enrolar, foi baixando o valor do prato individual mas tínhamos que comer dentro do restaurante. Como não queríamos deixar as bicicletas com bagagem na rua, mas também não queríamos desmontar tudo pra entrar no restaurante, íamos desistir e procurar outro lugar. Mas ele não se contentou, ficou cuidando das bicicletas pra nós, enquanto comemos um prato muito bem servido, com filé, salada, fritas e ovos.
Satisfeitos, resolvemos dar uma circulada pela cidade e logo resolvemos que não seguiríamos mais naquele dia, decidimos dormir em Pamplona. Procuramos um albergue, achamos o Jesus e Maria e nos instalamos. Depois de um bom banho tomado, saímos pra caminhar, conhecer um pouco da cidade.
Fomos até a Plaza Mayor, tomamos um sorvete e ficamos lá na grama, observando o movimento e ouvindo um músico tocando violino. Para o jantar, compramos num mercadinho pão, jamón (presunto cru muito popular na Espanha e delicioso!), queijo, vinho e jantamos na cozinha do albergue mesmo, ao lado de um casal alemão, que estava caminhando pela região á 4 meses já.  No mesmo albergue que nós, estava hospedado o Ivan Silverio, paulista que conhecemos através do grupo Caminho de Santiago no facebook e logo nos encontramos e passamos um agradável fim de tarde junto dele e  de mais duas brasileiras, a Cristina e a Luciana.

Caminho de Santigo de CompostelaNa hora de dormir, foi mais uma sinfonia de roncadores, mas os tampões no ouvido e um relaxante muscular me fizeram dormir bem…

Continua no próximo post…

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Caminho de Santiago de bicicleta – Início.

Fazer o Caminho de Santiago, seja a pé ou de bicicleta é uma experiência única. Cada pessoa o faz por um motivo, mesmo que o faça junto de outro, a percepção de tudo, as interações, as sensações e como esse período de peregrinação irá influenciar a sua vida, ou não, também é individual. Ao todo, percorremos 790km a partir de Roncesvalles, não fizemos a primeira etapa que começa em San Jean Pied de Port na França por alguns motivos, entre eles a dificuldade da subida com a bike e alforjes. O objetivo aqui não é, de forma alguma, julgar o que é certo ou errado, de onde as pessoas devem começar, se devem fazer de bike ou a pé, só pela trilha original ou usar a carretera. Mas a título de ilustrar um pouco do que é o Caminho de Santiago, fizemos esse relato, tentando retratar um pouco do que vivenciamos. Como foi uma viagem de 15 dias, serão vários posts com partes da viagem:

Um dia em Madrid:

Nosso vôo desde o Brasil foi até Madrid, pernoitamos lá para podermos comprar nossas bikes. Decidimos que iríamos comprar duas novas magrelas pra nós, então negociamos tudo antecipadamente do Brasil e partimos levando apenas os alforjes já com nossas roupas e os acessórios que tínhamos: bagageiros, pedais, capacetes, sapatilhas, bolsas de guidão e bolsas de  bagageiro. Não levamos nada além do que já iríamos carregar nos alforjes até Santiago. Chegamos em Madrid 6:30 da manhã no horário local e fomos então até o Hostel onde tínhamos reserva para deixar nossos alforjes enquanto resolvíamos a questão das bikes. Às 10h fomos até a loja, levamos os acessórios para serem instalados nas novas bikes e acertamos um transfer para o dia seguinte até o local onde pegaríamos o ônibus (também com passagem já comprada desde o Brasil) com as bikes devidamente embaladas para a viagem. Depois saímos pelo centro de Madrid para passear um pouco e conhecer alguns pontos turísticos.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Com Juan, da loja de bicicletas.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Amanhecer no centro de Madrid.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Parque Bom Retiro

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Banco de Espanha.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Jardins de Sabatini…

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Palácio Real

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Plaza Mayor

Dia 0 (antes de iniciar o pedal) – Indo para Ronscesvalles:

Como combinado fomos até a loja e eles nos levaram até o aeroporto, de onde saía o ônibus que nos levou até Pamplona e, de lá, pegamos outro busão até Roncesvalles. Tudo muito cronometrado e deu certinho!

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Nossa bagagem pronta para embarque no ônibus.

Chegamos em Ronscevalles as 17h do dia 09/05/15.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Capela de Santiago em Roncesvalles.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Em frente ao albergue La Colegiata

Nessa hora é que foi preciso nos organizar: escolhemos um local ainda fora do albergue para abrir as caixas e montar as bicicletas. Ali o Ari ficou fazendo a montagem enquanto eu fui fazer o check-in no albergue. Neste albergue era possível fazer reserva antecipada, e nós já tínhamos feito isso garantindo cama para aquela noite, já que além deste albergue só tem mais uma pequena pousada em Ronscesvalles. Check-in feito, camas reservadas (eram numeradas) e jantar comprado, voltei para ajudar o Ari com as bicicletas. Terminamos a montagem eram 19h aproximadamente e nosso jantar estava marcado para a partir das 20:30h. Fomos deixar as bicicletas em um local seguro para passar a noite, guiados por um hospitaleiro holandês, muito bem humorado por sinal, e depois fomos tomar banho para ir ao jantar.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Naquela noite fazia bastante frio, fomos jantar no restaurante Casa Sabina o menu do peregrino, um padrão de refeição servida em vários restaurantes em todo o percurso do Caminho. O menu serve um primeiro prato, um segundo prato e mais sobremesa, acompanhados de vinho ou água. Beeem servido hein?! Com esse menu ninguém passar fome, rsrsrs. Durante o jantar, dividimos a mesa com um californiano e um francês, que já havia morado em Buenos Aires e em São Paulo. Ambos faziam o Caminho sozinhos a pé e já haviam feito a primeira etapa que é de San Jean Pied de Port até Ronscesvalles. A conversa rolou solta durante todo o jantar, a maior parte do tempo em inglês, mas também um pouco em francês e português, foi muito bacana esse clima do jantar para entrarmos no clima do Caminho. Voltamos para o albergue para enfim dormir. Não sou fresca, fui bailarina na adolescência, na época viajava com o grupo e dormíamos em alojamentos, aprendi desde cedo a dividir e achar normal essa coisa de coletividade. Mas é lógico que a gente estranha, dormir num mesmo cômodo com pessoas que nunca vimos, dividir banheiros e tal, mas com o passar dos dias você se adapta. A cada dois beliches tinha uma divisória de madeira formando “mini-quartos” para 4 pessoas, e no beliche ao lado do nosso estavam duas francesas.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Preparando a cama.

Deitamos e eu logo adormeci, mas lá pelas 3h da manhã tive vontade de ir ao banheiro, levantei , voltei para a cama e tentei dormir de novo, a ansiedade de começar a pedalar não me deixou mais dormir direito, e a sinfonia de roncadores na madrugada é alta! Às 5h da manhã começa o barulho  dos peregrinos se preparando para sair (é isso mesmo, quem caminha sai com o dia ainda escuro). As francesas cochichavam, às 6h começo a ouvir um som de música bem longe, e me dou conta que tinha alguém  tocando violão ali perto. Olhei de cima do beliche e eram os hospitaleiros que nos despertavam ao som de “wake up litle Susy”. Que lindo, que mágico! Era hora de levantar e começar o primeiro dia de pedal. Para não ficar muito extenso, contarei num próximo post… 😉

 

6 Dicas para pedais de longa duração

Vocês já imaginaram passar 4, 5 ou mais horas pedalando por aí?

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Hoje vamos te dar dicas de como fazer um pedal longo sem voltar pra casa um morto-vivo ou arrependido da aventura.

1 – PLANEJAMENTO – Antes de mais nada ele precisa ser planejado ok? Não dá pra sair pra fazer 15km e de repente mudar de idéia e fazer na sorte 115km, pode ser traumatizante. Planeje o roteiro, veja se tem muitas subidas, se elas são isoladas em uma parte do trajeto e em todo ele (preparar o psicológico para possíveis perrengues é uma ótima dica!) busque companhia e abasteça-se do que vai precisar durante o trajeto.

2 – RESISTÊNCIA FÍSICA – Não aventure-se a percorrer 90km de uma vez se você só está acostumado a pedalar 9 km diariamente pra ir ao trabalho. Treine seu corpo, pedale ao menos 3 vezes na semana regularmente e escolha um dia da semana para ir aumentando as distâncias progressivamente. Isso também vai proporcionar que você acostume a sua bunda a ficar tanto tempo em contato com o selim (banco da bicicleta). Por ser o maior ponto de contato do seu corpo com a bike, é ela (a bunda) quem vai te fazer sofrer mais se a região não estiver acostumada, ou como chamamos:calejada. A escolha de um bom selim também ajuda, o blog Pedal Glamour já escreveu um super post sobre o assunto e a gente recomenda a leitura.

3 – CONFORTO – Ainda sobre bundas, selins e assaduras: não use calcinhas ou cuecas por baixo da roupa de ciclismo, isso vai lhe trazer um conforto muito maior durante o  pedal longo, acredite. Faça o teste e depois nos conte! As bermudas/calças de ciclismo possuem aquela proteção de espuma que são feitas pra isso, pra usar sem nada por baixo, depois você dá aquela lavada caprichada quando chegar em casa e voilá! Tá nova!

4 – PORTEÇÃO SOLAR – No inverno a gente já anda de blusa comprida e calças que protegem bastante, mas nas outras estações do ano, sofremos muito com o sol na nossa pele, o sol forte e constante desidrata mais rapidamente e desgasta mais resultando inclusive em perda de rendimento, força. Além do filtro solar, indicamos usar uma camisa dryfit de cor clara, ela ajuda muito a manter sua pele protegida e mais fresca. Nas pernas, não vemos muito problema em pegar sol, só reaplique o filtro solar com frequência porque com o suor ele sai. E se o seu capacete não tiver aba protetora, leve um boné/chapéu para proteger melhor o rosto, evita de ficar com a marca das tiras do capacete nas bochechas.

5 – HIDRATAÇÃO – importantíssimo! Não fique mais de 20 minutos sem beber água. Esteja preparado com água suficiente para o trajeto, e se passar por algum bar/posto/lanchonete, compre água e reponha na sua caramanhola (garrafinha de água/squeeze). Se for pedalar em locais mais rurais ou despovoados, leve pastilhas de purificação de água (geralmente na Decathlon tem, ou lojas de artigos para trekking), assim você pega água nos rios e pode beber sem preocupação de estar ingerindo água imprópria para consumo humano.  E pedalar sem água não dá! Outra dica: para mantê-la fresca por mais tempo, um dia antes coloque água na caramanhola até a metade e deixe no freezer até a manhã seguinte. Antes de sair complete com a água gelada e pronto! Ela vai descongelando durante o dia e você tem sempre água geladinha pra beber!

6 – ALIMENTAÇÃO – leve algo para beliscar nas paradas durante o trajeto, pois ficar muito tempo pedalando sem comer vai te deixar mais fraco e cansado. Sugestões: mix de sementes e frutas secas, paçoquinhas de amendoim (adoro!), frutas frescas ou até um sanduíche caprichado feito em casa e levado no alforje ou bolsa. Isotônicos também são uma ótima opção para reposição de minerais  e o gel de carboidrato a cada 1 hora também dá uma boa energia para manter-se bem.

Então agora é planejar o próximo pedal e sair pra conhecer novos lugares, aproveitar cada vez mais!

 

Bicicletas em Madri

Antes de começar a contar sobre a nossa aventura no Caminho de Santiago de Compostela, queria contar um pouco do que vi em Madri, onde passamos um dia inteiro antes de ir para Roncesvalles, onde começamos o caminho.
Um dia é  muito pouco para conhecer essa cidade enorme e cheia de atrações turísticas e culturais, mas demos uma boa volta no centro e seus arredores e eu vou contar um  pouquinho do que eu vi.
Como não podia deixar de ser, fiquei muito atenta às ruas, e pra falar a verdade fiquei eufórica ao ver tanta gente com bicicletas em Madri, utilizando-a como meio de transporte mesmo. Tanto que mal conseguia fotografar… rsrsrs

Bicicletas em Madri

Vi muitas mulheres, indo e vindo no meio do trânsito de Madrid que é  bem frenético, e apesar de ter observado por pouco tempo, não vi nada de stress ou situações que colocassem em risco os ciclistas, todos se entendiam muito bem.

Bicicletas em Madri

Bicicletas em Madri

Bicicletas em Madri

Lá existe um sistema de aluguel de bicicletas, como o que estão tentando implantar em Floripa sabe? #Sóquenão… Lá são todas elétricas! 😀

Bicicletas em Madri

Bicicletas em Madri

Nessa última foto dá pra ver que as bikes têm cada uma um indicador da bateria: vermelha ou verde.
E o melhor de tudo: o respeito dos carros com pedestres e ciclistas, mesmo fora das ciclovias. É lindo de ver!! Nós não pedalamos em Madrid, mas enquanto pedestre era só se aproximar do meio-fio para atravessar a rua que o carro já parava antes de você descer o pé da calçada… Dava até uma emoção!! hahaha… “Ele parou pra mim? Mesmo?”
E com os ciclistas era nítido o respeito do espaço mínimo de 1,5m de distância, tudo muito natural. Como deveria ser em qualquer lugar né?

Bicicletas em Madri

Bicicletas em Madri

E ainda muito charme por todo o lado.. Encantadora Madrid! <3

Quero voltar pra te conhecer melhor viu?!

 

 

Treino para o Caminho de Santiago de Compostela de bike

Como alguns amigos já sabem, em maio eu e o Ari vamos fazer o Caminho de Santiago de Compostela de bike. Essa viagem pra Espanha está em nossos planos a mais de 2 anos e desde lá, nossas pequenas cicloviagens foram preparatórias para essa jornada. Assim, pudemos ir aos poucos percebendo o que seria necessário levar ou não, o que fazer com a mecânica das bikes caso tenhamos algum problema, o que fazer com alimentação, etc .

E agora que estamos a um mês de embarcar, fizemos mais uma pequena cicloviagem no Feriado de Páscoa que passou. Escolhemos um trajeto que representasse a altimetria (medição de altitudes) que vamos enfrentar em algumas partes do percurso lá na Espanha, afinal serão grandes subidas carregando bagagem suficiente para 20 dias (destes, 13 dias consecutivos serão pedalando).

O trajeto escolhido foi de Rancho Queimado a Leoberto Leal, trajeto de 50 km com altimetria aproximada de 1300 metros e mais 6 km até o Sítio São José, local que escolhemos para pernoitar em Leoberto Leal, casa de uma família de agricultores que participam da Acolhida na Colônia (programa criado pela Epagri que tem como proposta valorizar o modo de vida no campo através do agroturismo ecológico).

Montamos nossos alforjes com toda a bagagem que estimamos levar para a Espanha. E você deve estar pensando ser insano carregar 8 kg de bagagem morro acima para pernoitar apenas 1 dia. E é!! Pensei nisso em todas as subidas durante o trajeto. Mas esse foi o planejado, era pra ser um teste e precisava ser o mais próximo possível da realidade…

Na sexta-feira santa seguimos de carro até Rancho Queimado, ponto de partida. Começamos a pedalar as 11h, com previsão de chegada no sítio em Leoberto Leal entre 17h e 18h.

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O clima estava bem ameno e bastante sol, isso nos animou e um vento bem gostoso nos acompanhou durante todo o dia…
Logo nos primeiros quilômetros a paisagem surpreendia, depois de aproximadamente 8km a estrada de asfalto dá espaço ao chão batido e uma descida bem leve e gostosa nos levava até o Rio Bonito.

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Mais à frente a estrada volta a ser asfalto e seguimos por ela sempre contornada por hortênsias que devido à época do ano estavam com as flores secas, mas não deixa de ser bonita também.

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Chegamos na pracinha de Taquaras e ali decidimos fazer nossa parada de almoço: um sanduíche natural preparado em casa já que sabíamos que não haveria nada aberto devido ao feriado santo.

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Um sanduíche gostoso, numa sombra bem fresquinha… Ah, ali estava bom pra dar uma descansada de uma hora ao menos, mas tínhamos que cumprir nosso planejamento e então descansamos 15 minutos e seguimos nosso caminho.

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Começava a primeira grande subida. Bem desafiadora e apesar da brisa o sol estava quente, por isso troquei minha camiseta manga curta por uma dry fit manga longa. Parece que não, mas é mais fresco assim…

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Mais alguns quilômetros de muito verde e mais subidas, chegamos a uma encruzilhada onde havia um bar, no meio do nada. Paradinha para uma Coca-Cola, um papo com o dono do local e seguimos adiante.

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Cada subida: uma vitória, e quanto mais alto, mais compensadora a vista!

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Na última subida, a maior de todas no percurso, a prefeitura havia colocado na estrada um material para ajudar aos carros e caminhões transitarem, mas pra nós era impedalável! E em alguns momentos precisamos descer da bike e empurrar todo aquele peso morro acima…

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Muitos trechos com sombras, o que ajudou consideravelmente esses cicloturistas já cansados!!

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Até que chegamos no topo! Urrul!!! Agora era descer tudo até a cidade…

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Chegamos em Leoberto Leal já passava das 18h. Logo avistamos a prefeitura da cidade, foto para registro e fomos atrás de uma padaria para amansar o estômago antes que chegássemos no Sitio da Dona Vanda devorando até a grama!! #pedalarsempredáfome

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Mais 6 km pedalando até o Sítio São José, acompanhados de uma lua imensa que nascia atrás daquele morro que já tínhamos cruzado… Mas o cansaço era tanto que nem conseguimos fazer uma foto decente. 🙁

Dona Vanda e S. Valdir estavam nos esperando, fomos calorosamente recebidos com abraços e logo fomos tomar nosso banho para sentar à mesa com toda a família. Tivemos um agradável jantar com muita comida gostosa e boa conversa… Logo após o jantar fomos dormir, estávamos exaustos!

Noite muuuito bem dormida, com aquele silêncio que só o campo tem… No dia seguinte, já descansados, era hora de tomar um bom café com pão caseiro, rosca de polvilho, cuca, geléia… Oba!!

Preparamos nosso sanduíche para viagem, abastecemos as garrafinhas de água e carregamos as bikes para voltar pelo mesmo caminho que viemos.

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Foto com Dona Vanda e sua filha Djane, que está a espera de gêmeos!

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Sítio São José

Saímos 8:20h da manhã e de cara já tínhamos aquela longa subida pra escalar. Como era comecinho da manhã, estávamos descansados ainda e a subida foi melhor que o dia anterior.

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Foto na frente da Igreja Matriz – Clássica…

Ainda assim, o Ari como sempre parava a cada 400 metros para me esperar, já que sou bem mais lenta que ele nas subidas (na verdade em todas as ocasiões sou mais lenta que ele!!! Kkkk)

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Quem nos encontrava no caminho olhava assustado… Mas sempre ganhávamos um cumprimento!

Nesse comecinho da manhã quase não batia sol por onde passamos, o que tornava a subida menos desgastante…

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E Leoberto Leal foi ficando pra trás… ou seria pra baixo?

A volta foi mais rápida que a ida, desejávamos chegar em Rancho Queimado para o almoço, mas com o passar da manhã logo percebemos que mesmo sendo mais rápidos que o dia anterior não chegaríamos antes das 14h.

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Premiados com mais um dia de sol…

Paramos novamente naquele bar no meio do caminho, no meio do nada e o dono assou mini-pizzas para um lanche que repusesse nossas energias para continuar. Foi o  que conseguimos e o que nos recarregou as baterias no meio do dia…

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Já quase em Rancho Queimado de volta…

 

Chegamos em Rancho Queimado felizes e com a certeza de que a missão dessa viagem foi cumprida! Mais um trajeto desbravado e muitas dúvidas sanadas para a viagem que está por vir.

Curtiu?

Está planejando uma cicloviagem também? Conta pra gente!

Confira esse e outros relatos de cicloviagens também no blog BikeA2.

Telefone Sítio São José em Leoberto Leal: 48-32681154.

 

 

 

Viajar de bike: do Chuí à Montevidéu – Parte 2

Fim de semana chegando, logo mais temos o feriadão de Páscoa chegando, vem aquela vontade de fazer algo diferente… Que tal viajar de bike? Para dar uma inspirada e de repente aquele empurrão, seguimos com o relato da cicloviagem do casal aventureiro Aline e Ari, com as histórias do terceiro e quarto dia da cicloviagem no Uruguai.

Terceiro dia: Cabo Polonio – La Paloma

Viejo Lobo HostelApós o café da manhã improvisado, nos despedimos de Luiz, o Viejo Lobo, pegamos acentos na jardineira que nos levaria novamente a estação rodoviária, com a angústia de chegar logo e ver como estavam Thelma e Louise. Ufa, tudo certo com elas, arrumamos a bagagem toda nas meninas e rumamos para La Paloma, nosso destino depois de 57 quilômetros.

Perto do meio dia, estávamos passando por La Pedreira e resolvemos entrar para conhecer, pois as indicações eram sempre favoráveis, e precisávamos providenciar o almoço e a janta, que seria novamente no hostel.

Pierrette e RolandFoi na porta do pequeno supermercado de La Pedreira que encontramos, pela primeira vez, aqueles que seriam nossos companheiros de viagem pelos próximos dias: Pierrette e Roland. Casal de franceses, viajam o mundo sobre uma bicicleta tandem, pelo menos dois meses por ano, a vinte anos! Animadíssimos, tentamos conversar de todas as formas possíveis, pois eles só falavam francês, e nós além do portunhol, só o inglês macarrônico! Mas no final sempre nos entendíamos. Deixamos os franceses em La Pedreira e seguimos para La Paloma, com as compras feitas e o lanche do meio dia feito.

Retas e Retas

Aqui tivemos nossa única surpresa negativa em relação às reservas feitas: quando chegamos ao Serena Blues Hostel em Playa del Arachania, ele estava fechado! Como ainda era cedo, rumamos para La Paloma, passamos no serviço de atendimento ao turista e fomos procurar por um hostel para a noite.

Depois de alguma pesquisa na internet, uma Patricia e um pratão de “papas fritas”, rumamos para o La Balconada Hostel, na praia de Balconada. Jantamos nossa providencial massa com lingüiça e molho de tomate, junto com os vários surfistas brasileiros, alemães e americanos que também estavam no hostel. Dormimos cedo, pois nosso próximo dia nos traria pelo menos duas incógnitas: a Laguna Rocha e no mínimo 90 quilômetros de estrada.
Quarto dia: La Paloma – Punta del Este

La Balconada HostelEste seria o dia em que, se o planejado não desse certo, seria um problemão: teríamos que pedalar 12 km até a Laguna de Rocha, achar uma pescadora (D. Olga) que disseram poderia nos atravessar de barco a tal Laguna e então se tudo desse certo, seguir viagem por mais 80 quilômetros. Caso desse errado, teríamos que voltar os 12 km, fazer uma volta de 30 km circundando a Laguna e daí fazer os outros 80 km restantem ou seja, um pedal de 144 km!!

Seguimos então para a vila de pescadores da Laguna del Rocha, uma linda pedalada com visual incrível! Chegando lá, perguntamos a duas senhoras onde poderíamos encontrar a D. Olga. Nos disseram que ela morava na última casa da vila. Identificamos a casinha branca ano fim da fila e para lá rumamos. Batemos palmas em frente à casa e um senhor veio nos atender. Perguntamos se ali morava a D. Olga, ele confirmou e foi então chamá-la. Lá de dentro veio então ela, que seria o nosso Anjo do dia.

D. OlgaCom 65 anos, D. Olga nasceu neste local e ali vive desde então, sendo pescadora de camarões na Laguna. E quando precisam, ela atravessa os ciclistas em seu pequeno barco, cobrando 100 pesos por pessoa. Thelma e Louise embarcadas, seguimos para o outro lado da Laguna, que durante alguns períodos do ano, quando o volume de água na lagoa não é muita e a maré ajuda, até dá passagem à pé pela praia. Mas como este ano choveu muito em janeiro e fevereiro no Uruguai, a lagoa estava com bastante volume de água e a única forma de atravessarmos seria então com a providencial ajuda de D. Olga (telefone 098801921).

Ferry José IgnácioCom a travessia vencida em 30 agradáveis minutos, ouvindo as histórias da D. Olga, despedimo-nos e colocamos as meninas no areião, pra seguirmos viagem, um trecho de 50 km de estrada de chão, até a Laguna del Garzon, que atravessamos em um pequeno ferry-boat e rumamos para a graciosa vila de José Ignácio.
Após nosso lanche, feito em frente ao farol, seguimos para Punta del Este, nosso destino final do dia, antes passando pela cidade de La Barra e cruzando a famosa Ponte Leonel Vieira, mais conhecida por ponte ondulada.

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Ponte Ondulada – Uruguai

Como iríamos passar em frente a famosa escultura dos Dedos no caminho de nosso hostel, resolvemos parar para uma foto. Que martírio, o local é o ponto mais frequentado de Punta, e principalmente por brasileiros, todos querendo um “recuerdo” onde apareçam sozinhos na foto. Hahaha… nem a pau Juvenal…

DedosEm Punta tiramos um dia de folga, para descansarmos e conhecer a cidade. Bem, não há muito pra se ver, a não ser que se goste muito de ver prédios moderníssimos e mansões, todos irremediavelmente fechados fora da temporada. Até os restaurantes e uma boa parte das lojas também fecham. Bem, tem o Conrad também… e só!

Pierrette e Roland - PuntaAproveitamos nosso dia de folga e fomos novamente a escultura dos Dedos, atrás da tão almejada foto, e quem por lá encontramos? Sim, Pierrette e Roland, os franceses, que não tinham nossa dica da travessia da Laguna Rocha com a D. Olga, e tiveram que fazer os 140 km entre La Paloma e Punta. Estavam exaustos e estavam seguindo para Piriápolis. Fotos daqui, histórias dali, nos despedimos e cada um seguiu seu rumo.

Em breve um último post com os dois dias restantes da viagem… aguardem.

Você pode também pode conferir  o post na íntegra no bloga2.wordpress.com, onde foi postado originalmente.

Viajar de bike: do Chuí à Montevidéu – Parte 1

É só falar em viajar que a gente já se anima por aqui! Viajar de bike então? É adrelina em dobro percorrendo o corpo! E como fizemos recentemente um do artigo com dicas de viagem para mulheres (aqui) nada mais inspirador que trazer para vocês o relato de mais uma viagem do casal Aline e Ari. A aventura da vez é pelo Uruguai, com início no Chui, fronteira do Brasil com o Uruguai, onde o carro ficou na garagem do hotel esperando a volta do casal de mais uma cicloviagem.

Primeiro dia: Chuí – Punta del Diablo

No dia 21 saímos cedo do Chuí em direção a Punta Del Diablo, nosso primeiro destino. Antes paramos na aduana Uruguaia para nos legalizarmos e fomos recebidos com curiosidade pelos guardas uruguaios, que também pedalam e estavam interessados em conhecer nossas bicicletas e toda a sorte de equipamentos que carregávamos. Depois da aduana, uma série de retas intermináveis nos aguardavam, o que se repetiria durante toda a viagem, até que chegamos então no Forte de Santa Tereza, local de nossa primeira parada para lanche, banheiro e visita ao lugar, que aliás é lindíssimo.

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Aqui vale um lembrete para quem for fazer essa viagem: sempre levar algo para um lanche no caminho, caso não haja onde comprar. Em quase todos os trechos, não havia uma lanchonete ou posto de gasolina sequer para abastecimento de água/comida. Portanto, sempre saíamos pela manhã abastecidos com sanduíches e bastante água/isotônico. No Parque de Santa Teresa há um restaurante/café, mas na maioria dos trechos isso não se repete, por isso é bom se prevenir.

Um dos nossos medos em relação a esta viagem era o clima que iríamos encontrar: neste dia em Santa Teresa, avistamos ao longe nuvens muito escuras vindo em nossa direção e logo pensamos: vamos pegar aquela chuva já no primeiro dia? Apuramos o passo para então não pegarmos muita água quando nos deparamos com uma linda “avenida” dentro do parque, ladeado com palmeiras lindíssimas e pensamos: que foto!! Fizemos várias tentativas, sempre olhando para o céu, e passados alguns minutos notamos que a chuva não iria nos pegar. Rumamos então felizes para Punta del Diablo.

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Nossa primeira noite foi no Hostel de La Viuda, reservado pelo Booking  e foi uma grata surpresa: ótimas instalações, pessoal e hóspedes animados de todas as partes do mundo: Canadá, Alemanha, Estados Unidos, França. Após o checkin, deixamos a bagagem no quarto e rumamos ao “centro” para lanchar, conhecer a praia e comprar nosso jantar, que seria preparado na cozinha compartilhada do hostel. Voltando do centro pegamos aquela que seria nossa única chuva da viagem toda, mas que molhou pouco.

O jantar foi uma aventura: na cozinha compartilhada haviam umas vinte pessoas cozinhando em três fogões ao mesmo tempo, panela passando pra cá, aromas vindo de lá e mesmo assim tudo dava certo. Aquecemos nossa pizza (pronta, comprada no super), pois o forno de um dos fogões era o único espaço não sendo utilizado da cozinha. E assim jantamos nossa pizza, acompanhada do primeiro tannat da viagem.

Segundo dia: Punta del Diablo – Cabo Polonio

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Partimos logo cedo, logo após o ótimo café da manhã no hostel, despedidas, fotos da partida, e seguimos em direção ao nosso destino mais exótico: Cabo Polonio. Pedalamos 68 quilômetros, muitos deles sob o temido vento uruguaio, que nos dava a impressão de estar andando para trás, para então chegar na estação rodoviária de onde partem as jardineiras que nos levariam à Cabo Polônio.

Pensamos, ingenuamente, que poderíamos levar Thelma e Louise conosco, mas para nossa surpresa, tivemos que deixá-las no estacionamento da estação. Aqui tivemos certeza de que o cabo-cadeado que havíamos levado valeu a pena: nossas bicicletas passariam a noite amarradas na cerca do estacionamento, sem nenhum acessório e sem os selins também, que sempre tiramos para não dar sorte ao azar. E partimos com o coração na mão, por ter que deixar nossa “condução” ali.

Cabo PolonioCabo Polonio é um povoado cercado de dunas no litoral uruguaio e destino de turistas do mundo inteiro, que querem sentir seu astral único, sua beleza estonteante, seu por do sol  maravilhoso. A população fixa não chega a 100 habitantes quando muito, mas na alta temporada é frequentada por mais de 2 mil turistas que se hospedam em seus cerca de 35 hostels. A nossa reserva era no Viejo Lobo, feita através do Hostel World. Checkin feito, fomos escolher nossa cama, pois os aposentos eram compartilhados, tomamos aquele banho e fomos conhecer o Cabo. Aproveitamos também para comprar os mantimentos para o jantar, que seria feito na cozinha compartilhada do hostel – omelete, pão e vinho.

Farol Cabo Polonio

Farol Cabo Polonio

Cabo Polonio, como já citei, é um lugar lindíssimo e único, com uma atmosfera singular, sendo que só se chega lá a cavalo ou com veículos 4×4, em uma viagem de cerca de 30 minutos pelas dunas. Durante boa parte do ano ela é destino também de muitos lobos marinhos, mas que não estavam por lá nesta época.

Visita e compras feitas, voltamos ao Viejo Lobo, preparamos nossos omeletes e para nossa surpresa, nosso hostel era o point da noite: dois violões e mais uma gaita de boca tocando blues, em redor da lareira acesa por conta do frio da noite, cerca de 30 pessoas se espremiam na minúscula sala, oriundos de todos os cantos do planeta: japoneses, italianos, franceses e até brasileiros! Nos recolhemos cedo, as 23h, cansados da jornada do dia, mas a noite continuou agitada noite a dentro no hostel. Nos deitamos ouvindo Djavan, que delícia!

Esta viagem teve duração de seis dias, por isso dividiremos em três artigos… aguardem cenas dos próximos capítulos, rs. Ou você pode ler o artigo na íntegra aqui, onde ele foi originalmente publicado.

😉