Caminho de Santiago de bike – Etapa 5 – De Belorado a Burgos.

Caminho de Santiago de Bike

Muito ânimo para chegar a Burgos nesse dia!

Amanheceu o quinto dia no Caminho de Santiago, levantamos, tomamos nosso café junto com nossos amigos espanhóis e saímos todos juntos em direção a Burgos. O dia já estava mais frio do que os anteriores. A pedalada foi animada, Tony é um cara muito bem humorado e logo apelidou eu e Ari de “Pepa e Pepe”. Motivo: ele não conseguia lembrar e nem pronunciar nossos nomes e simplificou assim.

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Faltando 43km para Burgos…

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Alto da Pedraja.

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Um lindo “corredor” de árvores…

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Vencendo uma pequena, mas íngreme subida. PS: aquele peregrino ali de preto, me ajudou a empurrar a bike morro acima… :-)

Neste dia tivemos uma grande subida, chama-se Alto da Pedraja e nós fomos vencendo-a pouco a pouco, junto a muitos peregrinos…Depois da primeira hora pedalando fizemos uma parada para um café, e próximo das 11h um lanche. Sempre juntos.

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Primeira parada para um café.

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Segunda parada para um lanche…. Sim, precisamos sempre abastecer!!

Sentimos que éramos uma equipe já, mas conforme íamos nos aproximando, sabíamos que iríamos nos separar.

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Antes de chegar a Burgos, pedalávamos pelo caminho ao lado de uma rodovia, e logo se aproximou de nós um ciclista que estava a passear por ali. O nome dele: Miguel. Puxou papo conosco e se ofereceu para nos guiar até a catedral, pois disse que conhecia um caminho mais agradável do que aquele que estávamos seguindo. E nós logo o identificamos como mais um daqueles “anjos do caminho”. Miguel é  um querido, nos deixou bem pertinho da catedral, e nos indicou um ótimo local para beber e comer a famosa “ morcilla de Burgos”.

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Com Miguel, nosso anjo do dia, próximo a Burgos…

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Chegando no centro de Burgos!

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Porta de Santa Maria.

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Porta de Santa Maria

Atravessamos a porta de Santa Maria e meus olhos se encheram de lágrimas ao ver a lindíssima catedral! Emocionante!! Alguns segundos paralisada observando, e então um passeio para admirar tudo em volta. Que demais, que cidade linda!! Carimbamos nossa credencial ali na catedral e seguimos para o bar onde brindaríamos o término de mais uma etapa.

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A magnífica Catedral!

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Pinchos com Morcilla de Burgos e pimentão vermelho… Uma delícia!

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Brindando mais uma etapa vencida!

Nos despedimos dos nossos queridos amigos, afinal Tony também não ficou em Burgos, seguiu pedalando pois pretendia chegar em Santiago dois dias antes de nós. Ficamos tristes em nos separarmos, mas como na vida, cada um precisa seguir seu caminho, e fomos então procurar um albergue para pernoitar na cidade. Primeira opção do guia: lotado. Segunda opção do guia: lotado. Terceira opção do guia: um camping – não dava. Quarta opção do guia:uma casa de Emaús a 1,5km do centro. Como queríamos muito dormir em Burgos, fomos até a Casa de Emaús pra ver se tinha vaga, afinal 1,5km pra quem está de bike não é nada… Chegando lá, a porta estava fechada e uma placa dizia pra tocar a campainha, fomos atendidos por uma freira francesa chamada Marie Noelle, hospitaleira do albergue, falando baixinho e de forma muito gentil ela nos disse que se quiséssemos ficar ali, tinhamos que assistir a missa das 19:30h na igreja e logo após participar da ceia compartilhada que ela mesma prepararia. Depois disso teríamos que nos recolher, pois  fecham as portas às 20h. Aceitamos, e ao entrar foi uma grata surpresa, era praticamente um hotel de luxo! Com 4 quartos bem limpos e equipados com beliches e banheiros impecáveis!! Ela acomodou nós dois sozinhos num quarto, já que naquela noite tinham somente mais um grupo de 3 franceses, 1 moça canadense e 1 rapaz italiano. Apesar de não ter sobrado muito tempo pra passear pela cidade, essa hospedagem foi incrível!! Tomamos nosso banho rapidinho, lavamos as roupas e saímos de bicicleta em direção ao centro de Burgos.

Caminho de Santiago de Bike

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Muito amor por essas árvores! <3

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Circulamos um pouco, depois sentamos na Plaza Mayor e ficamos apreciando o que acontecia por ali tomando um bom vinho e beliscando queijo, pão e morcilla de Burgos…

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Antes das 19:30h estávamos na igreja para a missa e recebemos cada um a benção do padre para continuar nossa jornada. Depois da missa, conforme combinado, Marie nos serviu um jantar delicioso, salada com muito queijo brie e uma sopa de lentilhas. Durante a ceia conversamos bastante, como sempre muitas histórias de cada peregrino com sua dose de emoção e depois  de receber mais uma palavra do Padre, fomos repousar em nossas camas espaçosas e silenciosas!! Zzzzzz….

Continua…

 

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 4 – de Navarrete a Belorado

Mais um dia começa, e o 4º dia de pedal pelo Caminho de Santiago de bike sai de Navarrete com um lindo sol, com a promessa de mais um dia incrível. Passamos por muitos campos de trigo, com uma estrada de chão que desenhava nosso trajeto à frente em meio à  todo aquele verde.

Caminho de Santiago de bike

Muitas formas de percorrer o Caminho…

Caminho de Santiago de bike

Caminho de Santiago de bike

Mais um dia de muito calor, hoje tínhamos poucas subidas, mas fizemos várias paradas nas fontes para pegar água.

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Parada em uma das abençoadas fontes…

Ainda não era meio dia quando chegamos no nosso destino para almoço: Santo Domingo de La Calzada. Mais uma cidade importante do Caminho e chegando lá percebemos que era um dia de festividade, as famílias na rua,  muitos restaurantes com mesas na rua e logo escolhemos um para apreciarmos uma paella.

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Catedral de Santo Domingo de la Calzada

Almoçamos e fomos passear pela cidade, visitamos a catedral e  ainda participamos de uma degustação de lingüiça com pão que acontecia na praça por conta da festa regada a uma tacinha de vinho. Afinal, diz um ditado que “De pan e vino se faz El Camino!”

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Nas praças, a disputa por um banquinho é grande…

Continuamos dando uma circulada pelas ruazinhas da cidade, e quem encontramos? Katia e Mariano (o casal que cohecemos no inicio da jornada)! Foi aí que nos aproximamos e descobrimos que eram pai e filha, espanhóis, moram em cidades diferentes (Ele em Guadalajara e ela em Bilbao) e resolveram fazer uma parte do caminho este ano. Sim, muitos espanhóis fazem isso, fazem um trecho, no ano seguinte mais um trecho, até que completam… Eles nos disseram que iriam somente até Burgos e de lá cada um seguiria para sua cidade. Tiramos foto com eles na frente da Catedral, nos despedimos e tínhamos certeza que cada dupla seguiria seu Caminho, talvez cruzando em mais algum ponto lá na frente, mas mais tarde descobrimos que não seria bem assim…

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Com nossos amigos ciclistas espanhóis Katia e Mariano.

Depois de visitar algumas lojinhas, comemos algumas cerejas (de novo :-D) e então resolvemos partir.

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Ainda não tínhamos decidido onde terminaríamos o dia, já tínhamos percebido que apesar de termos antecipadamente planejado as etapas, agora o Caminho já nos guiava e não tínhamos mais nada rigidamente programado, fomos deixando a viagem fluir… Pensamos em parar embaixo de alguma árvore já saindo de Santo Domingo, estávamos adiantados e pensamos que seria bom uns minutos de preguiça, mas não achávamos nenhum local que fosse atrativo para encostar as bikes e ficar na sombra, além disso um vento contra nos dizia que devíamos continuar pedalando porque a moleza do dia tinha acabado. À frente, uns 500 metros talvez, avistamos Katia e Mariano também enfrentando o vento bravamente, e próximo deles mais um ciclista que não tínhamos visto ainda até ali. Aos poucos fomos alcançando-os e logo estávamos os cinco formando um pelotão na guerra contra o vento, seguimos assim juntos até o próximo povoado, onde paramos numa fonte para beber água, descansar e de quebra bater um papo. O outro ciclista se chama Tony, espanhol também, de Écija. Logo estávamos os cinco na maior prosa e dando risadas…

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Minutos de prosa e risadas com Katia, Mariano e o novo amigo Tony, também espanhol.

Seguimos juntos a partir dali, e combinamos que caso acontecesse de alguém ficar para trás, nos encontraríamos no povoado de Belorado, no primeiro albergue da cidade.

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Entrando na Provincia de Burgos.

Eu e o Ari acabamos em um momento avançando muito à frente e nos separamos deles, mas sabíamos do combinado e assim fizemos, chegando em Belorado ficamos no primeiro albergue esperando nossos novos amigos, e eles chegaram! Nos hospedamos todos no mesmo quarto com outros três peregrinos, depois de cada um tomar seu banho, dividimos a máquina de lavar roupas e sentamos no bar do albergue para contar mais sobre nossas vidas e beber umas Cañas (cervejas). Parecíamos velhos amigos, jantamos juntos e quando as risadas deram lugar aos bocejos fomos todos dormir felizes por mais uma etapa concluída…

Continua…

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😀

Caminho de Santiago de bike – Etapa 3 – De Estella a Navarrete

E vamos a mais uma etapa do Caminho de Santiago de bike:

Levantamos, tomamos nosso café no albergue mesmo e antes de sair, pedi pro Ari dar uma olhada no câmbio da minha bike. Meio contrariado, ele começou a mexer mas já avisando que não sabia se ia dar certo. E realmente a coisa desandou, ao invés de arrumar, piorou! Ficamos ali uma meia hora, eu segurando a bike (já arrependida de ter insistido pra ele mexer!) e ele tentando ajustar o câmbio enquanto reclamava, depois de muitos desajustes, arrumou!! UFA!! Seguimos então para mais um dia, inicialmente nosso objetivo era Logroño, mas durante o dia mudamos  os planos.  Andamos poucos km e logo chegamos na fonte da Bodegas de Irache, uma fonte onde há duas torneiras: uma de água e outra de vinho! Ok, era muito cedo (umas 9h da manhã) pra tomar vinho, mas precisávamos cumprir tabela e tomar esse vinho.. Tomamos um golinho cada, completamos as caramanholas (garrafinhas/squeezes) com água, as fotos de praxe e seguimos.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Um gole de vinho…

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

“Túneis verdes” pelo caminho.

Logo encontramos um bar/café muito charmoso, num local que merecia uma parada, tomamos mais um cafezinho.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Seguindo a frente, passamos por plantações de uvas, uma vinícola na base de uma montanha com um Castello no topo: Villamayor de Monjardin, linda paisagem!

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Nesse dia ainda fazia calor, seguimos com bastante sol, passando pela cidade de Los Arcos, depois Sansol  e em Viana paramos para comer algo.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

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Passando entre os campos de trigo…

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O Caminho sempre nos leva a passar no meio das cidades…

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Passando pela cidade de Los Arcos.

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Paradinha pra olhar o Guia.

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Entrando em Viana.

Ari sempre cavalheiro me perguntou o que eu tinha vontade de comer, respondi: Ovo frito!! 😀  A cidade estava bem movimentada, muitas mesas na rua e enquanto escolhíamos uma lanchonete, uma  peregrina sueca chamava a todos que passavam para dividir com ela um Schnaps, havia tirado as botas e cantava alegre, acho que pela quantidade de schnaps que já tinha tomado… Parecia feliz! Sorri pra ela e fui comer meu pão com ovo.

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A linda Catedral de Viana…

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Cidade de Viana, movimentada quando passamos.

Depois  do lanche, tomamos uma sangria em um bar, compramos cerejas frescas (frutas da época) para comermos durante a tarde e voltamos para a estrada.
Durante a tarde o calor apertou mais uma vez, mas seguimos comendo nossas cerejas e rapidamente fomos vencendo os 49km que tínhamos programado. Chegamos em Logroño!

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Chegando em Logroño.

Cidade grande, linda! Linda ponte, linda catedral. Mas resolvemos  seguir e dormir numa cidade a frente, menor, mais calma: Navarrete. Pra sair de Logroño é um pouco confuso (Li isso em vários relatos antes de ir… ). Por todo o caminho existem as placas e setas amarelas, é difícil se perder, mas seguimos o guía de ciclistas e acabamos caindo num trecho sem sinalização e com muitos carros.

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Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Quando esperávamos um semáforo abrir, um senhor local que estava do outro lado da rua fez sinal para esperarmos por ele, que atravessou e veio falar conosco. “Querem sair da cidade?” Perguntou ele. “Vou explicar um caminho para saírem desse trânsito.” Nos deu a direção e chegamos então numa ciclovia, por dentro de um lindo parque e seguimos tranquilamente nossa rota. Mais um “Anjo do caminho”, pensamos…
Chegando em Navarrete, procuramos o albergue municipal que não tinha local para guardar as bicicletas durante a noite e nos aconselharam a não deixá-las na rua, mesmo que amarradas. Nos indicaram outro albergue, e neste as bicicletas ficaram na garagem da casa, devidamente guardadas. Tomamos nosso banho, e saímos a caminhar pela pacata cidade.

Caminho de Santiago de Compostela de Bike

Única foto de Navarrete – a Catedral.

Tomamos algumas “cervezas “ para aliviar o calor enquanto aguardávamos abrir o restaurante que escolhemos para jantar. Entrando no restaurante haviam expostas algumas Compostelanas (certificado de quem completou o caminho de Santiago),  sentamos em uma mesa e quando a moça veio tirar nossos pedidos, sentou-se à mesa conosco, muito simpática, falando baixinho, e nós curiosos, perguntamos a ela se alguma das Compostelanas eram dela. Ela disse que sim, que havia caminhado desde Berlim!! Foram três meses caminhando até Santiago: 2.600km! Uau!! Ficamos impressionados e ela contou que durante sua peregrinação ficou tão agradecida com o que o Caminho deu a ela e ao companheiro, que resolveram retribuir de alguma forma e foram morar ali, abrindo um albergue com restaurante chamado Pilgrim’s. Foi uma das melhores refeições que fizemos durante nossa jornada, um tempero delicioso, ótimo serviço, local muito agradável, bem decorado, adoramos! Depois disso retornamos ao albergue e tentamos descansar, foi uma noite extremamente quente, mas conseguimos dormir.

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Caminho de Santiago de bicicleta – Etapa 2 – De Pamplona a Estella

Eis que começa o terceiro dia da viagem no Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta, segue mais uma etapa percorrida:

Mais uma vez estávamos entre os últimos a saírem do albergue, fazia frio, algo em torno de 12 graus.

Caminho de Santiago de Compostela

Saída do albergue.

Fomos buscando as setas até encontrarmos um café para o “desayuno”. As bikes ficaram do lado de fora, café com leite, pão com manteiga na chapa e suco de laranja. Seguimos adiante, era o dia de encarar a subida para o Alto Del Perdón, sabíamos que havia um desvio por asfalto para bicicletas, mas queríamos seguir ao máximo o verdadeiro “caminho dos peregrinos”.

Caminho de Santiago de Compostela

Pelas ruas de Pamplona.

Logo que deixamos Pamplona, passamos por Cizur Menor, um povoado que parecia um condomínio, com casas muito bonitas, modernas e com ruas pavimentadas. Logo depois, entramos numa trilha, a qual seguia em direção a uma montanha tomada por geradores eólicos: é pra lá que vamos!

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Mal entramos nessa trilha e avistamos, no sentido contrário, um senhor caminhando, que quando nos viu acenou para pararmos e perguntou por onde pretendíamos passar. Respondemos que iríamos “por camino” e ele prontamente nos disse: “não!”. “Não vão por aí, porque irão sofrer muito, a trilha é muito ruim, pedras soltas, muitos peregrinos. Há um desvio por carretera (asfalto) com pouco trânsito.” E nos deu as coordenadas.
Nosso guia também tinha esse desvio como opcional, mas tínhamos como objetivo fazer a maior parte pelo caminho, porém sem sofrer desnecessariamente!

Caminho de Santiago de Compostela

Parada para tirar os casacos e fazer uma foto na frente de um monte de fardos (eles estão em vários trechos por onde passamos)…

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Foto na frente da imagem de fundo de tela do Windows…

Caminho de Santiago de Compostela

Seguimos a dica do nosso “anjo” do dia e fomos até onde ele indicou pela trilha, subindo e com bastante calor já, até chegar no povoado de Zariquiegui onde ficava a saída para o desvio e por onde observamos que outros ciclistas também iam seguindo.

Caminho de Santiago de Compostela

Descemos um bom pedaço e logo chegamos no asfalto para novamente subir! A estrada estava praticamente deserta e seguimos com tranquilidade até o monumento Alto Del Perdón.

Caminho de Santiago de Compostela

Caminho de Santiago de Compostela

Lá paramos, tiramos muitas fotos, afinal, é um dos marcos importantes do caminho. Depois sentamos num gramado para comer uma maçã e observar aquela paisagem incrível! Que paz, que felicidade…

Caminho de Santiago de Compostela

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Eufóricos por estarmos ali…

Caminho de Santiago de Compostela

Monumento no Alto del Perdón.

Momento descanso encerrado, hora de descer! Uma guia turística nos chama e pergunta se vamos descer pela trilha, disse que é muito complicado descer com bike carregada por ali, outros amigos também já haviam alertado, além do nosso guia espanhol.  Seguimos então pela carretera, e mais à frente passamos pelo Ivan, nosso amigo paulista que fazia o Caminho a pé e estava no mesmo albergue nós na noite anterior.

O Ivan filmou todo o percurso dele e aqui está o vídeo do momento em que passamos por ele, aparecemos a partir do minuto 2:21:

Dali, logo pegamos um desvio recomendado pelo guia, que nos levou à Ermita de Santa Maria de Eunate, construída no Século XII. Estava fechada, como muitas igrejas que passamos em toda a viagem, mas valeu a visita pra conhecê-la ao menos por fora, belíssima.

Caminho de Santiago de Compostela

Ermita Santa Maria de Eunate.

Seguimos nossa rota e chegamos a Puente La Reina onde prevíamos almoçar, encontramos um restaurante com Menu Peregrino e ali comemos muito bem, acompanhados de uma taça de vinho, afinal fazíamos “poco a poco” nosso Caminho…

E depois do farto (e gordo) almoço, sentimos que precisávamos esperar para seguir pedalando, paramos em frente a famosa ponte antiga, e que dá nome à cidade, sentamos na sombra de uma árvore, descansamos e até cochilamos um pouco. Depois disso, decidimos que não mais almoçaríamos assim,  faríamos apenas lanches e jantaríamos bem no fim do dia.

Caminho de Santiago de Compostela

Já eram 15h quando resolvemos seguir, o sol ainda estava forte, colocamos nossas camisetas de manga longa para proteger a pele e lá fomos em direção a Estella, nosso destino daquele dia. Logo na saída de Puente La Reina, subidaaaaa…. Toda asfaltada, era uma estrada secundária e o calor maltratou-nos um pouco. Subida vencida, encontramos uma fonte para abastecer as caramanholas e a água saía geladinha! Outros peregrinos também pararam ali, havia uma grande sombra, mas nós só bebemos água e fomos em frente. Voltamos para a estrada de chão, muitas subidas e descidas, em um trecho havia uma escada, e no fim dela um buraco gigante com degraus em desnível muito alto, precisamos atravessar as bikes carregadas uma de cada vez, assim nos ajudamos.

Caminho de Santiago de Compostela

Mais um bom pouco de trilha e meu câmbio desregulou… Na marcha mais leve ele batia no pneu e eu precisava fazer mais força para subir, além de fazer um barulho chato, e eu logo reclamei que precisaríamos arrumar. O Ari resistiu, disse que era arriscado mexer, mas eu sabendo dos desafios que estavam por vir, insisti e segui resmungando com meu cambio desregulado mesmo… Lá pelas 16h chegávamos em Cirauqui, um vilarejo que fica no topo de uma colina, comentamos entre nós: ah, uma coca-cola agora seria bom né? Não somos tomadores do líquido no dia-a-dia, mas nestes pedais longos a gente acaba vez em quando se rendendo. Chegando na cidade, vimos um outro ciclista já no alto enquanto subíamos a ladeira o Ari gritou: Ei!! Por aí tem Coca-Cola? Um bar para uma Coca-cola? E o homem gritou: Sí!!! E seguiu o caminho dele. Subimos bem empolgados e chegando lá, não havia nada, nem bar, nem uma viva alma na cidade ou máquina de refrigerante. Lá na Espanha se faz a siesta das 14h às 17h e fecha tudo, tudo mesmo!! Concluímos que o outro ciclista não entendeu o que o Ari falou… Ok, continuamos pedalando e pensando na Coca-cola…

Caminho de Santiago de Compostela

Pensando na Coca-cola…

Mais à frente, voltamos a encontrar o tal ciclista, que depois descobrimos ser espanhol e dessa vez quando nos viu gritou acenando: Coca-cola!! E depois em outras vezes que nos cruzamos ele repetia: Coca-cola!! Caímos na risada, achamos que ele entendeu como um cumprimento, ou nos apelidou assim… Chegamos em Estella bastante cansados, já passava das 17h e o primeiro albergue que procuramos estava cheio, o segundo também cheio, mas nos deram a dica de um albergue novo, e indicaram como chegar. Como eu era quem tinha entrado no albergue e recebido as informações, dei a direção de para onde pedalaríamos, e fomos seguindo por uma carretera que parecia sair da cidade. Depois de uns 4km percebemos que estávamos indo para o lado contrário! Aff!! O Ari que já estava meio nervoso pela falta de pouso, ficou ainda mais nervoso com meu feito . Voltamos tudo na maior velocidade que eu consegui…  Eu também fiquei bastante nervosa, pedalava quase chorando, com toda força, afinal se não conseguíssemos ficar neste albergue talvez tivéssemos que seguir para a próxima cidade que era bem menor e o horário já não era favorável pra conseguir algo lá também. Até que achamos o tal albergue, o Ari entrou para ver se tinham vaga e eu fiquei na rua, sentei numa calçada e chorei, esgotada do cansaço e já com medo de não conseguir seguir até o fim da viagem… De repente saem de dentro do albergue Mariano e Katia, pai e filha espanhóis, que encontramos lá no começo em Ronscesvalles. Quando me viram vieram falar comigo, disseram que o dia pra eles também tinha sido sofrido, com o calor e a altimetria, mas que aquele albergue era muito bom e que eu teria um bom descanso. Logo me acalmei e o Ari voltou dizendo que tinha conseguido um quarto  privado pra nós com banheiro e tudo, um luxo! Claro que saiu mais caro que um albergue como o que vínhamos ficando, mas logo pensei: tudo tem uma razão e talvez essa tensão no fim do dia tenha acontecido para que tivéssemos essa noite de conforto. Agradeci ao meu querido por esse carinho… Conseguimos lavar nossas roupas que estavam acumuladas do dia anterior, bebemos umas cervejas com jamón, e depois tivemos um ótimo jantar no próprio albergue, onde conhecemos algumas brasileiras e tivemos mais um agradável fim de noite. Nem preciso dizer que foi uma noite muuuuito bem dormida… 😀

Caminho de Santiago de Compostela

Igreja na chegada em Estella.

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Caminho de Santiago de bicicleta – Etapa 1 – De Roncesvalles a Pamplona

Enfim chegou nosso primeiro dia de pedal, agora era oficial, iríamos começar o Caminho de Santiago de Compostela… Como a luz do dia começava a aparecer por volta das 7h, nós não tínhamos nenhuma intenção de sair antes disso, não levamos faróis e sair no escuro de bicicleta torna-se  arriscado, além de não vermos nada das paisagens. Portanto, ao sermos acordados às 6h, começamos a nos arrumar calmamente e fomos uns dos últimos a deixar o albergue.

Caminho de Santigo de Compostela

Fomos ao mesmo restaurante em que jantamos na noite anterior, tomamos café com tostadas, geléia e  suco de laranja. Fotos da saída e finalmente entraríamos no Caminho!

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Já fazia sol, temperatura agradável, paramos na tradicional placa que indica a quantidade de kms para chegar em Santiago, um casal também de bicicleta se aproximou (mais tarde descobrimos que eram pai e filha) e aproveitamos para tirar foto deles e eles de nós.

Caminho de Santigo de Compostela

Agora sim, vamos ao Caminho…  Era uma trilha com leve declive por dentro de um bosque bem fechado, muito verde e fazia muito frio, mas eu não conseguia parar de olhar em volta e agradecer ao universo por me trazer até ali.

Caminho de Santigo de Compostela

Logo paramos para vestir mais roupas, colocar luvas e proteger o pescoço. Em pouco mais de 3km chegamos a Burguete, cidadezinha simpática, muito limpa, organizada e charmosa, mas sem ninguém na rua além de peregrinos.

Caminho de Santigo de Compostela

Quase na saída da cidade, nos deparamos com uma procissão, que vinha no sentido contrário, achamos um pouco esquisita, homens com capuzes pretos, cruzes grandes apoiadas nos ombros e gritando algo que não entendemos, seguidos pela comunidade. Até hoje não conseguimos descobrir do que se tratava, mas com certeza era alguma comemoração. As cidades são na maioria muito pequenas, em menos de 10 minutos estávamos saindo de Burguete e logo começamos a subir uma montanha, hora passávamos pelo Caminho ( a trilha original onde os caminhantes seguem) hora pela carretera, estrada de asfalto que desviava do percurso original, mas que seguia sempre paralelamente.

Caminho de Santigo de Compostela

Costumávamos usar a carretera em momentos onde o trecho original do caminho era complicado para passar com as bicicletas, para isso usamos um guia comprado na Espanha mesmo, próprio para fazer o caminho  pedalando e que indica esses trechos  “impedaláveis”, dando todo o percurso do desvio.

Avistamos um café-bar (são vários durante todo o Caminho) e paramos para o segundo café do dia. Os cafés de todo o percurso são deliciosos e uma média custa aproximadamente 1,10/1,20 euros.

Caminho de Santigo de Compostela

Continuamos pedalando por mais trechos de asfalto e algumas trilhas, começou a esquentar e logo fomos tirando os casacos. Passamos vários trechos assim, sempre muito agradável e onde havia movimento de carros, o respeito da distância dos ciclistas era visível.

Caminho de Santigo de Compostela

Caminho de Santigo de Compostela

Depois de um difícil trecho de trilha, por pedras soltas, chegamos  ao Alto do Erro. Ali paramos para comer uma maçã que levávamos no alforje, perto de um pequeno trailer que funcionava como lanchonete. Lá outros ciclistas da região faziam um lanche e como ali era mais um trecho onde dava pra seguir pela carretera, fomos informados que seria mais tranquilo seguir pelo asfalto, não era o nosso plano, mas resolvemos seguir o conselho e fomos presenteados com um longo declive em asfalto lisinho e quase sem trânsito. 😀

Caminho de Santigo de Compostela

Passamos  rapidamente por Zubiri, seguindo sempre pela carretera, ali a circulação de carros era maior e como queríamos mais paisagens do que estrada, logo decidimos voltar para o Caminho, fomos entrando então num passeio/ciclovia, que passava ao lado de um rio muito bonito. Muitas famílias fazendo picnic, churrasco embaixo de árvores e aproveitando o domingo. Uma delícia! E nós só sentindo o cheiro  do churrasco!

Caminho de Santigo de Compostela

Chegamos a Pamplona por dentro de um parque, também cheio de gente aproveitando, passeando e seguindo as placas logo estávamos na entrada da cidade antiga. Já passava do meio dia e nosso primeiro desejo era almoçar e depois seguir até a próxima cidade que ficava a 4 km dali.
Caminhamos pelas pequenas ruas procurando restaurante e bem na frente da praça onde acontece a famosa Festa de San Firmino. O dono de um restaurante que tinha mesas ao ar livre na praça nos abordou e ofereceu seu cardápio, ali começou uma intensa negociação, pois nós achamos que ele queria nos enrolar, foi baixando o valor do prato individual mas tínhamos que comer dentro do restaurante. Como não queríamos deixar as bicicletas com bagagem na rua, mas também não queríamos desmontar tudo pra entrar no restaurante, íamos desistir e procurar outro lugar. Mas ele não se contentou, ficou cuidando das bicicletas pra nós, enquanto comemos um prato muito bem servido, com filé, salada, fritas e ovos.
Satisfeitos, resolvemos dar uma circulada pela cidade e logo resolvemos que não seguiríamos mais naquele dia, decidimos dormir em Pamplona. Procuramos um albergue, achamos o Jesus e Maria e nos instalamos. Depois de um bom banho tomado, saímos pra caminhar, conhecer um pouco da cidade.
Fomos até a Plaza Mayor, tomamos um sorvete e ficamos lá na grama, observando o movimento e ouvindo um músico tocando violino. Para o jantar, compramos num mercadinho pão, jamón (presunto cru muito popular na Espanha e delicioso!), queijo, vinho e jantamos na cozinha do albergue mesmo, ao lado de um casal alemão, que estava caminhando pela região á 4 meses já.  No mesmo albergue que nós, estava hospedado o Ivan Silverio, paulista que conhecemos através do grupo Caminho de Santiago no facebook e logo nos encontramos e passamos um agradável fim de tarde junto dele e  de mais duas brasileiras, a Cristina e a Luciana.

Caminho de Santigo de CompostelaNa hora de dormir, foi mais uma sinfonia de roncadores, mas os tampões no ouvido e um relaxante muscular me fizeram dormir bem…

Continua no próximo post…

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Caminho de Santiago de bicicleta – Início.

Fazer o Caminho de Santiago, seja a pé ou de bicicleta é uma experiência única. Cada pessoa o faz por um motivo, mesmo que o faça junto de outro, a percepção de tudo, as interações, as sensações e como esse período de peregrinação irá influenciar a sua vida, ou não, também é individual. Ao todo, percorremos 790km a partir de Roncesvalles, não fizemos a primeira etapa que começa em San Jean Pied de Port na França por alguns motivos, entre eles a dificuldade da subida com a bike e alforjes. O objetivo aqui não é, de forma alguma, julgar o que é certo ou errado, de onde as pessoas devem começar, se devem fazer de bike ou a pé, só pela trilha original ou usar a carretera. Mas a título de ilustrar um pouco do que é o Caminho de Santiago, fizemos esse relato, tentando retratar um pouco do que vivenciamos. Como foi uma viagem de 15 dias, serão vários posts com partes da viagem:

Um dia em Madrid:

Nosso vôo desde o Brasil foi até Madrid, pernoitamos lá para podermos comprar nossas bikes. Decidimos que iríamos comprar duas novas magrelas pra nós, então negociamos tudo antecipadamente do Brasil e partimos levando apenas os alforjes já com nossas roupas e os acessórios que tínhamos: bagageiros, pedais, capacetes, sapatilhas, bolsas de guidão e bolsas de  bagageiro. Não levamos nada além do que já iríamos carregar nos alforjes até Santiago. Chegamos em Madrid 6:30 da manhã no horário local e fomos então até o Hostel onde tínhamos reserva para deixar nossos alforjes enquanto resolvíamos a questão das bikes. Às 10h fomos até a loja, levamos os acessórios para serem instalados nas novas bikes e acertamos um transfer para o dia seguinte até o local onde pegaríamos o ônibus (também com passagem já comprada desde o Brasil) com as bikes devidamente embaladas para a viagem. Depois saímos pelo centro de Madrid para passear um pouco e conhecer alguns pontos turísticos.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Com Juan, da loja de bicicletas.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Amanhecer no centro de Madrid.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Parque Bom Retiro

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Banco de Espanha.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Jardins de Sabatini…

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Palácio Real

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Plaza Mayor

Dia 0 (antes de iniciar o pedal) – Indo para Ronscesvalles:

Como combinado fomos até a loja e eles nos levaram até o aeroporto, de onde saía o ônibus que nos levou até Pamplona e, de lá, pegamos outro busão até Roncesvalles. Tudo muito cronometrado e deu certinho!

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Nossa bagagem pronta para embarque no ônibus.

Chegamos em Ronscevalles as 17h do dia 09/05/15.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Capela de Santiago em Roncesvalles.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Em frente ao albergue La Colegiata

Nessa hora é que foi preciso nos organizar: escolhemos um local ainda fora do albergue para abrir as caixas e montar as bicicletas. Ali o Ari ficou fazendo a montagem enquanto eu fui fazer o check-in no albergue. Neste albergue era possível fazer reserva antecipada, e nós já tínhamos feito isso garantindo cama para aquela noite, já que além deste albergue só tem mais uma pequena pousada em Ronscesvalles. Check-in feito, camas reservadas (eram numeradas) e jantar comprado, voltei para ajudar o Ari com as bicicletas. Terminamos a montagem eram 19h aproximadamente e nosso jantar estava marcado para a partir das 20:30h. Fomos deixar as bicicletas em um local seguro para passar a noite, guiados por um hospitaleiro holandês, muito bem humorado por sinal, e depois fomos tomar banho para ir ao jantar.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Naquela noite fazia bastante frio, fomos jantar no restaurante Casa Sabina o menu do peregrino, um padrão de refeição servida em vários restaurantes em todo o percurso do Caminho. O menu serve um primeiro prato, um segundo prato e mais sobremesa, acompanhados de vinho ou água. Beeem servido hein?! Com esse menu ninguém passar fome, rsrsrs. Durante o jantar, dividimos a mesa com um californiano e um francês, que já havia morado em Buenos Aires e em São Paulo. Ambos faziam o Caminho sozinhos a pé e já haviam feito a primeira etapa que é de San Jean Pied de Port até Ronscesvalles. A conversa rolou solta durante todo o jantar, a maior parte do tempo em inglês, mas também um pouco em francês e português, foi muito bacana esse clima do jantar para entrarmos no clima do Caminho. Voltamos para o albergue para enfim dormir. Não sou fresca, fui bailarina na adolescência, na época viajava com o grupo e dormíamos em alojamentos, aprendi desde cedo a dividir e achar normal essa coisa de coletividade. Mas é lógico que a gente estranha, dormir num mesmo cômodo com pessoas que nunca vimos, dividir banheiros e tal, mas com o passar dos dias você se adapta. A cada dois beliches tinha uma divisória de madeira formando “mini-quartos” para 4 pessoas, e no beliche ao lado do nosso estavam duas francesas.

Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta

Preparando a cama.

Deitamos e eu logo adormeci, mas lá pelas 3h da manhã tive vontade de ir ao banheiro, levantei , voltei para a cama e tentei dormir de novo, a ansiedade de começar a pedalar não me deixou mais dormir direito, e a sinfonia de roncadores na madrugada é alta! Às 5h da manhã começa o barulho  dos peregrinos se preparando para sair (é isso mesmo, quem caminha sai com o dia ainda escuro). As francesas cochichavam, às 6h começo a ouvir um som de música bem longe, e me dou conta que tinha alguém  tocando violão ali perto. Olhei de cima do beliche e eram os hospitaleiros que nos despertavam ao som de “wake up litle Susy”. Que lindo, que mágico! Era hora de levantar e começar o primeiro dia de pedal. Para não ficar muito extenso, contarei num próximo post… 😉

 

Dia mundial sem carro

Dia 22 de setembro foi instituído o Dia Mundial Sem Carro, onde várias cidades do mundo promovem atividades em defesa do meio ambiente, da qualidade de vida e da mobilidade urbana. O objetivo é fazer as pessoas refletirem sobre o uso excessivo do automóvel.
É visível o efeito que o excesso de carros nas ruas causam: congestionamentos intermináveis, poluição do ar e sonora, estresse em motoristas, pedestres e ciclistas, violência, intolerância, e até obesidade… as pessoas desaprenderam a andar pela cidade. Ter um carro é maravilhoso… isso quando você consegue obter os benefícios dele, que é chegar rápido ao seu destino. Quando o que acontece é o oposto (horas preso no engarrafamento), é hora de parar e repensar seu modo de se locomover.

Que tal usar a próxima terça-feira para isso? Comece pequeno, vá a padaria caminhando, ou à academia. Convide um amigo para pedalar no fim do dia e aproveitar para colocar o papo em dia naquele boteco bacana que você nunca vai porque não tem onde estacionar…

DIA SEM CARRO

 

Experimente, hábitos são construídos aos poucos… E um mundo melhor também. 😉

Camisetas para quem curte bicicletas – Novas estampas

Quem nos acompanha há algum tempo, ou já entrou na nossa loja virtual,  já deve ter visto aqui no blog que fizemos camisetas para quem curte bicicletas em Floripa, quem não conhece ainda pode ver nesse link. As camisetas “Eu Pedalo Floripa” são um sucesso, quem gosta mesmo de bike, quer mostrar isso até mesmo quando não está em cima de uma, certo?
Pensando nisso criamos novas estampas e modelos de camisetas para quem curte bicicletas! Desta vez, além da estampa, trouxemos também modelagens mais femininas pensando nas bravas mulheres que enfrentam suas cidades em cima de duas rodas e se orgulham muito disso. Espia só:

Camiseta Bike

Camiseta básica Bike To Work

Camiseta Bike

Camiseta feminina Life is a beautiful ride

 

Camiseta Bike

Regata feminina Bike To Work

 

Camiseta Bike

Regata feminina Life is a bab

Baby looks e regatinhas pra elas e camiseta tradicional pra eles. 😉

Curtiu? Acesse a loja virtual ou se você é de Florianópolis também pode entrar em contato pelo telefone/whatsapp (48) 96501000.

 

Como ter a sua bike retrô ou reformar uma bike antiga

Sempre me perguntam onde comprei a Brigitte, como fiz pra reformá-la e por aí vai. Mesmo na rua, basta deixá-la estacionada em algum lugar por 5 minutos e já se aproxima alguém pra espiar e perguntar de quando ela é, se reformei, etc. A Brigitte foi comprada pelo Mercado Livre, bem destruída, mas com grande potencial como dá pra perceber.
Confesso que sou apaixonada por essa bicicleta, e morro de orgulho de pedalar com ela por aí, mas vamos ao que interessa. Vou contar o passo-a-passo que fizemos pra reformar esta bicicleta antiga. e pra quem não curte ou não tem paciência para percorrer todo esse processo de reforma ou restauração, no final do artigo daremos dicas de bikes novas com essa pegada retrô.

Passo-a-passo da restauração:

1. Primeira coisa: você precisa de uma bicicletaria de confiança, que tenha um mecânico que saiba mexer nessas bicicletas antigas, pois lá você irá mandar desmontá-la e após todo o processo terminado, vai levar pra ser remontada. O mecânico PRECISA conhecer desses modelos, que apesar de serem mais simples, muitas possuem algumas características peculiares. A bicicletaria que fez esse processo na Brigitte, infelizmente não existe mais, mas certamente não será difícil encontrar uma perto de você.
Esta é Brigitte antes da reforma:

Bike retrô

Brigitte quando comprada, antes da restauração.

2.  Depois da bicicleta desmontada, é hora de separar as peças que receberão jato de areia e serão pintadas.
A pintura do quadro, pára-lamas, protetor de corrente e bagageiro foram feitas com pintura eletrostática e eu escolhi dentre as cores disponíveis na hora. As peças cromadas foram levadas num outro local, especializado em cromagem. Dica: anote todas as peças que você está levando e para onde, para saber o que terá que trazer de volta.

3. Algumas peças não poderão ser reutilizadas, então você terá que garimpar e comprar novas peças para substituição. Muitas delas, encontramos pela internet, onde algumas eram peças novas de estoques antigos.
Garimpamos acessórios também: selim, manetes, campainha e ainda os adesivos para deixá-la o mais próximo possível da original. E ainda ganhamos de um amigo o bagageiro (tão útil para acomodar os alforjes no dia-a-dia), obrigada Roberto!

4. Depois de tudo pronto, juntamos novamente as peças e levamos até a bicicletaria de volta para a montagem final! 😀

bike retrô

Brigitte linda, fazendo pose.

É trabalhoso, mas vale muito a pena, afinal fica como você quer e  idealizou. Quem fez todo esse processo pra mim foi meu amado esposo Ari, e isso ainda me dá mais apego a essa bicicleta.
Mas se você achou muuuito trabalho, calma! É possível ter uma bike retrô sem passar por tudo isso! Existe hoje no mercado vários modelos com esse estilo, confiram abaixo.

  • Soul Copenhague Retrô: Possui para-lamas, bagageiro (garupa que dá pra prender alforjes), 21 velocidades e suspensão dianteira que dá mais conforto. Ótima bicicleta para o dia-a-dia, pra quem vai trabalhar com ela e com uma pegada retrô no design. Veja mais aqui.

    Bike retrô

    Soul Copenhague Retrô

  • Soul Flow One 26: Possui 21 velocidades, mas não tem para-lamas (importantíssimo no dia-a-dia para situações de chuva). Apesar disso,vejo como uma ótima bicicleta, confortável para o uso no dia-a-dia. Veja mais aqui.
Bike retrô

Soul Flow One 26

  • Bottechia Dolce Vitta – Lady: Essa é irmã gêmea da minha Brigitte! Foi uma grata surpresa descobrir uma bicicleta tão parecida com a minha! Existe a versão feminina e masculina dela. Possui somente uma velocidade, mas tem para-lamas, bagageiro e faróis. Além de ser linda, me parece super confortável.
Bikes retrôs

Bottechia Dolce Vitta

  • Olé Bikes Personalizadas: O bacana dessa bicicleta é que você personaliza as cores! E pode incluir para-lamas e cestinha. (pelo que vi, só possuem uma velocidade – se não for pegar subidas nos seus percursos, ok.). veja mais aqui.
bike retrô

Olé Bikes Personalizadas

  • Mobele Oma Classic: Possui pára-lamas, 7 velocidades, protetor de saias. Lindona pra uso no dia-a-dia e divar num passeio no parque. Veja mais aqui.
bike retrô

Mobele Oma Classic

  • Novello Style aro 26: Não tem marchas, não tem furação para bagageiro para colocar garupa. Possui apenas uma velocidade. Um charme só, mas pra ir trabalhar todos os dias ela pode não ser o modelo ideal. Veja mais aqui.
bike retrô

Novello Style aro 26

Viu?! Se você quer uma bike retrô para ontem, não precisa de muito trabalho não, basta pesquisar e escolher a que mais combina com você e atende as suas necessidades diárias. Gostaram? Qual delas é seu estilo?

😉

 

 

Medo de pedalar – perca o seu!

O que impede mais pessoas de usarem a bicicleta? O medo de pedalar.

Infelizmente, é o medo que paralisa as pessoas. Sabemos que isto acontece em muitos momentos da vida, o medo nos impede de fazer algo novo, algo diferente do que todo mundo faz. “Se todo mundo prefere usar o carro, que na teoria, é mais seguro, porque eu me arriscaria indo de bicicleta? Ter que descobrir novas rotas, usar outras roupas e correr o risco de ser atropelado? Eu não”. Não é este o primeiro pensamento?
Eu, Michelle, também tenho medo de pedalar. Eu tenho medo de cair e me machucar, tenho medo de ser atropelada, tenho medo de ser assaltada, tenho medo de ser assediada, tenho medo de ser estuprada, tenho medo de furar um pneu e não ter um seguro para chamar, tenho medo de prender minha bike na rua para ir ao mercado e quando voltar não ver nem sombra dela, enfim… são muitos medos. Porém, tento diariamente, não deixar com que esses medos me parem. Até porque, se ficarmos refém deles, não fazemos mais nada, nos trancamos em casa e pronto. E desde que fizemos este blog, foram muitos medos superados, e outros deixados do lado de dentro da porta quando saio de casa.
A falta de estrutura ciclística nas cidades e o incentivo cada vez maior do governo ao consumo de automóveis, são dois grandes responsáveis pela insegurança que aflige os ciclistas e também a quem gostaria de se tornar um. Com um trânsito cada vez mais violento é óbvio que as pessoas evitem outras alternativas de transporte, infelizmente.

Aliada à essas duas razões citadas anteriormente, temos a falta de educação e informação como agravante da situação, tanto da parte dos motoristas, quanto de ciclistas, que muitas vezes desconhecem seus próprios direitos e deveres. Quase todo mundo aprende a andar de bicicleta quando criança. Comigo foi assim e aprendi a sempre que possível andar pela calçada, na contra mão e longe dos carros pra garantir minha segurança, certo? Errado! Tem muita coisa sobre andar de bicicleta que aprendemos errado e que cada vez mais se faz necessário a orientação correta, dos ciclistas e dos motoristas também. Afinal, os motoristas são grandes responsáveis pela segurança dos ciclistas nas ruas. Existem regras a seguir e formas de se comportar que te ajudam a pedalar de forma mais segura, leia aqui.
Hoje em dia, a bicicleta é vista na maioria das vezes como objeto de lazer, que deve estar fora das ruas, transitando apenas dentro de parques e nas míseras ciclovias que nos são destinadas.  Mais uma vez, é falta de informação e má educação que tivemos que nos faz pensar assim. Existem várias cidades no mundo, como Copenhagen, Paris, que já enxergaram que o carro não é a solução mais inteligente para os grandes centros, eles poluem o meio ambiente, causam acidentes muitas vezes fatais, deixam a cidade congestionada, as pessoas ficam estressadas, além de perderem muito tempo de suas vidas dentro dos carros.
Como a gente estima que a mudança vem a passos de formigas, tentamos fazer nossa parte ajudando quem quer mudar de estilo de vida com este blog, escrevendo sobre nossas experiências nas ruas e transformando-as em dicas para quem quer usar mais sua magrela.
Dica número 1 para perder o medo de pedalar: aprenda a pedalar! Simples né? rs… Como falamos anteriormente, saber se comportar nas ruas pode salvar sua vida. E para quem tem muito medo, ou ainda nem sabe andar de bicicleta, uma opção muito legal é o projeto Bike Anjo. Este lindo projeto é mantido por voluntários que ensinam pessoas a pedalar, e sim, ensinam desde o princípio a crianças e também adultos. Ensinam você a se comportar nas ruas, manutenção básica, trocar pneu, etc. Uma coisa muito legal que acontece dentro do projeto é auxiliar pessoas que querem usar a bike como transporte e não sabem como. Além de ensinar como se comportar no trânsito, eles acompanham individualmente a pessoa, ajudam a escolher o melhor trajeto, qual bike seria mais indicada e muito mais… O Bike Anjo está presente em várias cidades do Brasil, acesse o site e descubra como chamar um Bike Anjo. Assista também o vídeo e conheça mais do projeto:

Outra dica legal para perder o medo de pedalar é buscar grupos de pedal. Além da segurança de estar entre mais ciclistas, o que facilita a visualização pelo motorista evitando acidentes, existe uma troca muito grande de experiência, que vai desde cuidados com a bike,  indicação de bons trajetos e enormes chances de se fazer novos amigos! Leia mais aqui.

Pedalar é sempre somar, quem pedala só tem a ganhar: ganha amigos, ganha saúde, ganha tempo, ganha experiência e histórias para contar… ninguém perde por usar a bicicleta. Vença seu medo e comece hoje mesmo a pedalar, você vai se surpreender.