Bela na Bike de Março

Um dos posts que mais gostamos de fazer para o blog é o Bela na Bike do mês, é sempre tão inspirador e dos deixa imensamente felizes. Ver essa mulherada linda e independente, donas dos seus narizes e destinos, com suas bikes nas ruas enche a gente de alegria E a gente quer sempre mais.
E hoje é dia da Luciana Vieira, nos conhecemos num evento na bicicletaria Garupa e a partir daí sempre nos encontramos em pedaladas pela cidade. A Lu é super querida, animada e pedala muito!! Conheçam um pouco da história dela e como ela é exemplo pra todas nós:

Qual sua idade e profissão? 

Estou com 40 anos e tenho formação em Jornalismo, mas não exerço a profissão. Trabalho como assistente administrativa.

Qual o espaço que a bicicleta ocupa no seu estilo de vida? (Esporte, lazer, transporte)

Uso a bicicleta para tudo. Como meio de transporte para ir ao trabalho, ao supermercado, visitar amigos, etc. Como lazer para relaxar e contemplar o que está ao meu redor. Como esporte para ter uma vida mais saudável e melhorar o meu condicionamento físico.  Quando estou pedalando para ir até a empresa onde trabalho, não a considero apenas como meio de transporte, mas também como meus momentos de lazer e esporte.  A minha disposição e humor no trabalho é bem melhor do que quando utilizo o ônibus. Deixo de pedalar quando chove forte, mas quando cessa a chuva e eu estou no ônibus… Ah, como eu queria estar pedalando! E fico procurando e olhando outros ciclistas da janela do ônibus.

Conte de forma breve, como a bicicleta conquistou espaço na sua rotina?

Sempre gostei de pedalar, desde a infância, mas era como lazer e esporte. A diferença no dia de hoje é a bicicleta ser também meu meio de locomoção. Teve um bom tempo que deixei de pedalar em função dos compromissos.  No entanto, dirigir carro era um ato estressante. Não que eu não goste de dirigir, mas ficava irritada quando ficava presa no trânsito e via as barbeiragens dos outros motoristas. Sem falar, nos quase acidentes que me deixavam assustada e, ao mesmo tempo, fula de raiva. Observando ciclistas da janela do carro, eu desejava muito usar a bicicleta no dia a dia. Mas… Tinha medo de pedalar com tantos veículos ao meu lado que podiam me derrubar. Voltei a pedalar nos finais de semana e já vinha trabalhando em minha mente para um dia usar a bicicleta durante a semana. Como tenho deficiência auditiva, testei a minha audição com os aparelhos auditivos nas ruas. Li muitos textos na internet sobre pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte e dicas de segurança para pedalar. Procurei me informar também das regras existentes de trânsito. O dia que usei a bicicleta para ir ao trabalho foi inesquecível e emocionante. Fiquei tão feliz por ter criado coragem! Então, hoje, a cada dia pedalo mais.

Quais foram os benefícios que o uso frequente da bicicleta trouxe para você?

O principal benefício é ficar longe do estresse. Eu me sinto muito disposta no trabalho, as ideias estão mais claras e ordenadas na minha mente, o meu corpo fica relaxado e leve. Até quando estou triste, pedalar tem me ajudado a aliviar o meu sofrimento. O que tem acontecido bastante nas ruas é ganhar sorriso ou cumprimento das pessoas. E também aproxima pessoas. Se não fosse a bicicleta, talvez jamais conheceria a Aline e a Michelle, as escritoras deste blog.

Você costuma se preocupar com seu visual na hora de pedalar?

Sim! Preciso de roupas confortáveis para pedalar e de peças que chamem a atenção dos motoristas. Não uso, por exemplo, blusas escuras durante à noite, pois os motoristas podem não me ver pedalando na rua. As cores precisam ser vibrantes como amarela, vermelha, laranja, azul e verde. Enfim, procuro usar as roupas que permitem que eu seja vista e, consequentemente, tenha segurança no trânsito.

Quais suas maiores dificuldades na hora de se vestir para ir de bicicleta nas atividades de rotina?

Para eu ir ao trabalho, não tenho dificuldade. Sou uma privilegiada, pois a Eletrosul, a empresa onde trabalho, dispõe de bicicletário e vestiário com chuveiro. Então, uso peças mais esportivas e elas são lindas. Levo no bagageiro as roupas que vou usar no trabalho e, de qualquer forma, são peças que servem para pedalar. Já peguei a bicicleta usando a roupa do trabalho para ir a um médico ou ver um amigo durante o intervalo de almoço. A foto que está neste post foi tirada no dia que saí para comprar um acarajé na feira da UFSC durante o intervalo do almoço.

Quais as maiores dificuldades que você encontra no seu dia-a-dia de ciclista?

Falta de respeito. Quando retorno para casa, tem uma rua com ciclofaixa. Quase sempre tem veículo estacionado na ciclofaixa!  Motoristas que não respeitam a distância de 1,5 metro em relação ao ciclista e passam em alta velocidade ao meu lado são atitudes que põem em risco a minha vida, sem falar nos sustos. Como costumo passar pela UFSC, tem sido comum cruzar com motociclistas nas calçadas e no túnel (que é só para pedestres e ciclistas), apesar da placa de proibição para circulação de motos. Outra dificuldade é a falta de segurança. Este ano houve muito assalto/roubo de bicicletas em Florianópolis. Em algumas ocasiões, deixei de pedalar por causa disso.

Você teria algum truque/dica para ensinar a mulheres que estão começando a pedalar agora?

Comecem a pedalar nos finais de semana, quando há menos trânsito nas ruas. Procurem ler tudo relacionado à bicicleta como segurança, leis de trânsito e dicas de outros ciclistas. Conversem com as pessoas que pedalam e, se possível, convidem um amigo para ir junto. Depois de sentirem seguras ao pedalar nos finais de semana, peguem um dia da semana para fazer isso. E vão aumentando devagar. Por exemplo, pedalar uma vez por semana. Na outra semana, duas vezes e, assim, sucessivamente. Até chegar o momento que vocês vão chorar de alegria por pedalar todos os dias!

Que mudanças você gostaria de ver na sua cidade para que a rotina dos ciclistas se tornasse mais tranquila e segura?

Mais ciclovias e ciclofaixas. Que os órgãos públicos, espaços urbanos e estabelecimentos comerciais de grande circulação de pessoas tenham bicicletário. Que haja educação desde o ensino fundamental sobre as regras de trânsito. Se houvesse respeito e, consequentemente, as ruas fossem compartilhadas tanto pelos motoristas quanto pelos ciclistas, possivelmente não precisaríamos ter ciclovias e ciclofaixas. E também que haja mais policiamento nas ruas para dar mais segurança, não só aos ciclistas, mas a todas as pessoas que circulam nas ruas.

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Meninas, gostaríamos muito da participação de vocês aqui também… Entrem em contato conosco pelo email contatobelanabike@gmail.com e conte sua história pra gente, tem um monte de gente por aí esperando para ser impactado (de forma positiva, claro) por ela. 😉

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