Viajar de bike – Circuito Vale Europeu em SC – Dia um

Esse mês vai completar um ano que eu e o meu esposo fizemos nossa primeira cicloviagem, onde passamos três dias pedalando pelo interior do estado de Santa Catarina, e sem glamour… Nada de saia, vestidos, maquiagem ou salto alto. Foram muitos quilômetros percorridos com o minimo de bagagem possível e hoje vou contar como foi o viajar de bike no primeiro dia dessa experiência incrível!

Circuito do Vale Europeu é um roteiro de cicloturismo famoso por sua beleza, por ser bem sinalizado e com infraestrutura de hospedagem entre os trechos. O Circuito é dividido em 2 partes – baixa e alta. Recomenda-se reservar 3 dias para pedalar a parte baixa e 4 dias para a parte alta, ambas totalizando 300 km, porém não tínhamos previsão de dispor de 7 dias de folga pelo menos até o início de 2014.

Mas queríamos muito ter essa experiência antes de nos aventurarmos no Uruguai (que já havíamos programado fazer em março de 2014 e contaremos aqui numa outra oportunidade), estudando bem o calendário tivemos a idéia de fazer a parte alta em 3 dias, era o que conseguiríamos folgar entre Natal e Ano Novo. Porque a parte alta? Todos que fazem o Circuito completo diziam que é a parte mais bonita, desafiadora e nós não queríamos perder essa oportunidade!

Não tínhamos muito o que pensar, só era preciso reservar as pousadas e poderíamos não achar vagas. Quando começamos a contar aos amigos ciclistas que faríamos o Circuito neste período de ano, alguns disseram que essa época era muito quente, confesso que eu fiquei com um pouquinho de medo, mas não desistimos.

E assim fizemos, saímos de carro de Florianópolis no dia 25/12/2013 logo após o almoço de Natal, rumo a Timbó com uma forte onda de calor já sobre SC. Quando digo calor, chegamos em Timbó com 38 graus e nenhuma brisa… A previsão era de esquentar mais nos próximos dias (!!!), mesmo assim seguimos firmes em nosso objetivo!

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Chegamos no Tapyoka, restaurante no centro de Timbó que é ponto inicial e final do Circuito, para pegar nossos passaportes (carimbando o passaporte durante o trajeto nas pousadas, no final você recebe o certificado) e rumamos a Rodeio, onde iríamos dormir para no dia seguinte começar nossa jornada.

Nossa reserva era na Pousada Cama & Café Stolf, onde fomos recebidos pela família da D. Irene e o Sr. Dandi,que logo nos encaminharam para um quarto muito aconchegante, silencioso e com o ar condicionado ligado (Ahhhhhhh…. delícia!). Descansamos uns minutos e então saímos para fazer um lanche no centro, queríamos voltar e dormir cedo para no dia seguinte começar com o clima o mais fresco possível. Programamos nosso café da manhã para 6:30h e quando chegamos na cozinha D. Irene já tinha tudo pronto só pra nós, inclusive pães de queijo saindo do forno. Enquanto comíamos fomos trocando informações com o casal dono da pousada. Sr. Dandi disse que devido a longa subida que encararíamos já no começo, era bom não levar muita água na saída (tínhamos cada um uma caramanhola de 750ml e mochilas de hidratação com capacidade de 2 litros cada e mais 2 garrafas extras), que levássemos apenas a quantidade para a subida de 8 km e que chegando no topo teria um bica d’água onde poderíamos nos abastecer com segurança, evitando carregar morro acima um peso desnecessário já no começo. Ótima dica!

Uma das coisas que combinamos antes de sair foi de que não íamos pegar água de qualquer riacho, pois não saberíamos a qualidade da água, muitas vezes vem contaminada com agrotóxicos ou sabe-se mais o quê. Também fizemos sanduíches para lanche no caminho, afinal nosso trajeto não teria restaurante, bar ou lanchonete onde pudéssemos comprar comida e isso é avisado no guia do Circuito.

Bicicletas prontas, alforjes instalados, foto da largada e lá fomos nós, rumo a uma grande aventura, confiantes e cheios de expectativas…

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Primeiro dia: Rodeio – Doutor Pedrinho

O caminho já começa com uma paisagem encantadora, estrada rural, cheiro de mato, muitos pássaros, flores, tudo que a gente gosta! Tudo indicava que teríamos um dia muito prazeroso…

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Logo depois de pouco mais de 1 km começamos a subir, estava nublado e nos animamos, pensando que não faria muito calor. Lá no terceiro km, pneu traseiro da bike do Ari furou! Tiramos os alforjes e começamos a troca da câmara. Logo depois passou um ciclista descendo o morro, parou e gentilmente perguntou se queríamos ajuda e perguntou dos nossos planos, era o dono de uma hospedaria próxima dali. Contou-nos que no dia anterior recebeu um grupo que estava “tentando” fazer o circuito mas haviam desistido por conta do calor, nos desejou boa sorte e seguiu seu caminho. Com tal notícia nos entreolhamos com um pouquinho de receio, mas lógico que não iríamos desistir ali, vamos em frente!

Continuamos a subida e de repente começamos a ver anjos na beira da estrada… São esculturas instaladas e cuidadas por um senhor que mora ali na região, em meio a muitas hortênsias, torna o caminho ainda mais bonito! Chegamos a uma escultura maior, uma imagem do Cristo de braços abertos, onde paramos para mais fotos e seguimos adiante.

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O sol logo apareceu, foi esquentando muito e quando chegamos no topo, a tal bica d’água! Tomamos muita água, nos refrescamos, abastecemos e seguimos. Caminho lindo, paisagens de tirar o fôlego e muito calor! Mas a grande subida do dia estava vencida.

Conforme indicava no guia chegamos a uma bifurcação, entrada para a Cachoeira do Zinco. Eram 8km de ida e mais 8 de volta para chegar lá, trecho opcional do roteiro. Devido o sol já estar fervendo nossa pele decidimos que não iríamos até a Cachoeira, fomos até onde deu para avistá-la (uns 2 km apenas) e logo voltamos para a nossa rota.

Já era quase 13h da tarde quando chegamos à frente da Igreja Enxaimel (única no Brasil), ali encontramos um gramado na sombra de uma árvore, paramos para o nosso “almoço” e um descanso do sol escaldante. Comemos o que tínhamos levado, descansamos por quase uma hora e decidimos voltar para a estrada, afinal ainda tínhamos uns 15 km ou mais pela frente…

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Subidas fortes e com alforjes carregados (levamos o mínimo possível de bagagem, mas morro acima 100 gramas transformam-se em 1 kg!), por duas vezes o Ari deixou a bike dele no topo do morro e desceu para me ajudar a empurrar a minha morro acima… E eis que numa dessas subidas ele para, olha para trás para me esperar e então vê uma placa que estava no sentido contrário com uma seta que indicava: “Piscinas”. Do outro lado da estrada, na indicação da seta, havia um portal de madeira aberto. Nos entreolhamos e não pensamos duas vezes: Vamos entrar pra ver o que é!! Um quilômetro pra dentro e avistamos um pequeno parque aquático!! Aaahhhhh… Sensacional! Pagamos R$20,00 cada e ficamos ali por umas 3 horas na água!!

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Anexo à piscina tinha um bar onde comemos pastéis, tomamos Coca-cola e seguimos por mais 10km até que chegamos ao hotel em Doutor Pedrinho… Felizes!

Já não era surpresa, no hotel não tinha ar-condicionado e a dona nos cedeu um ventilador extra para ajudar a refrescar. Tomamos banho, jantamos na companhia de outro ciclista que fazia o Circuito sozinho, o Maurício de São Paulo. Conversamos sobre os planos para o dia seguinte, nos recolhemos e demoramos pra pegar no sono. Todo o sol que pegamos na piscina nos deixou um pouco queimados e com mais calor ainda para dormir, mas o cansaço venceu…

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Na próxima semana traremos o relato do segundo dia dessa aventura.

E então, ficou com vontade de planejar a sua? 😉

Beijinhos, Aline.

 

Postado originalmente em bikea2.wordpress.com

3 thoughts on “Viajar de bike – Circuito Vale Europeu em SC – Dia um

    • Olá Norma! Esta viagem foi em dezembro de 2013, portanto pode ter alguns valores diferentes, mas pagamos em média R$100/pessoa com jantar e café da manhã. Um abraço!

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