Caminho de Santiago de Compostela de bike – Etapa 7 – De Frómista a Sahagun

Continuamos com mais uma etapa do Caminho de Santiago percorrido de bike:

Amanheceu com aquele frio de doer os dedos, 5°C! Colocamos todas as nossas camadas de roupa, tomamos o café e saímos com o sol raiando…

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Preparação pra saída… Muito friiio!!

Eu adoro o frio para pedalar, estando bem agasalhada, é uma beleza! Desde que não seja frio com neve, tá valendo… E apesar do frio desse dia fazer com que meus dedos quase congelassem (com duas luvas!), o pedal rendeu bem!!

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Sorriso congelado.. :-P

Mas nesse dia pela manhã uma situação me deixou desconfortável: seguíamos por um caminho onde havia a carretera com os carros passando com bastante velocidade e a trilha do caminho seguia em paralelo a essa estrada, como dá pra ver na foto abaixo.

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Caminho paralelo à carretera.

Até tentamos ir pela carretera, mas sentimos um carro passar muito rápido e apesar de ter acostamento, nessa etapa ele era muito estreito e preferimos ir pela trilha do caminho junto aos peregrinos caminhantes. Como já citei aqui, sempre que nos aproximávamos, pedíamos licença dando “bom dia, bom caminho”. Numa dessas ocasiões uma jovem peregrina se virou e ao nos ver pegou seu cajado e apontou para a estrada, esbravejando na língua dela que nós devíamos ir por lá e não atrapalhá-los ali… Demos novamente bom dia, desejamos bom caminho e seguimos. Na hora me senti mal, pois me senti como se eu fosse uma ameaça. Penso que nós ciclistas, devemos mesmo ter todo cuidado com os pedestres, mas o estávamos tendo! Em nenhum momento passamos correndo entre pedestres (até porque o peso dos alforges não deixam!) ou fomos grosseiros. Pensei bastante sobre isso durante todo aquele dia e depois meu coração se acalmou, entendi que o caminho é para todos, que nós também somos peregrinos (ou bicigrinos) e que talvez a moça tenha tido uma noite ruim e descontou na gente… Desejei que ela seguisse em paz. E dali em diante não pensei mais nisso, seguimos a diante com o nosso caminho!

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Papo de peregrinos…

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No povoado de Carrión de los Condes, paramos em uma praça, entramos na igreja (das poucas abertas) e em frente havia uma padaria (os pães espanhóis são maravilhosos!!), compramos pão para o picnic do almoço e como estavam quentinhos, compramos mais alguns para comermos ali, sentados na praça…

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A padaria que nos chamou pelo cheiro!!

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Pausa para apreciar os pães!

Decidimos já passar num mercado e comprar insumos para o almoço, eu entrei e o Ari ficou fora cuidando das bikes. Quando saí, estavam ali o mineiro e a paulista que havíamos conhecido na noite anterior no albergue! Trocamos algumas palavras, abraços, tiramos uma foto e seguimos, não nos veríamos mais, já que eles estavam caminhando.

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Peregrinos brasileiros.

Pouco depois das 12h o estômago já pedia mais comida! Fomos procurando um local que pudéssemos parar e achamos umas mesas de concreto, instaladas bem ao lado do caminho, propriamente para este fim. Pensamos: é aqui mesmo!! Que delícia de picnic!!

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Momento delícia: Picnic!

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Estrutura de luxo…

Descansamos uns minutos e fomos em frente. Encontramos outros 3 ciclistas espanhóis, e conversamos por alguns quilômetros. Eram idosos, simpáticos, um deles já tinha tido um enfarto e por isso usava uma mountain bike elétrica… Eles estavam no maior pique, já faziam o caminho pela  terceira vez e acho que já não queriam parar tanto como nós, marinheiros de primeira viagem. Seguiram…

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Sempre que passávamos por caminhantes que eram brasileiros, viam nossa bandeirinha atrás da bike, gritavam cumprimentando-nos e acabávamos trocando algumas palavras: de onde são, até onde seguem neste dia e assim conhecemos o Eduardo, de Florianópolis (!!!), mora no mesmo bairro que nós! Coincidência… Eduardo também ficaria na mesma cidade que nós, Sahagun. Fomos em frente.

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Antes de chegar no centro de Sahagun, fica o Marco Geográfico da Metade do Caminho, ou seja, chegamos na metade da nossa jornada!

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O “meio” do Caminho.

Depois de passarmos no marco, chegamos no centro de Sahagun, e ficamos num albergue que é uma antiga igreja adaptada: metade albergue, metade um auditório onde acontecia um evento da cidade.

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Entrada do albergue-ex-igreja.

A parte de albergue é um mezanino em metade da igreja com beliches de madeira. Um pé direito muito alto, da minha cama (que ficava na parte superior do beliche) eu via o que rolava no auditório, situação no mínimo curiosa. Tomamos banho, saímos para dar uma volta na cidade, comer cerejas e buscar comida para cozinhar no albergue. Ao voltarmos Eduardo havia chegado e se hospedou no mesmo albergue, além dele os 3 espanhóis também se hospedaram aí. Conversamos um pouco sobre o trajeto do dia seguinte, os espanhóis fariam mais km porque tinham um amigo levando suas bagagens de carro, estavam mais velozes.  Jantamos no albergue, tomamos cerveja e fomos dormir satisfeitos com mais um dia completado…

Continua…

Se este foi o primeiro artigo que achou, clique aqui e acompanhe desde o começo os relatos dessa lindíssima viagem pelo Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta.

2 thoughts on “Caminho de Santiago de Compostela de bike – Etapa 7 – De Frómista a Sahagun

    • Olá Simone! O Caminho é realmente encantador!
      Só quem percorre consegue entender que realmente há algo de muito especial por lá!
      A vontade de voltar já me persegue também! :-)
      Obrigada por compartilhar sua página! Buen camino…

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