Bela na Bike do mês de maio

São muitas belas na bike Brasil a fora, e hoje quem compartilha sua história com a gente é a Viviane Mendonça de Curitiba…  ela é um arraso! Um exemplo para todas nós.
Quem a vê circulando em sua bicicleta pelas ruas de Curitiba conclui que ela poderia perfeitamente ser uma francesa de Paris ou uma italiana de Milão. O cabelo curtinho e o estilo moderno elegante de Viviane Mendonça, 37 anos, combinam com roteiros de filmes europeus e cenários de cinema. Mas, esta professora de Geografia da rede estadual de ensino nasceu em Lunardelli, no Paraná. De lá, trouxe a simplicidade deliciosa daqueles que sabem o que vale a pena na vida e uma  certa timidez misturada com recato, bem característica de quem viveu e cresceu no interior.
Viajada, conhece vários continentes e, em boa parte destas viagens, a bike foi o propósito da empreitada ou o meio de locomoção para cumprir o itinerário. Há mais de 10 anos, a magrela faz parte da rotina  de Viviane. Pedalando ela parou de fumar, emagreceu 20 quilos e transformou seu estilo de vida.
A maior mudança, segundo ela, foi no humor.  Porém, os amigos mais próximos sabem que foi muito além disso. Viviane incluiu programas mais agradáveis, uma alimentação mais saudável e viagens inspiradoras na rotina do marido, dos amigos e dos familiares. Atualmente, ela assina a página Vou de bike e salto alto, no Facebook, e tem um perfil no Instagram, onde registra uma infinidade de belezas e detalhes do mundo dos ciclistas.

Foto: Eliandro Oliveira

Foto: Eliandro Oliveira

  1. Qual o espaço que a bicicleta ocupa no seu estilo de vida?
    A bicicleta está presente em todas as áreas da minha vida. Faço trilha todos os finais de semana e participo de algumas competições locais. Sou praticante de cicloturismo há mais de 10 anos, tendo feito alguns roteiros espetaculares como Chapada Diamantina, Chapada dos Veadeiros, Caminho de Santiago de Compostela, trilha do Telégrafo (considerada a pior trilha do Brasil), Serra Gaúcha e tantos outros pelo Brasil a fora. E, por fim, a bike transformou-se no meu meio de transporte. Vou ao trabalho, supermercado, aula de inglês, academia e outros afazeres diários com a minha magrela.
  1. Conte de forma breve, como a bicicleta conquistou espaço na sua rotina?A minha relação com a bicicleta começou aos 15 anos, quando questionada sobre querer debutar, respondi que não e que queria apenas uma bicicleta com cestinha.  Já adulta, quase 20 anos depois, comecei a pedalar aos domingos com grupos de amigos. Fazíamos trechos curtos pela região metropolitana de Curitiba com aproximadamente 30 km. Mais tarde, essas trilhas se tornaram mais longas com 50 ou até 80 km, quando passei a conhecer meu corpo e meus limites. Descobri uma força em mim que não consigo explicar muito bem  até hoje. Mais confiante, passei a fazer cicloturismo e ‘carregar’ a bike para todos os lugares possíveis de se pedalar. Lama e cansaço já não me derrubavam mais. Então, há 3 anos atrás , decidi levar essa minha experiência para o dia-a-dia da minha rotina. Comecei pedalando para o Trabalho e depois fui adaptando outros afazeres diários. Percebi, que nada á impossível até você tentar. O que mais  me intrigava era o fato  de ter que pedalar todos os dias  com aquelas roupas de ciclistas, e claro, a logística seria péssima. Tira roupa, leva roupa na mochila, troca de roupa no trabalho. Não, assim eu não queria, foi aí então, que decidi ir pedalando do mesmo jeito que eu trabalho, ou seja, de bike e salto alto. E não é que funcionou (rsrs). Tive o privilégio de conhecer vários países e entender como lá homens e mulheres pedalam com roupas casuais, pensei: porque não? E, a partir disso, tomei a iniciativa. Primeiro fiz o trecho num domingo de manhã de casa até o meu trabalho acompanhada do meu marido que sempre foi meu maior incentivador apoiando minhas maluquices de bike,  aliás, sem ele eu nunca teria tido coragem de fazer tudo o que faço, somos grandes companheiros unidos pela bicicleta.  Na semana seguinte iniciei o que seria a minha liberdade e independência de ir e vir Já que não dirijo e não tenho carro, minha rotina de locomoção pela cidade se resume em bike, ônibus a pé ou de táxi, exatamente nesta ordem. Escrever este texto para vocês me faz refletir o quanto nós ciclistas mulheres somos diferentes das demais mulheres que não pedalam, e, ao mesmo tempo tão idênticas na coragem, superação e fortes nas nossas batalhas diárias.
  1. Quais foram os benefícios que o uso frequente da bicicleta trouxe para você?Certamente meu humor e meu peso. Já cheguei a pesar 20 quilos a mais que hoje, de 75 kg para 55 kg . Mas isso é passado. Primeiro, a bike mudou meu corpo, depois, mudou a minha cabeça, e, hoje ela mudou a minha vida. Me tornei uma mulher mais bem humorada, já chego pilhada para trabalhar já que tenho que ficar muito atenta nas ruas “né”. Passei a entender melhor o trânsito e por isso respeitá-lo, aprendi que tenho regras rígidas a serem seguidas e que “bancar a espertinha” no trânsito pode tirar a minha vida ou a de outra pessoa. Quando estou na rua meu raciocício é: não faça nada que possa provocar a ira de um motorista ou um pedestre e mantendo-me  sempre correta nas minhas atitudes.
  1. Você costuma se preocupar com seu visual na hora de pedalar?Sim, muito! Você não precisa andar ‘fedidinha’ e muito menos sem maquiagem só porque vai de bike. Visto-me exatamente como se fosse de carro ou de táxi, não deixo de usar nada que goste só porque vou de bicicleta. A partir do momento que entendi que isso era perfeitamente possível, ganhei as ruas imediatamente. Inclusive, acessórios dos mais diversos são muito bem vindos para nós mulheres e ciclistas, deixa você e o trânsito mais leves. Uma das maiores vantagens foi poder ir para muitos lugares de salto alto o que provavelmente não conseguiria andando a pé, principalmente por calcadas irregulares, sonho realizado de ficar de salto o dia todo indo e vindo pelas ruas.
  1. Quais suas maiores dificuldades na hora de se vestir para ir de bicicleta nas atividades de rotina?Felizmente, hoje não tenho dificuldades. Simplificar é a regra da bike. Menos é mais né. Aprendi e adaptei meu dia-a-dia para bicicleta, carregar menos coisas, ir ao supermercado, sim é possível, no inicio assim como toda mudança, quase desisti, mas hoje posso jurar que é possível e fácil.
  1. Quais as maiores dificuldades que você encontra no seu dia-a-dia de ciclista?Muitas. Como em todas as cidades do Brasil. A começar pelo trânsito, que sem dúvida é o problema dos ciclistas de todo Brasil e estabelecimentos sem estacionamentos para bike. Muitas vezes deixo de comer em alguns lugares ou comprar algo porque não há bicicletários .  Também existem os assaltos, já fui roubada uma vez, levaram minha bike e não foi nada agradável. Estes tem sido os grandes desafios por aqui meninas.
  2. Você teria algum truque/dica para ensinar a mulheres que estão começando a pedalar agora?Coragem e muita vontade de ser livre. A sensação do vento na “cara” não tem explicação. As principais dicas que acho super válidas são:. O tipo de bicicleta é importante, se você vai para o trabalho, procure uma bike mais urbana e confortável, com os seguintes acessórios: Cesta que é ideal para carregar alguns itens que nós mulheres sempre temos à mão.   Corrente protegida para não ficar toda marcada de graxa. Lenço no pescoço é essencial pois além de chique ainda protege o nosso lindo pescoço. Ter uma capa de chuva  na sua bike também é importante, principalmente em dias de chuva. Procure não utilizar mochilas, elas fazem com que você sue muito. Para utilizar salto alto no pedal é simples, você só precisa utilizar a parte da frente  do sapato, cuidados com saltos muito finos e muito altos pois podem enroscar no pedal, é muito simples pedalar de salto alto. As dicas que estou dando é para você deixar o medo e experimentar, se joga mesmo, depois você me conta lá no Vou de bike e salto alto. Já para as bicicletas de mountain  bike, elas devem ser mais leves e adequadas ao seu tamanho. Ou seja, para cada estilo de pedalada um tipo de bicicleta.
  1. Que mudanças você gostaria de ver na sua cidade para que a rotina dos ciclistas se tornasse mais tranquila e segura?Respeito mútuo entre as pessoas que ocupam as ruas. Não importa qual o seu meio de transporte, sua origem, de onde vem e para onde vai. Nós precisamos entender que existe espaço para todos e que as ruas não são propriedades particulares, todos temos direitos de ocupar todos os espaços.
Foto: Eliandro Oliveira

Foto: Eliandro Oliveira

Obrigada Viviane por compartilhar conosco sua história, você é um grade exemplo para todas nós!
E para quem quiser acompanhar a Viviane, esta é a página dela no Facebook: Vou de bike e Salto Alto, tem muita coisa bacana por lá, vale a curtida. 😉

 

*Revisão do texto: Isabela França

 

 

 

 

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