fonte: google - autor desconhecido

6 Razões para não pedalar na contramão

Quando eu comecei a pedalar, láááá na infância, tinha a convicção de que pedalar na contramão era mais seguro, pois estava vendo tudo o que vinha em minha direção. E até hoje, muita gente pensa assim.

Mas não é!! Além de ser proibido pelo código de trânsito:

“Art.: 58
– nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos das pistas de rolamento, NO MESMO SENTIDO da circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores.

Parágrafo único. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.”

Maaaas, mesmo quando digo isso pra quem defende circular na contramão, me retrucam:

– Mas eu acho muito melhor porque estou vendo e me sinto seguro com isso!!

E esse pensamento está errado, vou citar alguns motivos além da lei, pra convencer você a NÃO circular na contramão:

1 – Os motoristas não irão lhe ver quando estiverem entrando em uma via pelo lado contrário, pois estarão cuidando dos veículos que estão no sentido do trânsito, contrário ao seu;

2 – Os motoristas não irão lhe ver quando abrirem a porta do carro, pois estão cuidando se vêm outro carro olhando no retrovisor;

3 – Os pedestres não irão lhe ver ao atravessarem a rua, pois naturalmente olham para o lado de onde vêm os carros para então atravessarem;

4 – Fica mais difícil desviar de um carro que eventualmente possa vir em sua direção, e o motorista também terá dificuldades para frear e desviar, pois as velocidades estão somadas… Se você estiver no mesmo sentido, o motorista terá mais tempo de frenagem antes de o carro lhe atingir, diminuindo a velocidade e os danos em caso de choque;

5 – A bicicleta é um veículo, portanto deve seguir as leis do Código Brasileiro de Trânsito. Respeitando, você terá muito mais chances de ser respeitado.

6 – E andando no mesmo sentido do trânsito, você naturalmente se sentirá parte dele e verá que fica muito mais simples e seguro!

Abaixo, assista ao vídeo que faz parte de uma campanha do DETRAN do Paraná por um trânsito mais seguro.

😉

Caminho de Santiago de bike – 14 dicas práticas

Temos recebido muitos contatos pedindo dicas sobre o Caminho de Santiago e eu adoro responder esses e-mails e mensagens.

Mas nem todo mundo tem paciência de enviar e-mail e para a informação ficar mais acessível, reuni algumas dicas úteis nesse post:

1 – Hidratação – Há muitas fontes pelo caminho, abastecíamos nossas caramanholas/squeezes sempre nas fontes ou nas torneiras dos albergues e não tivemos nenhum problema, além disso água fresca e muito boa de beber. Quando a água da fonte não é potável, existem avisos.

2 – Calçados – antes de ir pensei em levar apenas um tênis que fosse possível utilizar tanto para pedalar como para bater perna enquanto estivesse nas cidades. Como já pedalava de sapatilha de clip, na pequena viagem teste que fizemos um mês antes de irmos, eu testei o uso do tênis e percebi que pra mim não funcionava mais usá-lo para pedalar, o tênis é menos rígido e isso faz com que eu canse muito mais em longas distâncias. Sendo assim, levei a sapatilha de clip para pedalar e mais um tênis de passeio, o que funcionou muito bem!! Além da querida Havaianas para usar no albergue, tomar banho e tal.

3 – Pomada para o bumbum – quem fica muito tempo sobre o selim sabe que as irritações ocorrem, assaduras e etc. Como prevenção, usamos creme Fenergan ou Promergan. Passamos antes de depois das pedaladas e além de prevenir as assaduras, já trata a pele de possíveis irritações. Gostamos mais desse do que hipoglós porque não mancha as roupas e é melhor e aplicar. Obsevação: não utilizamos roupa íntima por baixo da bermuda/calça de ciclismo, o que ajuda muito no conforto durante o pedal.

4 – Saco de dormir – vai depender da época do ano em que você for, mas se for na meia estação como nós fomos, um saco de dormir que suporte temperatura até 5°C é o ideal. Nós usamos o modelo Micron X-lite da Nautika e foram ótimos, leves pequenos quando enrolados e deram conta do recado no frio e calor.

5 – Levamos uma fronha pra usar nos travesseiros e achei muito útil.

6 – Leve repelente – indico levar um em gel e outro em spray da marca Exposis (encontrado na Decathlon, se não tiver essa loja em sua cidade, pode conprar online – (http://busca.drogaraia.com.br/search?w=repelente%20exposis). O em spray você usa nas suas roupas, antes de deitar nas camas dos albergues. Os albergues são sempre muito limpos, mas pela rotatividade de pessoas e mochilas pernoitando no local, há risco de algum percevejo lhe picar. Eles são mais comuns no verão, mas recomendo a precaução.

7 – Leve um cadeado para prender a bike durante a noite. Os albergues em geral possuem locais para deixá-las, mas nem sempre são fechados, ou cobertos.

8 – A necessáire (bolsinha) de itens de higiene que leva para o banho, é muito útil que tenha um gancho para pendurar – dentro dos box de banho normalmente não há onde apoiar nada. Leve sempre com você os itens de valor e documentos. E pra facilitar esse leva-e-traz de roupas e documentos, levamos um saco de TNT (aqueles que se usa pra guardar sapatos no armário), ali levávamos as roupas limpas para o banheiro e depois do banho já trazíamos as roupas sujas direto para lavar.

9 – Quase todos os albergues possuem máquinas de lavar e de secar e você paga aproximadamente 3 a 4 euros por uso de cada uma delas. Como não tínhamos muita quantidade de roupa suja no dia, lavávamos à mão no tanque mesmo, usando sabonete Dove (com hidratante, não deixava a roupa dura :-P). No período que fomos, o sol se punha perto das 21h e normalmente secavam antes de irmos dormir. Apenas uma vez deixamos acumular roupas de 2 dias e lavamos/secamos nas máquinas e outra vez dividimos a lavagem com outros ciclistas que fizemos amizade naquele dia.

10 – Leve algo para prender as roupas no varal – levamos alfinetes (pregadeiras. joaninhas) de fraldas de bebê e foi ótimo para as roupas não voarem, além de não ocuparem espaço na bagagem.

11 – Alimentação – há muitas opções de café, bar, lanchonete ou mini-mercado em todo o percurso, não se preocupe que sempre irá achar, inclusive frutas. Porém, nas cidades pequenas é muito forte a tradição da siesta – às 14h fecha todo o comércio e a população vai dormir, reabrindo tudo somente lá pelas 17h ou mais – portanto, se quiser ter algo para comer/beber nesse horário é bom comprar antes das 14h e levar com você no alforge.

12 – Leve um adaptador de tomadas, aqueles como um T onde você coloca até 3 aparelhos a carregar são excelentes. Nem sempre você encontrará uma tomada só pra você, tendo um destes você pode compartilhar com outros a mesma tomada.

13 – algumas sacolas plásticas de supermercado – são muito úteis pra tudo e lá essas sacolas são cobradas nos mercados.

14 – Saca-rolhas/abridor de garrafas se pretende tomar vinhos pelo caminho. 😉

Se você tem alguma outra dúvida além das que escrevi acima, manda pra gente!

E Buen Camino!!

Caminho de Santiago de bike – Etapa Final – De Pedrouzo a Santiago de Compostela

Chegou o grande dia! A etapa final:

Despertei com o Ari me felicitando por meu aniversário! Que alegria acordar ali, em uma viagem incrível, ao lado do meu amado. O dia era mais que especial! Rapidinho nos arrumamos, tomamos café da manhã no albergue mesmo, com iogurte, ovos e frutas que tínhamos comprado no dia anterior. Saímos com uma alegria, uma vontade de chegar em Santiago logo. E por essa euforia toda, me lembro muito pouco do trajeto deste dia. Lembro que pedalamos em clima de muita paz, serenidade…

Passamos por muitos peregrinos, todos na mesma alegria pro estarem na reta final, cumprimentando-nos quando passávamos. Isso aumentou ainda mais nosso ânimo, nosso desejo de chegar. Pouco tempo depois, chegamos no Monte do Gozo, onde há um monumento em homenagem a visita do Papa naquele local na IV Jornada Mundial da Juventude. em 1989.

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em frente ao Monumento de Juan Pablo II.

Disseram que dali já daria para ver as torres da Catedral, mas nós não conseguimos ver nada… Estávamos mesmo era sem paciência de procurar, pois isso é possível sim, mas não soubemos achar onde seria esse mirante e fomos logo em direção à cidade, o apóstolo nos esperava!! rsrsrs..

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Entrada da cidade Santiago de Compostela.

Entramos na cidade e íamos seguindo as setas, mas nada de chegar na igreja, uma rua de paralelepípedos e depois entramos no centro antigo de Santiago, pequenas ruas, e sem visão das torres da igreja. Aquilo foi fazendo meu coração disparar, onde está? Imaginei que chegar até lá caminhando deva ser quase uma tortura psicológica… rsrsrs

De repente ouço uma gaita de fole tocando longe, olhamos para cima e vimos uma das torres! Estávamos na lateral da Catedral. Parei, as lágrimas começaram a brotar enquanto eu sorria, que emoção, que alegria!!

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Lateral da Catedral, chegamos!

 

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Em frente a majestosa Catedral de Santiago de Compostela.

Entramos na praça do Obradoiro e comemoramos muito! Mesmo com a catedral em reforma (há alguns anos já…) é linda!! Sentamos no chão, batemos fotos, comemoramos muito e não queríamos mais sair dali…

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Momento euforia extrema… rsrsrs

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Depois que a euforia baixou, precisávamos pensar onde iríamos dormir naquele dia, logo achamos uma pensão e fomos até lá tomar banho, guardar nossas bikes para finalmente entrar na Catedral, a missa do peregrino era às 12h e eu estava ansiosa para assisti-la.

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dentro da igreja e pertinho do altar de Santiago.

Entramos na igreja às 11h, já cheia de peregrinos… Não conseguimos lugar para assistir a missa sentados, ficamos de pé mesmo, era missa de Pentecostes e por esse motivo aquela missa teria a cerimônia do Botafumeiro – ritual que acontece somente 1 vez por semana e que eu queria muito assistir. Quando o botafumeiro foi aceso e erguido, meus olhos mais uma vez encheram-se de lágrimas,  foi um momento de muita emoção, e chorei muito de alegria, me senti realmente abençoada. A catedral é enorme, o altar é maravilhoso e depois da missa ainda ficamos caminhando dentro dela, conhecendo cada detalhe.

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Até que a fome bateu e nos obrigou a sair e procurar onde almoçar. Achamos um restaurante que servia uma boa carne assada e enormes cañas!! Um brinde! Tantas coisas a comemorar e agradecer…

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Ainda permanecemos mais 2 dias em Santiago, perambulando entre as ruazinhas e apreciando tudo o que a cidade tem a oferecer… Vale a pena, cidade linda!!

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E assim terminou nossa aventura, com muito gosto de quero mais!

Em breve farei outro post apenas com dicas úteis para esta viagem, aguardem!

😉

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Caminho de Santiago de bike – Etapas 13 e 14 – de Portomarín a Pedrouzo

Como as próximas duas etapas são pequenas, resolvi contá-las em apenas um post:

Dia 13 – De Portomarín a Melide

Saímos com um pouco de frio, mas já não era mais tão intenso como nos dias anteriores…

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Curiosidade: na Galícia o idioma se aproxima muito do português…

Mais uma vez, o Caminho era repleto de túneis verdes, formados pelas árvores. Nestes últimos dias, o cheiro de esterco era bastante forte no ar, parece que é comum na região. Muitos cavalos e vacas deixam o rastro pela trilha, vida no campo…

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A ansiedade crescia por estarmos nos aproximando de Santiago, mas cada a km rodado queríamos parar, descansar, contemplar.

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Paramos em Palas de Rei e compramos os itens do picnic do dia. Seguimos até onde achássemos um local agradável para o lanche, até que  chegamos a uma igreja muito antiga que tinha um banco na frente, ali fizemos nossa refeição.

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Igreja medieval na Galícia.

Depois de descansarmos um pouco, continuamos a pedalar  e faltando aproximadamente 5km pra chegar em Melide alcançamos o Carlos (peregrino espanhol veterano, que já fez o Caminho 29 vezes), caminhando firme e rápido, seguia como um trator!!  Queríamos uma foto com ele, mas ele dizia que não podia parar, pois àquela hora estava muito cansado e se parasse não andaria mais. Tiramos uma foto quase na marra! Rsrsrs…

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Carlos, veterano no Caminho.

Chegamos em Melide, passamos em frente A Garnacha e vimos o dono preparando o famoso prato à base de Polvo.

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Preparo do Pulpo a Galega no restaurante Garnacha.

Fomos atrás de um albergue e conseguimos um quarto em um Hostel para dividir apenas com duas jovens canadenses. Foi ótimo, bastante sossego. Depois de um banho, fomos para a praça que ficava na frente do Hostel, e ficamos praticando o nadismo (a arte de fazer nada… ) até a hora de ir jantar, quando fomos na A Garnacha experimentar o Pulpo a La Gallega. E vale muito a pena viu? Pra quem curte frutos do mar é imperdível!!

Depois do jantar passamos numa feira e compramos cerejas para comermos enquanto caminhávamos pelas ruas, até chegar no Hostel e finalmente descansarmos nossos esqueletos…

Dia 14 – De Melide a Pedrouzo

Mais um dia praticamente plano, e quanto mais nos aproximávamos de Santiago, mais crescia a ansiedade de chegar logo! Mas nos mantivemos na nossa de decisão de chegar somente no domingo, dia 24/05 que coincidentemente era meu aniversário! Rsrsrs… Essa viagem fez com que eu não tivesse inferno astral, ou qualquer mimimi pré-aniversário. Foi tudo muito diferente e sem dúvida o melhor aniversário da vida! Mas calma, ainda não chegamos, estamos no nosso caminho, em meio às árvores, aquela calmaria e de repente: vacas meio do caminho!

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O dono as guiava para atravessarem o caminho para onde estava seu terreno. Ficamos ali parados, esperando todas passarem na maior tranquilidade… Trânsito liberado, seguimos em frente!

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O dia foi curto, logo chegamos a Pedrouzo e achamos um ótimo albergue para nos hospedarmos. Lavamos nossas roupas e as colocamos no sol, saímos para passear e comprar mantimentos para preparar uma refeição. Comemos pães, ovos, salada e até batata frita.

O albergue tinha mesas ao ar livre para fazermos nossas refeições, onde ficamos por um  bom tempo  tomando cerveja e conversando sobre coisas que vimos até chegar ali… Havia uma mesa de pebolim, que uniu duas espanholas, uma holandesa e uma alemã, num torneio que rendeu muitos gritos e risadas… E nós ríamos junto, contagiados pela alegria delas e pela quantidade de cerveja ingerida.

Anoiteceu e fomos dormir pensando em como seria o dia seguinte…

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 12 – de Triacastela a Portomarín.

Continuando o relato sobre percorrer o Caminho de Santiago de bike:

Saímos pela manhã tranquilos, em nosso roteiro tínhamos pouco menos e 50 km para vencer e poucas subidas. Além disso, estávamos em ritmo leve, aproveitando ao máximo os últimos dias.

Caminho de Santiago de Bike

O sol não permitiu que a foto ficasse boa, mas essa casa no meio do percurso merecia registro!

Nesse trecho há duas opções de caminho uma passa pelo Mosteiro de Samos e outra passa por San Xil. Não sei explicar porque, mas fomos automaticamente pela rota do Mosteiro de Samos. E valeu tanto!! Que linda construção!! Que paz ao redor daquele lugar!!

Caminho de Santiago de Bike

O lindo Mosteiro de Samos..

Contemplamos por um tempo, tomamos um café em frente ao Mosteiro e seguimos.

Caminho de Santiago de Bike

Quem disse que hoje o dia era plano??

Chegamos em Sarria bem antes do meio-dia e pensamos em almoçar por ali. A cidade fica num ponto bastante alto e demoramos para achar onde seria o centro, já que o caminho tradicional é por uma longa escadaria e tivemos que desviar para subir com as bikes carregadas. Sentamos numa mesa na rua, comemos calmamente e descansamos um bom tempo observando os peregrinos que iam chegando à cidade.

Caminho de Santiago de Bike

Em Sarria, apenas observando…

A parte da tarde foi praticamente toda por túneis verdes, formados pelas árvores da região.

Caminho de Santiago de Bike

Obstáculos fáceis de ultrapassar…

Caminho de Santiago de Bike

E a pergunta na cabeça: mas hoje não era plano??

Chegamos num ponto marcante do Caminho de Santiago, o marco que indica a distância faltante para Santiago – 100km. Essa é a quilometragem mínima a ser percorrida por um peregrino para que receba a Compostelana (certificado), e por isso muitos começam o caminho a partir de Sarria, aqueles que não conseguem percorrer todo o trajeto seja por restrição física ou de tempo. Para quem percorre o Caminho de bicicleta o mínimo é de 300km. Tiramos foto no marco e seguimos até Portomarín, nossa cidade destino do dia.

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Só mais 100 km…

Portomarín fica também no alto, é uma cidade que foi toda reconstruída após ser inundada propositalmente por conta de uma barragem construída na região.

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Chegando em Portomarín.

Ficamos num albergue enorme, deve ter umas 120 camas no mesmo salão, mas acho que não ocuparam nem metade naquela noite. Tudo bem limpo e organizado.

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Igreja da cidade, que foi desconstruída pedra por pedra e reconstruída no alto, onde a cidade se reinstalou…

Como de costume fomos à praça, dar uma volta e conhecer um pouco. Compramos mantimentos para fazer o jantar no albergue, mas antes sentamos num restaurante que fica ao lado da igreja para experimentar o “pulpo à gallega”. Prato típico da região, um polvo temperado com páprica espanhola, muito maravilhoso diga-se de passagem e muito famoso em Melide, que seria a próxima cidade destino. Resolvemos experimentar em Portomarín, para termos parâmetro de comparação com o mesmo prato servido em Melide, onde dizem ser o melhor.

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O Pulpo à la Galega de Portomarín.

Enquanto comíamos o Pulpo (polvo), dois senhores espanhóis que estavam na mesa ao lado puxaram papo conosco. Peregrinos veteranos (um deles já fez o Caminho 29 vezes!), disseram para experimentarmos o polvo em Melide, que lá é que se come o melhor preparo deste prato. Como eu disse antes, nós já sabíamos disso, e explicamos a eles o motivo de estarmos comendo ali. Eles então nos indicaram o restaurante de Melide onde se come o melhor “Pulpo à Gallega”, chamado A Garnacha. Ficamos conversando enquanto bebíamos uma boa cerveja e fomos para o albergue preparar nossa janta. Após um farto jantar, ficamos sentados na frente do albergue que tinha uma linda vista do lago e o pôr do sol. Quando a escuridão começou a dominar o céu, já era hora de nos prepararmos para dormir…

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Vista do lago formado pela barragem que inundou a cidade antiga de Portomarín.

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 11 – de Villafranca Del Bierzo a Triacastela.

Mais uma etapa do Caminho de Santiago de Compostela, mais um dia de desafios, reflexões e recompensas…

Na nossa programação inicial, o dia de hoje, seria de pedalar até Melide, o que daria 88 km e no dia seguinte já pedalaríamos até Santiago. Porém, percebendo que estávamos na reta final e com  aquela sensação de não querer que acabasse, percebemos que os dois dias que havíamos reservado para um descanso, ou qualquer imprevisto nesta viagem, não foram usados até então. Dessa forma, resolvemos dividir os percursos dos 2 últimos dias em 4, assim usaríamos os dias extras para pedalar também, continuando no Caminho por mais tempo.

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Na saída de Villafranca del Bierzo..

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Ainda na saída de Villafranca…

Saímos então pela manhã de Villafranca e fomos em direção ao Cebreiro. Esse trecho seria o maior desafio da nossa viagem, já que era a maior altimetria do Caminho de Santiago (do trecho percorrido por nós). Nos preparamos bem para tal, mas a ansiedade era enorme, queríamos muito chegar lá no alto e ver o vilarejo do Cebreiro, tão comentado por todos que lá já estiveram… Fomos pedalando pela carretera (asfalto) e o aclive era até bem leve no início, fomos brincando, conversando, e cada vez mais próximos do destino.

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Subida para o Cebreiro.

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Como o caminho original dos peregrinos é outro, aqui éramos só nós numa imensidão de verde..

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Começou a esquentar e eu tirei o corta-vento..

Chegamos numa pequena vila, onde havia um bar e 3 caminhos a seguir. Ficamos um pouco confusos de qual seria a direção que deveríamos tomar e perguntamos a um rapaz no bar. Ele nos disse que tínhamos mesmo 3 opções: a primeira delas era de 8km, a segunda de 12km (mais longa porém em asfalto), ou uma terceira de 4km que é a trilha original dos caminhantes. Ele nos tranquilizou dizendo que a trilha mais curta tinha apenas 500 metros de terreno muito ruim onde teríamos que empurrar a bike e logo depois ficaria tranquilo para pedalar. Seguimos então seu conselho e acabamos tendo que empurrar a bike por uns 2 km ao menos!

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Esse peregrino aí é Brasileiro! :-) E ficou todo orgulhoso de me passar enquanto eu sofria pra empurrar a bike… :-P

O peso da bike somado ao da bagagem fica gigante!! E os peregrinos passavam por mim tirando onda…  Cansei, parei, larguei a bike no chão, comi uma maçã enquanto observava a vista linda que deixamos pra trás. Logo o Ari que estava bem mais à  frente apareceu, voltou porque sentiu minha falta e carregou minha bike até chegarmos onde ele havia deixado a dele. Prosseguimos naquela batalha, ele me puxando e eu rosnando.. Porque quando eu estou exausta e ainda tenho que pedalar é assim que eu fico, rosnando. Até que chegamos num novo trecho de carretera, ufa!

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Ufa! Voltamos para a carretera!

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A vista que se tem de lá de cima é incrível!!!

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Mas a subida não acabou…

Mas ainda tinha subida! Começou a chuviscar, o frio foi ficando intenso e enfim chegamos no Vilarejo do Cebreiro!

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Ari: Faz cara de feliz! Eu: Mas que frio!!! Ari: Anda Aline! Faz cara de feliz logo e vamos bater essa foto! rsrsrs

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Em frente a mítica igreja do Cebreiro…

Visitamos a igreja e logo fomos em busca de um lugar pra ficar, queríamos passar a noite ali. Era meio dia, o albergue só abria as 13h e já tinha fila. Preferimos ficar na fila pra garantir a cama antes de tudo. E foi esfriando, colocamos TODAS as blusas que tínhamos e ainda fazia frio. O albergue abriu, o Ari ficou cuidando das bikes enquanto eu segui na fila pra fazer o check in. Demorou 1 hora até que chegasse a minha vez, quando a senhora hospitaleira olhou para o meu capacete pendurado no braço e soltou grosseiramente: Ciclistas só depois das 19h e se sobrar vaga! Não acreditei e pedi que ela repetisse, não podia ser verdade…

Vale aqui ressaltar este alerta: a regra no Caminho em geral é esta: a preferência nos albergues é dos caminhantes, ciclistas normalmente só entram depois das 18h ou 19h e  se sobrar vaga, afinal, para o ciclista é mais fácil seguir até a próxima cidade. E ocorre que para nós, até aquele dia, nenhum albergue nos restringiu a entrada em qualquer horário, havíamos até esquecido desta regra e ingenuamente achamos que teríamos lugar ali. Mas com razão, este é um lugar onde a regra precisa ser obedecida, afinal é um trecho de grande dificuldade e se um caminhante chega lá no alto e não tem onde dormir, a coisa complica muito.

Enfim, voltei para o Ari já chorando, chateada com a situação e só pensava em ir embora dali, queria um banho quente. Subimos na bike e fomos atrás do próximo vilarejo. Com muito frio, vento e chuva, seguimos por mais 21km até Triacastela.

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Mas antes subimos mais um pouquinho até o Alto do San Roque…

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E ainda subimos MAIS um pouquinho até o Alto do Poio…

Lá encontramos um albergue com chuveiro quente e lugar para colocar nossas bikes em lugar coberto. Tomamos um ótimo banho, colocamos as roupas para lavar na lavadora do albergue e fomos no restaurante ao lado tomar um caldo galego, prato típico da região, mas que eu não posso dizer que amei, era bom, mas pouco tempero pro meu gosto. Compramos mantimentos para fazer a janta no albergue e retornamos para cuidar das nossas roupas que teriam que ir para a secadora neste dia, não havia sol e tínhamos acumulado roupas sujas do outro dia. Na hora do jantar, sentamos à mesa para comer e logo chegou  para sentar conosco uma brasileira, a Ligia que é paranaense e fazia o Caminho sozinha, também sentou conosco o Eduardo que é espanhol e logo depois atraídos pelo idioma, outro casal brasileiro de Minas Gerais que também se hospedara ali. E a conversa rolou até a hora de todos se recolherem…
Foi um dia intenso…

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 10 – de Rabanal del Camino a Villafranca del Bierzo.

Dia 10 – Rabanal Del Camino a Villafranca Del Bierzo

Mais uma manhã gelada! A noite de sono foi muito tranquila, poucos peregrinos no nosso albergue e fomos mais uma vez os últimos a sair pela manhã… Encontramos um café ainda dentro do povoado pra aquecer-nos antes de começar o pedal.

Caminho de Santiago de Bike

Aquela cara de sono de manhã cedo que nem o óculos esconde…

Caminho de Santiago de Bike

Os sinais do caminho…

Nosso trajeto de hoje prometia fortes emoções, chegaríamos na Cruz de Hierro, ponto muito marcante do Caminho e logo vou explicar o motivo. A Cruz de Hierro (cruz de ferro) fica num ponto de grande altitude, sabíamos que a subida seria forte, mas treinamos bastante pra essa etapa, então eu estava com a cabeça e corpo preparados! Mas o frio na barriga me acompanhou até chegarmos lá no alto e avistarmos a Cruz!

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Cruz de Hierro à vista!

Caminho de Santiago de Bike

É muito frio!

Nesse ponto, os peregrinos deixam uma pedra, que carregam em sua mochila até ali, e conosco não foi diferente! Nossas pedras foram conosco desde o Brasil! Há alguns significados para este rito, um deles diz que quando você deposita a sua pedra ao pé da cruz, está deixando pra trás tudo o que carregou na vida até ali, você começará uma nova vida após o Caminho, e então você se liberta do peso do passado…

Caminho de Santiago de Bike

“Pequeno” monte de pedras trazidas por peregrinos de toda parte do mundo!

Tinham muitas pessoas chegando naquele mesmo momento e cada um tem um tempo para subir na montanha de pedras e deixar a sua junto a cruz. Foto para registro e agora vamos começar a descer…

Caminho de Santiago de Bike

Nosso momento, deixando nossas pedras no caminho…

Se na subida já estava frio, na descida estava literalmente congelante! Tive que parar algumas vezes e esquentar as mãos no bafo! Kkkk…

Caminho de Santiago de Bike

Esfriou ainda mais! Brrrr

Caminho de Santiago de Bike

Quase encostando nas nuvens. :-P

No primeiro povoado que avistamos, El Acebo, encontramos um café/bar  e não pensamos duas vezes, largamos as bikes na rua e entramos correndo pra nos aquecermos com um café bem quente! O bar estava lotado, todo mundo fazendo uma pausa para seguir adiante. Eu tomei um chocolate quente, segurando a xícara com as duas mãos em volta para descongelá-las… hummm delícia! Comemos tortilha de batata com pão, também aquecidos. O frio era tanto, que esta parada ficou marcada em nossas memórias! Até hoje comentamos sobre ela…

Caminho de Santiago de Bike

Povoado de El Acebo.

Depois desse momento conforto, hora de subir na bike e continuar, ainda tínhamos mais descida pela frente! Chegamos numa parte da estrada com muitas curvas, e depois de nos deliciarmos com essa descida leve e no sol, em Molina Seca, mais uma pequena cidade cheia de charme. Passamos pela ponte e a vontade era de ficar por ali mesmo, sentados à beira do rio. Mas nosso objetivo do dia era mais à frente.

Caminho de Santiago de Bike

Nas curvas do Caminho…

Caminho de Santiago de Bike

Em Molina Seca.

Logo depois, chegamos em Ponferrada, uma cidade maior e onde há o Castelo dos Templários, construção iniciada em meados do século XII como uma igreja e que depois foi doada aos cavaleiros da Ordem dos Templários, encarregando-os de defenderem os peregrinos naquele trecho do Caminho. Nós decidimos almoçar ali, mas acabamos um pouco perdidos perto do Castelo, onde o caminho passa por escadarias e o guia nos mandou passar por um desvio, que nos fez passar por trás do Castelo , sem que nos déssemos conta de que estávamos passando por ele!!

Caminho de Santiago de Bike

Os fundos dos Castelo do Templários…

Bem, fomos seguindo, procurando um local para um lanche, e só achamos algo convidativo quase na saída da cidade. Comemos um bocadillo cada um com coca-cola bem gelada…  Continuamos nossa tarde sob um forte sol, comemos cerejas compradas na beira da estrada, tomamos vinho em uma degustação, e de parada em parada, chegamos na cidade que programamos pernoitar: Villafranca del Bierzo.

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Degustando vinho del Bierzo…

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Chegando em Villafranca del Bierzo.

Chegamos com um sol gostoso, aquele frio intenso ficou pra trás. Nos hospedamos num albergue maravilhoso, chamado Albergue de Leo. Muito aconchegante, recém reformado, o albergue é de uma família muito simpática, que vendo que éramos um casal nos acomodaram num quarto com apenas 2 camas! Mesmo sendo um quarto onde a porta que dividia-nos de outro quarto era uma cortina, ficamos muuuuito agradecidos. <3  Mais uma noite muito bem acomodados! Tomamos um ótimo banho e depois saímos pra caminhar na cidade, fizemos picnic na praça, tomamos vinho, comemos uma massa em um restaurante da Plaza Mayor, tomamos mais vinho, e já com o riso frouxo, fomos para o albergue dormir… 😀

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Caminho de Santiago de bike – etapas 8 e 9 – de Sahagun a Rabanal del Camino

Hoje teremos duas etapas em um post só! Vejam como continuou a aventura de Aline e Ari no Caminho de Santiago de Compostela de bike:

Dia 8 – De Sahagun a Leon

Caminho de Santiago de bike

Arco de San Benito em Sahagun.

Mais um dia de muito frio, hoje nosso dia era de apenas 54km e poucas subidas, fomos bem tranquilos e por um tempo foi até um pouco monótono, mesma paisagem por muito tempo.

Caminho de Santiago de bike

Trajeto tranquilo, sem subidas…

Caminho de Santiago de bike

Um bom trecho com a mesma paisagem…

Chegamos em nosso destino ainda antes do almoço!

Caminho de Santiago de bike

Já bem perto de León.

Já havia esquentado bastante em Leon, almoçamos um menu do peregrino no próprio alberque que é de uma congregação de freiras beneditinas e onde há também um hotel de luxo.

Caminho de Santiago de bike

Albergue Santa Maria de Carbajal, cuidado por freiras beneditinas.

Depois do farto almoço saímos a passear na cidade, era domingo, a cidade de León, uma das maiores do nosso percurso. Estava lotada, bares abertos com mesas nas ruas, os peregrinos se misturavam ao povo da cidade passeando por entre as ruas com o sol a todo vapor.

Caminho de Santiago de bike

A alegria pairava no ar. Caminhamos bastante, passamos por uma apresentação de idosos dançando com castanholas, uma festa!  Sentamos em frente ao prédio do famoso Gaudí, ficamos debaixo de uma árvore, observando, descansando, tomando sorvete e respirando o ar espanhol…

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Obra do famoso Gaudí.

Ao cair da tarde, procuramos um local para comer uma paella, queríamos comer num restaurante daqueles com mesa na rua, para apreciar o movimento enquanto comíamos e fomos enganados na maior cara de pau: a minha paella tinha um camarão e um anel de lula, e a do Ari que era mista tinha uma coxinha de asa de frango além do que tinha na minha. Aff!!! Depois dessa fomos para o albergue, assistimos a missa cantada pelas freiras e nos recolhemos para aquela que seria a noite mais mal dormida da viagem…

Dia 9 – De Leon a Rabanal Del Camino

A noite foi difícil, o albergue era enorme, basicamente um salão, pé direito baixo e apesar de lá fora fazer frio, a quantidade de pessoas dormindo, respirando e emitindo gases no mesmo cômodo fez com que a temperatura ficasse bastante alta. Muitos ruídos de gente entrando e saindo pra ir ao banheiro, muitos roncadores competindo o nível de decibéis, os tampões não funcionaram muito bem… Eram 5:30h da manhã ainda e eu não conseguia mais ficar ali. Olhei pra cama de baixo, o Ari também estava acordado e incomodado. Resolvemos levantar e partir no escuro mesmo…  Com um pouco de dificuldade conseguimos sair do centro da cidade, e percebemos que a nossa alegria era mesmo estar em cima de nossas bikes e pedalando!

A luz do dia foi se abrindo e nós logo chegamos na frente do Hotel Parador de Espanha, um prédio muito lindo e imponente, hotel luxuoso do Caminho… Paramos pra tirar uma foto, a qual não saiu muito boa por conta da pouca luz… :-/

Caminho de Santiago de bike

Hotel Parador de Espanha.

Nós logo fomos ultrapassando os primeiros caminhantes do trecho, chegamos numa parte onde estávamos só nós dois, ninguém a vista para frente ou para trás… resolvemos fazer algo pra divertir, paramos para uma foto (ou várias) com salto ornamental, mas nem tanto… rsrsrs..

Caminho de Santiago de bike

Seguimos um pouco mais e chegamos a Astorga, mais uma importante cidade do Caminho. Ao lado da catedral de Astorga, fica a Casa Episcopal – que hoje é um museu – outra obra de Gaudí, linda construção e que impressiona por seus detalhes. E entramos  no pátio para uma foto.

Caminho de Santiago de bike

Chegando a Astorga.

Caminho de Santiago de bike

Casa Episcopal

Fizemos nosso já tradicional picnic numa pequena praça de Astorga, observados por alguns idosos que faziam seu passeio da tarde. Descansamos e continuamos nossa jornada, afinal o nosso destino do dia era Rabanal Del Camino.

Depois de sairmos de Astorga, entramos num trecho bastante deserto, passamos por poucos peregrinos, talvez pelo horário, já estivessem em seus destinos. Logo começou um vento contra, que me deixou de muito mal-humor e sem energia. Os últimos 10km de um leve sobe e desce que mais pareciam 30! Até que chegamos, ufa!!

Caminho de Santiago de bike

Cruzes no caminho.

Achamos o Albergue municipal, uma casa medieval (assim como todo o povoado), com paredes de pedra muito grossas, poucas camas e uma placa na entrada que dizia para entrarmos, escolhermos nossas camas e que mais tarde uma hospitaleira viria nos cobrar e se apresentar. Assim fizemos, tomamos banho, lavamos nossas roupas, lavamos as bikes e saímos pra comprar algo para beber e comer.

Caminho de Santiago de bike

Albergue municipal de Rabanal del Camino.

Voltamos para o albergue, que tinha um quintal arborizado onde batia um sol gostoso, sentamos numa das mesas para comer batatinhas e beber cerveja enquanto atualizávamos redes sociais e falávamos com a família.

Caminho de Santiago de bike

Quintal do albergue.

Logo entrou no quintal um padre muito jovem, estatura enorme, direcionou-se a mim, me perguntou se gostaríamos de assistir a missa em latin que aconteceria as 19h, na igreja da cidade. Eu prontamente disse que sim, e confirmei que estaríamos lá. O padre é alemão e estava a trabalho naquela comunidade a 3 meses, perguntou de onde éramos, disse que já percorreu o caminho e que agora estava prestando serviço ali.

Fomos a missa conforme prometido, a igreja é de uma simplicidade cativante, pequena e impressiona por se tratar de uma construção muito antiga. Estava com quase todos os bancos ocupados, e logo depois que chegamos, mais peregrinos se acumulavam de pé nos cantos da igreja para assistir a missa em latin. E foi lindo, abençoado momento!

Caminho de Santiago de bike

Igreja de Rabanal del Camino.

Caminho de Santiago de bike

Interior da igreja.

Depois da missa passamos no mercadinho, compramos mantimentos e fomos cozinhar no albergue: massa com hambúrguer (sentíamos falta da carne bovina). Outros peregrinos também cozinhavam, era comum. Jantamos e nos recolhemos. Rabanal Del Camino já fica numa região de mais altitude e muito frio, e naquele dia tive que puxar um cobertor para me cobrir por cima do saco de dormir… brrrr

Continua…

Se este foi o primeiro artigo que achou, volte neste link e acompanhe desde o começo os relatos dessa lindíssima viagem pelo Caminho de Santiago de Compostela de bicicleta.

 

Caminho de Santiago de Compostela de bike – Etapa 7 – De Frómista a Sahagun

Continuamos com mais uma etapa do Caminho de Santiago percorrido de bike:

Amanheceu com aquele frio de doer os dedos, 5°C! Colocamos todas as nossas camadas de roupa, tomamos o café e saímos com o sol raiando…

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Preparação pra saída… Muito friiio!!

Eu adoro o frio para pedalar, estando bem agasalhada, é uma beleza! Desde que não seja frio com neve, tá valendo… E apesar do frio desse dia fazer com que meus dedos quase congelassem (com duas luvas!), o pedal rendeu bem!!

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Sorriso congelado.. :-P

Mas nesse dia pela manhã uma situação me deixou desconfortável: seguíamos por um caminho onde havia a carretera com os carros passando com bastante velocidade e a trilha do caminho seguia em paralelo a essa estrada, como dá pra ver na foto abaixo.

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Caminho paralelo à carretera.

Até tentamos ir pela carretera, mas sentimos um carro passar muito rápido e apesar de ter acostamento, nessa etapa ele era muito estreito e preferimos ir pela trilha do caminho junto aos peregrinos caminhantes. Como já citei aqui, sempre que nos aproximávamos, pedíamos licença dando “bom dia, bom caminho”. Numa dessas ocasiões uma jovem peregrina se virou e ao nos ver pegou seu cajado e apontou para a estrada, esbravejando na língua dela que nós devíamos ir por lá e não atrapalhá-los ali… Demos novamente bom dia, desejamos bom caminho e seguimos. Na hora me senti mal, pois me senti como se eu fosse uma ameaça. Penso que nós ciclistas, devemos mesmo ter todo cuidado com os pedestres, mas o estávamos tendo! Em nenhum momento passamos correndo entre pedestres (até porque o peso dos alforges não deixam!) ou fomos grosseiros. Pensei bastante sobre isso durante todo aquele dia e depois meu coração se acalmou, entendi que o caminho é para todos, que nós também somos peregrinos (ou bicigrinos) e que talvez a moça tenha tido uma noite ruim e descontou na gente… Desejei que ela seguisse em paz. E dali em diante não pensei mais nisso, seguimos a diante com o nosso caminho!

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Papo de peregrinos…

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No povoado de Carrión de los Condes, paramos em uma praça, entramos na igreja (das poucas abertas) e em frente havia uma padaria (os pães espanhóis são maravilhosos!!), compramos pão para o picnic do almoço e como estavam quentinhos, compramos mais alguns para comermos ali, sentados na praça…

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A padaria que nos chamou pelo cheiro!!

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Pausa para apreciar os pães!

Decidimos já passar num mercado e comprar insumos para o almoço, eu entrei e o Ari ficou fora cuidando das bikes. Quando saí, estavam ali o mineiro e a paulista que havíamos conhecido na noite anterior no albergue! Trocamos algumas palavras, abraços, tiramos uma foto e seguimos, não nos veríamos mais, já que eles estavam caminhando.

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Peregrinos brasileiros.

Pouco depois das 12h o estômago já pedia mais comida! Fomos procurando um local que pudéssemos parar e achamos umas mesas de concreto, instaladas bem ao lado do caminho, propriamente para este fim. Pensamos: é aqui mesmo!! Que delícia de picnic!!

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Momento delícia: Picnic!

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Estrutura de luxo…

Descansamos uns minutos e fomos em frente. Encontramos outros 3 ciclistas espanhóis, e conversamos por alguns quilômetros. Eram idosos, simpáticos, um deles já tinha tido um enfarto e por isso usava uma mountain bike elétrica… Eles estavam no maior pique, já faziam o caminho pela  terceira vez e acho que já não queriam parar tanto como nós, marinheiros de primeira viagem. Seguiram…

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Sempre que passávamos por caminhantes que eram brasileiros, viam nossa bandeirinha atrás da bike, gritavam cumprimentando-nos e acabávamos trocando algumas palavras: de onde são, até onde seguem neste dia e assim conhecemos o Eduardo, de Florianópolis (!!!), mora no mesmo bairro que nós! Coincidência… Eduardo também ficaria na mesma cidade que nós, Sahagun. Fomos em frente.

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Antes de chegar no centro de Sahagun, fica o Marco Geográfico da Metade do Caminho, ou seja, chegamos na metade da nossa jornada!

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O “meio” do Caminho.

Depois de passarmos no marco, chegamos no centro de Sahagun, e ficamos num albergue que é uma antiga igreja adaptada: metade albergue, metade um auditório onde acontecia um evento da cidade.

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Entrada do albergue-ex-igreja.

A parte de albergue é um mezanino em metade da igreja com beliches de madeira. Um pé direito muito alto, da minha cama (que ficava na parte superior do beliche) eu via o que rolava no auditório, situação no mínimo curiosa. Tomamos banho, saímos para dar uma volta na cidade, comer cerejas e buscar comida para cozinhar no albergue. Ao voltarmos Eduardo havia chegado e se hospedou no mesmo albergue, além dele os 3 espanhóis também se hospedaram aí. Conversamos um pouco sobre o trajeto do dia seguinte, os espanhóis fariam mais km porque tinham um amigo levando suas bagagens de carro, estavam mais velozes.  Jantamos no albergue, tomamos cerveja e fomos dormir satisfeitos com mais um dia completado…

Continua…

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Caminho de Santiago de bike – Etapa 6 – De Burgos a Frómista

Oi gente!!

Pedimos desculpas pelo sumiço, mas fim de ano é aquele apuro, e depois do Natal precisamos de uns dias de descanso total!

Agora, voltamos com a continuação dos relatos sobre o Caminho de Santiago de bike e tentaremos colocar mais posts por semana para compensar ok?

Então continuando de onde paramos, vejam como foi o sexto dia de pedal na maravilhosa Espanha:

Acordamos com uma música ambiente tocando, Marie Noelle nos preparou um café especial que nos deu ainda mais ânimo para enfrentar o dia que iniciava. Deixamos aquele lugar com a certeza de que não poderíamos ter melhor hospedagem em Burgos, foi uma delícia!

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No albergue, com Marie Noelle antes de sairmos pela manhã.

A saída de Burgos me deixou ainda mais apaixonada pela cidade, as ciclovias, os passeios, a organização, um encanto!

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As torres da catedral de Burgos ao fundo… Apaixonante!

Logo chegamos num trecho com várias montanhas que pareciam desenhadas, de tão lindas…

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Paisagens pintadas à mão…

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E lá no fim dessa estrada, a cidade de Hornillos del Camino.

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Paradinha pra mais um café no bar!

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As papoulas contornando todos o caminho…

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Ruínas do Convento San Antón.

Passamos por Hornillos Del Camino, Convento San Antón e então chegamos num  trecho todo ladeado por lindas árvores, e no fim deste trecho avistamos a cidade de Castrojeriz.

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Um belo trecho do Caminho, contornado por ávores…

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e depois das árvores, avistamos a cidade de Castrojeriz, com seu castelo no topo da montanha.

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Mais um brinde!

Ali almoçamos um bocadillo com vinho e coca-cola, de olho na montanha que teríamos que escalar em seguida. Eram 140 metros de desnível em 1km de estrada de chão!

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E depois do almoço, uma subida de respeito!

E foi uma subida difícil, mas curta e que valeu cada pedalada até ali, a vista lá de cima é incrível!!

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A placa indica a inclinação, muita calma nessa hora… De passito!!

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Chegando ao alto, olhando para trás observamos o que deixamos. A cidade de Castrojeriz ficou pequenininha…

A descida também não passou despercebida, 18% de inclinação em 350 metros, nos levou a descer com muita cautela e ao mesmo tempo sentindo a adrenalina…

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Foto tirada por uma pereregrina Dinamarquesa.

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Incrível a vista enquanto descíamos com cautela…

A pedalada da tarde foi muito tranquila e depois de atravessarmos o canal de Frómista, chegamos no destino daquele dia.

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Minha vontade era de mergulhar nessas papoulas! <3

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Seguindo…

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Atravessando o canal de Frómista.

Achamos o albergue municipal, e por pouco não ficamos de fora na lotação! Lavamos nossas roupas e bikes no pátio que havia no albergue e saímos para jantar um menu do peregrino servido no restaurante ao lado. Boa massa, vinho e um filé com batatas…

Depois disso sentamos na praça em frente ao albergue (Frómista é minúscula), para conversar e apreciar o movimento comendo chocolate com amêndoas.

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Igreja de Frómista, ficava em frente ao nosso albergue.

Com o anoitecer,  precisávamos carregar os celulares e Garmin, e isso só era possível no refeitório do albergue. Sentamos por ali para esperar os aparelhos carregarem e logo conhecemos dois peregrinos brasileiros, um mineiro e uma paulista. O nome dele infelizmente não me lembro, o nome dela: Beatriz Siegel. Ficamos então conversando até a hospitaleira nos mandar ir dormir, pois depois das 22h tem que se respeitar a regra!

Continua…

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